Uma visão pontual

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Jun 22 2011, 12h32

Olhando para o passado é estranho contemplar o próprio amadurecimento. É uma mescla de vergonha, nojo, saudade e empatia. Diferente de relembrar, onde a nostalgia e ilusão criada pela distância embaça nossa visão, ter na sua cara as provas de quem você realmente era e quem você eventualmente se tornou é uma experiência quase que epifânica.

Um exemplo está nos seus gostos. É sempre muito legal fazer aquelas viagens pelo túnel do tempo em que vangloriamos nossa infância, muitas vezes em detrimento da geração atual. Mas um observador mais diligente e curioso, que realmente se ponha a escavar tais relíquias encontrará, na melhor das hipóteses, piritas.

Olhando para o meu gosto musical, que na época dos meus 7 até mais ou menos os 13 era basicamente inexistente, aquele caldeirão de sentimentos que citei inicialmente é nada mais que a ponta do iceberg do que me é evocado. Por exemplo, eu ouvia É O Tchan, não por prazer ou lazer, mas em festas e outros eventos sociais. Assim como Só Pra Contrariar, Backstreet Boys,Spice Girls entre outras bandas, que caso você de uma olhada, nem que seja de relance, na minha lista de mais escutados seria como misturar leite com cerveja.

Como afirmado anteriormente eu não havia desenvolvido um gosto musical. Música, na época, era barulho de fundo. A primeira banda que realmente escutei por vontade própria foi Mamonas Assassinas, que, correndo o risco de cometer uma blasfêmia, era horrível. Hoje em dia, com a experiência e conhecimento, é fácil notar a estrutura simples e as letras que eram mais infantis que hilárias. Talvez até por isso ela se torne uma banda boa, pelo efeito Zé do Caixão, por mais que a comparação seja injusta (Sr. Mojica=Gênio).

Claro que as coisas não são tão drásticas assim. A pessoa que me tornei hoje já vinha sendo moldada naquela época. Junto com o terrível vem o promissor. Na mesma época que os bailinhos cheios de encrenca eram regidos pelo e , eu comecei a me interessar pela música de um tal de Michael Jackson e uma tal de Iron Maiden. Apesar de também não figurarem nos meus mais ouvidos pavimentaram o caminho da minha descoberta do , , , entre outros tantos estilos musicais que estruturam meu atual gosto.

Eventualmente nossa jornada pela vida se torna tão longa que ao olhar para o início a única imagem é um oásis inexistente, mas quando a temos clara em nossa visão é capaz de nos fazer duvidar de sua veracidade. Recomendo a todos que arranjem um jeito de ter em sua frente, sem o véu da nostalgia, o seu passado. Não mentirei, será doloroso às vezes, mas garanto que o que você ganhará com isso é muito melhor que uma ilusão, é o prazer do presente.

Nota pras pessoas que gostam de pagode, axé ou boy bands: P ponto do artigo não é qualificar o que foi bom ou ruim dos anos e , mas sim a diferença entre o começo da minha vida com a música com o que ela se tornou.

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