Muito do que é produzido atualmente é derivado de composições superficiais voltadas mais ao retorno comercial do que à produção artística. Isto diminui em muito a música nacional e dificulta o acesso a tantas obras de arte criadas por nossa gente.
Me surpreendi quando notei que o polo musical que era foco de meus carinhos estava longe do eixo Rio-São Paulo, indo ao nordeste do país se encontrar com nossas tradições que se recriavam pelo encontro com o novo contexto musical, tecnológico, econômico e social do mundo.
Já se falou antes "se deseja ser universal, cante sua aldeia". Neste quesito as criações vindas do nordeste têm conseguido particular importância na configuração de universalidade da nossa cultura brasileira.
Em específico, caracterizo como maiores representantes desta cultura universalmente brasileira a música de Isaar França, Alessandra Leão, DJ Dolores, Mestre Ambrósio (que hoje já não existe enquanto grupo, mas que espalhou pelo cenário musical integrantes como Helder Vasconcelos e Siba), Renata Rosa, Lia de Itamaracá, Maestro Spok, Antônio Nóbrega, e muitos outros.
É interessante notar que os artistas acima mencionados têm alguma ligação, direta ou indireta com Pernambuco (que pernambucanos não me ouçam, ou irão inflar-se de orgulho)... e não é a toa que estou me mudando para este estado.
O problema de Pernambuco é o conservadorismo quanto ao que se considera como cultura popular e como cultura válida. Inovações e produções ditas externas à cultura pernambucana têm grandes dificuldades em se disseminar e crescer, além da visão de que tradições não devem ser alteradas e de que não há a percepção de que uma cultura tradicional sofre e deve sofrer modificações em sua estrutura de modo a se sustentar e se perdurar.
Paradoxalmente, as inovações nacionais vêm de um estado em que inovações têm dificuldades em se concretizar.