It Could Have Been A Brilliant Career

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Mai 5 2008, 8h36

Hum, olá.

Como deve estar dando para perceber pelas letras garrafais ali ao lado, eu sou Márcio, um Rodrigues. “Sim, e daí, quem vem a ser essa criatura?”, você provavelmente (não) deve estar se perguntando (ou, pior, já sabe a resposta, e cá estou ganhando calos nos dedos para chover no molhado). Procurando evitar bocejos da audiência, vamos logo ao que interessa com uma caracterização absolutamente verossímil deste que vos escreve: rico, alto, loiro, recifense, morador do invejável bairro de Boa Viagem e estudante do sétimo período de Letras na Universidade Federal de Pernambuco. É, Letras. Sim, já estou arrependido. Minha mãe dizia: “Márcio, pelo amor de Deus, Márcio, faça Direito, faça Medicina, se prostitua (acréscimo meu), só não faça isso com você mesmo”. Entretanto, é preciso mais que o pranto desconsolado de uma boa mãe vendo toda uma vida de colégios particulares caros indo por água abaixo para fazer um Rodrigues sair do seu caminho.

Claro que eu quebrei a cara (como é aquela história de maldição de mãe mesmo?). Do fértil ambiente acadêmico e das tão sonhadas discussões sobre as maiores e melhores obras dos maiores e melhores nomes da literatura nacional nada vislumbrei. Esbarrei foi com Esman e Lucila, e se essas figuras não conseguem fazer uma pessoa desistir da vida literária, temos aí um novo Shakespeare. Ou um novo Marquês de Sade.

Foi dando tchau para a Academia Brasileira de Letras e hi para a carreira de tradutor do idioma de Keats, Yeats e Wilde. Mas aquela vontade obscura de deixar alguma bobagem registrada em algum lugar ainda mais obscuro (não tão obscuro, claro, quanto o lugar onde Kramer gostaria de ter um romance de Groff escrito) continuou por aqui. Por que não fazer um blog, então? Acontece que não tenho muita paciência (você quis dizer: talento) para manter um sozinho (nem acho que teria assunto para tanto, fico mesmo impressionado com o que leio nos espaços alheios), e eu me pegava pensando:

Sabe quando você tem a nítida sensação de que absolutamente ninguém está dando a mínima para o que você está dizendo/fazendo? Pois bem, agora mentalize e desloque essa impressão para um futuro não muito distante. Mentalizou? Pronto, estamos nos entendendo. Tá certo que escrever é um exercício solitário, mas a minha aventura por estas bandas prometia transcender o significado dicionarizado desse adjetivo.

Superados os receios, decidi que vou tentar criar algo cá no Last. O que tenho em mente é uma idéia simples e nem um pouco criativa, admito. Contudo, foi a única solução razoável que encontrei para sanar o meu problema: usar música como pano de fundo para os meus ainda não-nascidos textos, música servindo de inspiração para as letras e vice-versa. Escrever auxiliado por ela, da maneira mais pessoal possível, jogando no meio do riff comentários sobre alguma passagem bizarra da vida ou aproveitando o começo do solo para soltar uma frase espirituosa. Espero que dê certo. Eu vou me divertir, ao menos. Eu acho. Tomara. Socorro.

Até breve (para quem, por acaso, estiver aí),

Márcio Rodrigues

- It Could Have Been a Brilliant Career é a música que abre o terceiro e, em minha opinião, único álbum fraquinho de Belle and Sebastian, The Boy With The Arab Strap. Embora eu simpatize bastante com ela (mesmo temendo que um dia ela venha a se tornar meu epitáfio), raramente a escuto - não foi idéia minha colocar Sleep the Clock Around logo em seguida, foi? Pulo quase sempre para a segunda faixa, uma das minhas favoritas do grupo escocês, e daí vou direto ouvir A Summer Wasting, outro espetáculo sonoro geralmente deixado de lado pelos fãs de B&S (é tão triste ver os meus amigos completamente indiferentes a ela... será que somente eu neste planeta realmente gosto dessa música?). Mas não creio que este post scriptum seja o lugar ideal para tratar do Stuart e sua turma.

- Keats, Yeats e Wilde não foram invocados arbitrariamente no texto acima: são os três autores que dão o ar da graça em Cemetry Gates, do The Smiths, música que não teve a menor possibilidade de se destacar no The Queen Is Dead, mas ela bem que se esforça. Deve ser horrível ter Bigmouth Strikes Again, The Boy With The Thorn In His Side e There Is a Light That Never Goes Out como concorrentes na preferência da galera.

Comentários

  • flaviaadolfo

    tá, agora quero o primeiro de verdade!

    Mai 7 2008, 7h09
  • flaviaadolfo

    apesar do fato de ter comentado um texto que [i]no longer exists[/i], gostei muito mais do novo. tá daquele jeito que eu te disse, que agora vai render uma conversa com ameaça de expulsão do gtalk e tal (o que eu não entendo, porque foi um elogio). fora isso, algumas coisas: não acho o arab strap fraquinho. só não é bom como os outros. e outra, a summer wasting é a minha favorita do cd verde. mentira, é ease your feet..., mas eu não pulo a de antes pra chegar nela XD e sim, (quase) qualquer coisa que cite Yeats e Wilde (e Shakespeare, e o Marquês, e afins) ganha importância.

    Mai 12 2008, 0h30
  • Drikelly

    A Summer Wasting: coisa linda demais... Pena que não li (ou não invoquei, sei lá) Keats, Yeats e Wilde pra poder dar uma opinião. Mas sobre o álbum verde...poxa, ele é melhor que o Storytelling.

    Jul 4 2008, 1h21
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