Super Bock Super Rock 2011 - 15.07.2011

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Jul 17 2011, 1h37



Decidi, ainda em Março, logo após a confirmação de Portishead no cartaz de dia 15 de Julho para o Super Bock Super Rock, gastar as poupanças neste mesmo festival. E ainda bem que o fiz.

O dia começou cedo, sendo que as portas abriram por volta das 16h. Contando com filas intermináveis dos que deixam a partida para o festival para a última hora, decidi que seria prudente dirigir-me lá mais cedo. E ainda bem que o fiz, poucas horas depois foram noticiadas filas de aproximadamente 4 horas. A culpa disto entregue à organização - que em mãos teve também as péssimas condições do solo dos estacionamentos e a quantidade de pó incrível que se levanta dentro da Herdade do Cabeço da Flauta.

Quanto ao recinto, podem ser apontados facilmente mais pontos positivos que negativos:
- Sombras para os festivaleiros se poderem proteger do Sol quente que se fez sentir todo o dia.
- Um recinto amplo, pouco confuso e sinalizado para facilitar a circulação.
- Um grande número de casas-de-banho.
- Bastantes pontos Super Bock onde o público se podia abastecer de comida, águas, sumos ou bebidas alcoólicas.
- Entretenimento patrocinado pela EDP que criou extensas filas e que, por essa razão, decidi evitar um pouco.

Embora esta organização se possa considerar razoável, há erros que poderiam ser evitados:
- O estacionamento foi feito numa zona de areia solta e era muito difícil controlar um carro naquelas condições. E o risco de ficar atolado era alto.
- O pó chegava a tornar-se incómodo, tendo muita gente (eu inclusivé) levado máscaras, encharpes, lenços e até mesmo cachecóis para se proteger um pouco da poeira.
- As saídas atabalhoadas do estacionamento, mesmo com polícia a comandar o trânsito e a má sinalização posterior fez com que muita gente que não conhecia os caminhos escuros e apertados da EN10 se perdesse, andasse às voltas ou optasse pelos piores caminhos.
- Os preços. Todos sabemos que dentro de um festival, tudo costuma ser mais caro. Mas muita gente achou 2€ por uma garrafa de água pequena um exagero.

Mas passando à música, Noiserv foi quem abriu as hostilidades no Palco Super Bock, por volta das 20h. Trazendo até nós a sua música experimental, planeada até ao mais ínfimo detalhe e brindando-nos com mensagens positivistas que chegariam até, como o próprio David Santos disse, para criar um livro sobre auto-ajuda. Uma passagem bastante positiva pelo palco do festival, bem recebido pelo público e que fez de um belíssimo final de tarde algo ainda melhor e mais agradável.

Após um ligeiro intervalo actuou uma das bandas que mais me chamava a atenção: Rodrigo Leão & Cinema Ensemble. Nas suas composições inebriantes há algo tão melódico que dá vontade a qualquer um que aprecie o estilo com atenção de saber dançar e não parar durante horas. Eu, que não sei dançar, tive esta sensação durante todo o concerto.

De seguida, por volta das 21.30h, uma agradável surpresa. The Gift subiam ao palco liderados por uma enérgica Sónia Tavares que teve uma brilhante actuação, bastante fervorosa e que deixava o público à vontade para cantar, bater palmas, dançar e demonstrar o seu afecto pela banda. Contou também com a energia do teclista Nuno Gonçalves que fez o público participar numa coreografia de acenos intercalados com palmas que não podia ter saído melhor se tivesse sido ensaiado anteriormente.

Foi então que, após horas de espera que se arrastavam ao ponto de parecer dias, os britânicos Portishead subiram ao palco. Sem grandes demoras começaram um espectáculo musical acompanhado de uma componente visual bastante forte que deixava o público indeciso entre o apreciar ou fechar os olhos e sentir a voz de Beth Gibbons. O coro fantástico que se fez ouvir vindo da multidão foi originado quase ao mesmo tempo que soaram as primeiras notas de músicas como "Roads", "Glory Box", "Wandering Star", "Over" ou "Cowboys". Acompanhados de aplausos e deixando a maioria do público quase a chorar por um encore, os Portishead saíram do palco Super Bock - arrisco-me a dizer - satisfeitos pela brilhante prestação.

Partindo assim para o último concerto da noite, dos muito esperados Arcade Fire, o público parecia ter duplicado. Não havia espaço para tirar a câmara fotográfica do bolso, não havia espaço para acender o cigarro que apeteceu durante a espectacular "Crown of Love". Antecedidos de uma animação bastante original, os canadianos subiram ao palco e o público atingiu o auge. Foram entoadas a plenos pulmões as canções mais marcantes do percurso da banda como "No Cars Go", "Rococo", a já referida "Crown of Love", "Rebellion (Lies)" e muitas outras a que os fãs respondiam com aplausos assim que as cordas da guitarra de Win Butler vibravam. Com um encore de duas músicas, despediram-se de um público a que agradeceram o entusiasmo com que foram recebidos por meio de perguntas como se seria possível escrevermos um livro sobre como ser uma multidão.

Findados os concertos no Palco Super Bock, decidi passar pelo palco EDP e dar um pouco de atenção à actuação de Chromeo que debitavam o seu electrofunk sobre um público que dançava sem parar.

Como já foi referido anteriormente, a pior parte da minha noite chegou aquando do caminho para casa - a má sinalização e a estrada atrasaram o meu caminho (e aposto que o de muito mais gente) por volta de 1h, podendo ter feito o caminho em apenas 30 minutos.

Pensando positivo, vi um festival que me trouxe algumas surpresas e que me presenteou com uma das minhas bandas preferidas. E para compensar a má sinalização das saídas, foi-me possível assistir ao nascer-do-sol a caminho de casa, cansado mas satisfeito.

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