Exportando Dark Music

RSS
Recomendar

Ago 7 2009, 23h29

Há um interessante fenômeno que vem acontecendo na última década. O Brasil, pais tropical e de cultura festiva(leia-se axé&pagode) tem ganhado visibilidade numa cena que costumeiramente é dominada por países de clima temperado. Por um tempo fomos acostumados a ouvir bandas de , , , entre outras, vindas de países como a Inglaterra e Alemanha. Não contentes, uma turma resolveu criar. E foram muito bem!

Vamos então analisar o caso de quatro bandas específicas que cantam em inglês e que hoje tem um reconhecimento internacional. Para efeito estatistico, pesquisei a audiência de cada banda no site Last.FM. Para quem não conhece, esse é o maior portal de música do mundo; registrando o que cada um dos associados no mundo todo ouve no dia-a-dia.

Comecemos então pela banda que foi a precursora desse movimento. Elegia marcou história ao repetir por dois anos consecutivos - 2000 e 2001 - participação no maior evento gótico mundial, o Wave Gotik Treffen na Alemanha. Feito esse até hoje não superado. Com isso, a banda não só alcançou reconhecimento internacional, como aqui no Brasil, fez muita gente perder essa cultura da inferioridade cultural perante os europeus. No Last.FM, percebo que das 10 ultimas pessoas que ouviram ou estão ouvindo Elegia, somente 4 são brasileiras. As demais são da Espanha, México, França, Colômbia, Inglaterra e Rep. Tcheca.

Seduced by Suicide, banda autodenominada de "Ultra-Romantic Rock", é sem sombra de dúvidas, o exemplo de uma banda que tem mais reconhecimento lá fora que propriamente no Brasil; e olhe que aqui o disco "Gothic Dream" de 2006 chegou a ser indicado como melhor album do gênero no Brasil com seis notas máximas entre várias avaliações positivas. No Last.FM, entre os maiores ouvintes, percebi usuários da Bulgária, Polônia, Argentina, Alemanha e até Síria e Irã!

O caso da Plastique Noir é mais emblemático. Não só é brasileira, como vem de um estado nordestino, o Ceará. Fato que de início, já pegou muita gente de surpresa acostumada a ouvir bandas do sudeste. A banda surgiu em 2005 e desde então não pára de crescer. Já em 2007 foram convidados para tocar no WGT, sonho que lamentavelmente não pode ser concretizado pela dura realidade financeira da cena brasileira que infelizmente ainda 'não se banca' e não puderam contar com ajuda governamental. A banda tem lançado pelo selo Ekleipsi(Itália) e afmusic(Alemanha) três trabalhos, os EPs Offering(2006) e Urban Requiems(2006/2007) e seu primeiro album full: Dead Pop(2008). Receberam uma resenha elogiosa do renomado Mick Mercer e tem faixas sendo tocadas nas pistas de festas por toda Europa. No Last.FM, dos dez últimos ouvintes percebi somente três brasileiros. Os demais são do Reino Unido, França, Sérvia, Grécia, Estados Unidos, Polônia e Rússia.

Se já é dificil criar música gótica para um público como o brasileiro o que dirá do gênero ! Nem posso dizer que Scarlet Leaves se destaca nesse gênero, porque em verdade ela é uma das únicas bandas brasileiras de . E nisso ela faz muito bem! Formada em 2003, somente em 2008 lançaram seu full-lenght album "Cold Painted Landscapes". Até então, faixas como Absinthe Tears e Faces foram lançadas em algumas coletâneas da Alemanha. A sonoridade beirando a perfeição técnica da banda ganhou reconhecimento rápido dos amantes de / de toda Europa. Rússia, Ucrânia, Polônia, Canadá e Alemanha estão entre os paises de mais fãs no Last.FM.

Essas quatro bandas são um pequeno exemplo de que não há limite geográfico ou de idioma que impeça de criar boa música. No rastro dessas outras bandas estão seguindo e a cena dark nacional só tem a ganhar. Muito ainda tem de ser feito. Mesmo com todo sucesso, quase a totalidade delas, não tem ainda estrutura pra tocar fora do país. Criar um circuito que fortaleçam esses laços no Brasil, como o que tem feito a Plastique Noir, é o caminho certo. Se antes tocavam em festas darks, hoje são convidados a tocar em festivais independentes por todo pais e dai pro exterior é só questão de tempo.



Por Dr. Caligari.

Comentários

  • wandeclayt

    O abismo entre nossas bandas e as bandas européias/americanas é meramente de marketing. Temos projetos de grande qualidade mas parece que não sabemos usar todos os recursos que a internet e sua infinidade de redes socias e ferramentas de midia oferecem para uma eficiente campanha de marketing. A falta de viabilidade financeira da cena local contribui com o problema, com bandas fazendo música apenas por diversão e por amor à sua arte e sem visão empreendedora. Mas claro, poderia ser pior. Poderiamos ter o cenário inverso que vemos nos tops das FM: muito marketing e profissionalismo e pouca ou nenhuma qualidade.

    Ago 8 2009, 0h45
Ver todos os comentários
Deixe um comentário. Faça login na Last.fm ou cadastre-se agora (é gratuito).