Nem me lembro o dia que eu conheci o requeijão ... talvez não tenha me causado nenhum impacto. Só me lembro de uma amiga chamada M. que comentou que a outra amiga C. enchia as torradas de requeijão, quando ia na casa dela... ou seja, acabava com o requeijão da M.
Tomando vinhos, vivendo a França aqui noutro país, enquanto o suor micro-goteja e gruda-se com a poeira na pele, e a manga aguarda na geladeira.
Mas não mastigo como mastigava antes... são sim, mastigadas nervosas de uma boca faminta, o sangue embriagado, enquanto o olho devora os detalhes da casa.
Sou uma criança num corpo de gente grande, nem sempre sou mulher.
Lembro-me de me enervar com um pôster do Escher na casa de minha amiga, pato-peixe-pato, e no banheiro tinha um quadrinho como daqueles de Toulouse-Lautrec... quando fui à França, comprei um igual, e hoje o meu se encontra de fora e ao lado da porta do banheiro, desvirtuado pelas idéias que eu tinha daquele desenho naquele tempo.
Sou também um devir-fada, com banhos de ervas e frutinhas para enfeitiçar os elfos hihihi...
Mastigadas cheias, macerando pães com gorgonzola para extrair o ódio do corpo, questionar a ambição. Bebendo vinho como grotões da taverna, deixando molhar o rosto e misturá-lo às lágrimas.
Um devir-sereia, pois sua paixão não é por elfos, mas por humanos.