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  • O que achei | Show Supercombo e Tópaz

    Nov 26 2012, 12h58

    Farei algo que considero "antijornalístico" e falar principalmente e partidariamente do que gostei dos shows que rolaram no Inferno, neste sábado, 24.

    Foi uma tarde/noite com apresentação de cinco bandas. Não cheguei na abertura da casa, e, quando apareci, já rolava a legalzinha, mas insossa, Panorama. Em seguida foi a Jeans, que achei bem ruim. Sabe quando uma banda quer fazer sucesso e reúne todas as fórmulas possíveis de grupos de ? Então, Jeans é uma mistura de Charlie Brown JR e NX Zero, mas com a aparência de BBB. Sério. E, depois, teve a banda Vinda, mas não prestei atenção (não por mal, não me chamou a atenção mesmo).

    Enfim, tocou a banda Supercombo, que aí sim, fez um show em tanto. Eu havia visto uma apresentação bem diferente da banda, na Virada Cultural, que estava desfalcada, com o vocalista improvisando (muito bem, inclusive) na bateria. Neste sábado, a banda surpreendeu mais, me deixando mais fã ainda. A energia do show é muito boa e as músicas ajudam muito.

    Para fechar bem a noite, deixando na memória só coisas boas, a Tópaz fez um show em tanto. Por mais que tenham lançado recentemente o álbum Onze Nós, o set foi bem equilibrado com o anterior, III.

    Foi uma apresentação bem completa: músicas boas, músicos ótimos, animação e até diversão, a cargo do baixista fanfarrão, que não perdia um intervalo de música para piadas (sem e com graça) e gracinhas.

    O show, assim como os álbuns, tem diversos momentos únicos, agitando e emocionando os presentes.

    Valeu a pena esperar.
  • O que tenho ouvido | Garage Fuzz e Holger

    Nov 14 2012, 13h15

    Semana curta, mas ouvi bastante coisa. Vou destacar duas coisas interessantes.

    Primeiro é o EP Warm & Cold, do Garage Fuzz. O bagulho é porrada, quatro músicas certeiras que trazem até uma nostalgia do início dos anos 2000, com a cena de muito destaque. Vale a pena.



    Agora, o novo álbum do Holger, Ilhabela. Desde Sunga, já se via que Holger era uma banda de verão. Clima de festa, música para o alto, com muita zoera e azaração. E isso é ótimo. Mesmo eu sentindo falta do clima de referências do EP Green Valley, adoro o Sunga e estava ansioso por Ilhabela.

    A banda já vinha adiantando algumas mudanças, que teriam letras em português e tal, e tudo isso aumentava a expectativa. Até que, enfim, foi lançado.

    Ilhabela é mais difícil de entender do que Sunga (se é que há o que ser entendido) e fica uma leve impressão que a banda soa melhor em inglês do que em português. Entretanto, continua tudo lá: festa, animação e criatividade.

    Mesmo torcendo o nariz numa primeira audição, confiei na banda e ouvi o álbum mais algumas vezes. E não é que você entra no clima? E percebe ótimas canções para animar o verão indie, como a minha favorita (e trilíngue) Infinita Tamoios.



    É um álbum bom, e tende a melhorar com as audições. E um show, com essas músicas, deve ser muito da hora.

    A banda disponibilizou para streaming, download gratuito (ou não). Vá lá: http://myholger.bandcamp.com/album/ilhabela
  • O que tenho ouvido | The Roots, Passion Pit, Alt+J, Gaz Combes e algumas coisas ruins

    Nov 9 2012, 12h46

    Nesses últimos meses tiveram grandes lançamentos. Grandes pela qualidade, independente do tamanho do artista em questão.

    Vou começar falando do álbum mais recente da The Roots, Undun. Eu a conheci "tardiamente", graças ao álbum Wake Up, que a banda gravou com o John Legend. Um pouco depois, lançaram Undun. Deixei encostado por um tempo e fui pegar pra ouvir direito só agora. E me arrependo de não ter pego antes.

    The Roots, nesse álbum, consegue equilibrar muito a com o , tudo isso com refrões elevados na melhor potência. Muito bom.



    Agora, mais recente, o Passion Pit lançou Gossamer. Eu sou um grande fã do primeiro álbum, Manners. Ele é tão bom que sempre que o escuta, fica um gosto de quero mais. E Gossamer é esse "quero mais". Não inovam, mas mantém a mesma qualidade, com músicas dançantes e alegres, com muito sintetizador. Recomendadíssimo.



    Aí vêm duas "bandas" "novas". Alt+J é sim uma banda e é nova - e que surpreende demais com o álbum de estreia An Awesome Wave - que equilibra muito bem as músicas viajantes, sem tornar cansativo, passeando à vontade pelo e , com pitadas de Radiohead. A outra novidade seria o Gaz Coombes, ex-vocalista do Supergrass. Solo, lançou Here Come The Bombs, que pouco lembra sua antiga banda e não cai nas pirações de artistas que, ao largar um grupo, entra num lance meio introspectivo e chato. É pop, é viajante, é guitarresco e é bom. Na medida certa.





    Por fim, algo que não gostei: A Mágica Deriva dos Elefantes, do Supercordas. Dei duas chances ao álbum, e nas duas fiquei entediado e com sono. Creio que não haverá uma terceira chance. Mantém o clima dos trabalhos anteriores, mas sem potência.

  • Macaco Bong @ Sesc Belenzinho

    Out 29 2012, 14h27

    Já falei, em outra ocasião, o que achei de This Is Rolê, novo álbum do Macaco Bong. Só resumindo: bacana, mas considero um psy do , ficando bem atrás do ótimo álbum de estreia, Artista Igual Pedreiro.

    Sabendo do show que teria perto de casa, pensei em dar mais uma chance para o This is Rolê, imaginando que o álbum poderia funcionar bem melhor ao vivo. E realmente funciona.

    Só que ainda continuo achando Artista muito melhor. O peso do This is Rolê ao vivo parece maior do que a criatividade nas músicas em si. Sendo que, para mim, o melhor momento do show foi quando tocaram as músicas do primeiro álbum e do ep Verdão-Verdinho.
  • O que tenho ouvido | Trail of Dead e John Mayer

    Out 26 2012, 12h15

    Há bandas que usam uma mesma fórmula para fazer seus álbuns. Mas, em algumas delas, a fórmula é tão boa que isso não é um problema. Encaixo Sonic Youth e Dinosaur Jr nisso. Não inovam de um álbum para outro, mas, puxa vida, não há um único disco ruim.

    Já falei de Dino Jr há pouco tempo, mas creio que, neste mesmo estilo, posso falar de …And You Will Know Us By The Trail Of Dead, que lançou o Lost Songs. Eles não fizeram nada novo, ou seja, está estupidamento legal. E, neste link (http://goo.gl/3C5cL), dá pra ouvir na íntegra.

    Por esses dias, dei uma chance para o bem falado Born and Raised, do John Mayer, e não me arrependi. O cara tem um ótimo equilíbrio entre o e o , em um álbum leve e nada sonolento.
  • O que tenho ouvido | Nada Surf, Dinosaur Jr, Bob Dylan e, bem, Macaco Bong

    Set 5 2012, 16h14

    Das novidades surgidas nos últimos meses, destaco os álbuns das bandas que tenho ouvido: Nada Surf, Dinosaur Jr, Bob Dylan e Macaco Bong.

    The Stars Are Indifferent to Astronomy, do Nada Surf, vem depois de um álbum de covers da banda e resgata o ambiente guitarresco noventista da banda, que não apareceu muito bem em Lucky.

    I Bet On Sky, do Dinosaur Jr, mantém a boa qualidade de todos os álbuns da banda, que em nenhum momento foi perdida. Há elementos diferentes, com mais, digamos assim, gingado. Tem solos que remetem ao ótimo e histórico Where You Been.

    Tempest do Bob Dylan mostra que o cara tem se adaptado muito bem com a sua idade. A voz bem mais rouca, em comparação com a juventude, já bem forte desde Modern Times (e até antes) parece dar um novo peso ao som. Não é excepcional, mas é sempre bom ouvir coisas novas desse cara.

    E, por fim, This Is Rolê, do Macaco Bong me fez desanimar um tanto da banda. Sou um fiel defensor de Artista Igual Pedreiro, o primeiro álbum. A banda conseguia ser instrumental sem cair na piração do post-rock nem na quebrada do math-rock. Mas This is Rolê parece ter simplificado demais, se tornando o trance do indie rock.
  • Óbvio e Clichê | Stereomotive

    Ago 1 2012, 14h56

    É engraçado esse segundo álbum completo da banda Stereomotive se chamar Óbvio e clichê. Lá pelos anos 2005, não era fácil pra ninguém gravar um álbum, mas, ainda assim, as bandas se esforçavam e lançavam lá suas 10 músicas. Se não conseguiam isso, sair em coletâneas era uma boa alternativa. Entretanto, a ideia de um CD cheio era o sonho de muita gente.

    E foi nesse contexto e ano que veio o EP Prelúdio a Uma Nova Concepção aestética, do Stereomotive, com - apenas - quatro faixas ótimas, gravadas no estúdio El Rocha.

    Passaram-se tempos e tempos e Prelúdio parecia ser a gravação definitiva desta banda de Suzano. Mas, no ano do fim mundo, os rapazes voltam a se reunir para lançar, agora, em uma época em que bandas lançam muitos EPs e singles, quem diria, um álbum cheio, com 12 faixas ótimas. Estamos, enfim, falando de Óbvio e clichê.

    Em Prelúdio, o fato de ter poucas faixas, contrastando com a alta qualidade das músicas, deixava sempre um gosto de “quero mais”. Óbvio e Clichê veio para acabar com isso. Depois de passar todas as músicas, você sente a satisfação de ouvir um novo álbum, inédito, mas com toda a qualidade do hardcore melódico do início dos anos 2000, seja da famigerada Mogi Indie Scene e da cena paulistana, seja das coisas californianas, de Seatle ou de sei lá mais onde.

    Também gravado no El Rocha, Óbvio e Clichê soa como uma continuação natural de Prelúdio. A faixa de abertura, LER (Ninguém Consegue estar certo-errado o tempo todo), faz quase sentir que se está ouvindo uma nova música do Braid, além de ser um prelúdio do que está por vir: um álbum cheio de ótimas referências, de Sunny Day a Hot Water Music, passando fortemente por At The Drive In (em Catarse, dá até pra imaginar Omar e Cedric dançando). E, mesmo com tanta influência, nada soa como plágio, cópia ou falta de criatividade. Muito pelo contrário, é algo novo, apoiado por letras objetivas (às vezes, nem tanto), emocionantes e nada óbvias.

    A faixa que tem o mesmo nome do álbum pode ser escolhida facilmente como single, como carro-chefe - se é que hoje em dia se precisa disso. Eu sei mentir dá o tom das canções mais animadas, que deixam a vontade de ver a banda ao vivo. Impor dá vontade de gritar junto: “Fora Daqui!” E, por fim, Resposta finaliza Óbvio e Clichê de forma dignamente melancólica.

    Óbvio e Clichê parece vir para mostrar que o ambiente não interfere na composição, nos sentimentos. Os tempos são outros, não há mais Ludovic nem Fud, não há Camelot tampouco Pesqueiro. Mas a vontade de fazer música boa, independente da cena, continua aí.
  • Tópaz | Onze Nós

    Mai 4 2012, 13h43

    Conheci a banda Tópaz há pouco tempo e me surpreendi com a força do álbum, III. Tem a força do , mas como teor bem pop, podendo mostrar tanto pro amigo de farra quanto para a mãe ou avó.

    Há um mês ou mais, não sei ao certo, lançaram o Onze Nós, que não inventa muita coisa em comparação ao anterior, mas continua na mesma pegada e com a mesma potência.

    Não há canções tão fortes como O Maior Idiota Do Mundo, Feira de Ciências ou Notas de Rodapé, mas as letras surpreendem. Surpreendem pela proximidade do nosso dia a dia e o fácil reconhecimento, sem ser óbvio.

    As letras são diretas, mas há um bom uso de metáforas. Recomendo Suicídio ao Contrário, Eu Sempre Esqueço e Quem Não Ajuda Atrapalha.

    Pra quem se interessar, o álbum está pra dowload no site da banda: http://www.bandatopaz.com/



  • Bandas que podem se reinventar a qualquer momento

    Jan 18 2012, 0h57

    Se Chico Buarque aparecesse fazendo rock seria estranho. Mas ninguém se surpreenderia se Radiohead viesse com um álbum voz e violão.

    Acontece que Radiohead é um tipo de banda que pode se reinventar a qualquer momento sem causar estranheza e/ou preconceito/resistência.

    Há bandas/artistas que não têm problema algum não sairem de um estilo ou padrão, como Sonic Youth. Mas acho muito bom quando bandas te surpreendem, no sentido mais literal da palavra, a cada álbum.

    Nesse jeito, eu citaria: R.E.M., Beck, The Flaming Lips, Death Cab for Cutie,The Arcade Fire, Foo Fighters e muitas outras. The Beatles, pô.

    A expectativa de ter um papel em branco é sempre presente a cada álbum a ser lançado dessas bandas (claro, no caso das que ainda existem).
  • Noventista

    Jan 3 2012, 2h27

    Polêmico, mas arrisco dizer que gosto mais do rock dos anos 90 do que dos 70. E nesse início de década, os anos noventa parecem estar voltando.

    Algumas bandas não soam tão verdadeiras, parecem usar fórmulas apenas para aproveitar o momento. Resultado disso, geralmente, é ter um álbum de estreia bom, porém, não conseguir sustentar os seguintes. Não têm criatividade, não possuem pernas próprias.

    Estou torcendo para que isso não aconteça com o The Vaccines e com o Yuck.

    Já não aconteceu com duas bandas que tenho ouvido muito: The Pains of Being Pure At Heart e Ringo Deathstarr. São bandas relativamente novas mas que já têm dois ótimos álbuns e EPs cada.

    Outra coisa interessante desta onda noventista é que não foi o que veio com toda a força, mas sim, o . Pra mim, está ótimo.