Blog

RSS
  • TOP 10 Music Videos of 2012

    Jan 8 2014, 16h45

  • Concerts I've attended (so far)

    Ago 2 2012, 11h31

    2010
    Rita Lee (Turnê ETC) 06/05/10

    2011
    Jota Quest (Réveillon 2010/2011) 31/12/10-01/01/11
    Ney Matogrosso (Turnê Beijo Bandido) 14/05/11

    2012
    Björk (Biophilia World Tour)¹ 22/05/12 (cancelled)
    Vanessa da Mata (Turnê Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias)² 30/06/12

    2013
    Caetano Veloso (Turnê Abraçaço) 17/05/2013


    ¹ Sónar Festival
    ² Festival Internacional do Chocolate
  • TOP 10 Music Videos of 2011

    Jan 13 2012, 0h48

  • 'Franky Knight': O Luto de Émilie Simon

    Dez 10 2011, 21h55

    Émilie Simon está sozinha, veste o próprio luto. Seu olhar é distante e, em meio a um desolado estúdio de gravação, há de se prever o quão triste é a mensagem de Franky Knight. O título é a tradução para o inglês de François Chevallier, nome do noivo de Émilie, que morreu em meados de 2009 vitimado pelas complicações da Influenza A (H1N1). Nada poderia se encaixar tão bem neste novo trabalho: é uma obra-prima e a declaração máxima de amor do maior talento francês da atualidade.




    A faixa de abertura e também primeiro single, Mon chevalier (“Meu Cavaleiro”), dá tom às tortuosas confidências de Simon. Versos como You took my soul away with you, the night you went, you gave me yours (“você levou minha alma junto a você, e na noite em que você se foi, você me deu a sua”) são de uma sensibilidade ímpar e alertam ao ouvinte de que tudo em ‘Franky Knight’ é em homenagem a François, afinal, I wrote some songs, they're all for you. There's nothing else that I can do ("Eu escrevi algumas canções, todas são para você. Não há nada mais que eu possa fazer”).

    Destaca-se que, apesar das letras carregadas de sentimentalismo, o álbum não é de todo melancólico. Exemplo disso é a romântica I Call It Love, cuja sonoridade em muito se assemelha a clássicos do Jazz dos anos 50 e embala os apreciadores da boa e velha música. Baby, can't you see how much you meant to me? I call it love! ("Querido, você não consegue ver o quanto significa para mim? Eu chamo isso de amor!").

    Na sequência, os ritmos experimentados em Holy Pool of Memories e Something More remontam aos primeiros trabalhos de Émilie. A primeira, belíssima, soa como uma descrição exata dos eventos que seguiram a morte de François, e se firma como o momento mais triste de todo o álbum. Em Something More, por sua vez, a mensagem passa a ser embargada por uma pequena esperança e pelo conformismo: I know there's something more. Tell me, why do I see you everywhere, every step that I take... ("Eu sei que há algo além. Diga-me, por que eu vejo você em todo lugar, a cada passo que eu dou?").

    Franky's Princess é o ápice do álbum, que considero ser um verdadeiro tributo ao amor. Foi essa a música que me levou às lágrimas, ainda que claramente seja a mais eletrônica. É aqui que se atinge o ponto de maior pessoalidade - Émilie se declara apaixonada a Franky/François e expõe sua luta contra a solidão, concluindo ainda ser "a princesa do Franky": I don't want you to go, I tried so hard, but I miss you so! Still your princess, still your princess ("Eu não quero que você se vá, eu tentei tanto, mas eu sinto a sua falta por demais! Ainda sou sua princesa").

    Em Walking With You se ouvem os vocais mais urgentes e as batidas mais apressadas do álbum, representando o momento em que a ingenuidade se esvai e a esta nova versão de Julieta caibam os restos dos momentos que se foram, mas que sempre povoarão os sonhos da Princesa do Franky.

    Émilie continua a empreender busca por novos públicos e, tal qual fez no excelente The Big Machine, não são muitas as canções em francês incluídas no 'Franky Knight', embora todas excelentes: Bel amour ("Belo Amor"), Sous Les Etoiles ("Sob As Estrelas") e o encerramento Jetaimejetaimejetaime ("Euteamoeuteamoeuteamo"). Há também a singela Les amants du même jour ("Os Amantes do Mesmo Dia"), instrumental.




    Franky Knight é, sem dúvidas, a mais bela e íntima expressão musical que se ouviu em 2011. Uma perfeita união entre as lembranças e os fatídicos sentimentos de um dos grandes expoentes artísticos deste novo século. Um realce afligente aos já magníficos contornos da discografia de Émilie Simon. 10/10
  • TOP 10 Álbuns de 2010

    Abr 24 2011, 14h34



    10. Voluspa, The Golden Filter

    Eletrônico, alternativo e experimental, este álbum de nome curioso une a uma voz fantasmagórica e ecoada diversos sintetizadores, sempre em tom intimista, gerando uma aura de mistério em torno de cada canção – o que se encaixa perfeitamente ao trabalho de arte da capa escolhida.

    Os sussurros e técnicas musicais remetem, em alguns momentos, ao estilo de Goldfrapp e IAMAMIWHOAIM, mas aqui são postos ainda mais em evidência, pelo uso extremado do experimentalismo. Fantástico!

    Favoritas: Dance Around the Fire, Hide Me, Solid Gold e Stardust.

    _


    9. Swanlights / Thank You For Your Love EP, Antony and the Johnsons

    Um trabalho aquém de qualquer dos albuns anteriores do Antony Hegarty, mas justificado se entendido como uma trilha-sonora do livro de fotografias e pensamentos lançado em conjunto a esta obra.

    O problema central em “Swanlights” foi a escolha de faixas, pois o EP lançado como prévia, “Thank You For Your Love”, introduziu bem um trabalho aparentemente muito mais interessante. As ausências de “My Lord My Love” e “You Are The Treasure” foram um erro grave, mas há de se atentar para a participação de Björk em “Flétta” e as influências rítmicas da mesma na faixa-título, além da voz incomparável e o tom de angústia que Antony possui. De todo modo, ouvi-lo [e sempre um momento de reflexão, uma experiência de autoconhecimento.

    Favoritas: My Lord My Love, Thank You For Your Love, You Are The Treasure e Flétta (feat. Björk).

    _


    8. Flesh Tone, Kelis

    R&B de qualidade, com a melhor “Intro” – grande desperdício, pois a faixa de longe seria forte candidata a single, se encarada como música em potencial – que já ouvi. “Flesh Tone” tem sequência non-stop e utiliza muito bem as variações do eletrônico em suas canções, tornando este o mais interessante trabalho da carreira da Kelis. Falha por dispor apenas de 9 faixas, uma vez que o potencial da artista é imenso e ela não desapontou seus ouvintes em quaisquer dos excessos cometidos no passado.

    Favoritas: Intro, Acapella, Home e Scream.

    _


    7. Philharmonics , Agnes Obel

    Estreia da dinamarquesa Agnes Obel, “Philharmonics” é um álbum essencialmente calmo, voz e piano, com melodias e letras bucólicas. A beleza, a solidão, a frigidez sentimental e o amor dubitável s]ao temas transmitidos com perfeição na voz suave de Obel, longe de qualquer tecnicidade ou batida eletrônica, tornando esse um item indispensável para quem curte o folk nórdico.

    Favoritas: On Powdered Ground, Close Watch, Riverside, Beast e Wallflower.

    _


    6. Soldier of Love, Sade

    I'm a soldier of love / every day and night / I'm soldier of Love / all the days of my life; assim como cantado no refrão da musica-título, é impossível desassociar a banda Sade ao romantismo e ao que há de melhor no jazz e soul. E na figura de Sade Adu, vocalista do grupo, que toda a sensualidade das composições ainda encontra a modelo e a grande porta-voz de voz aveludada, impecável mesmo após tantos anos afastada dos estúdios.

    O mesmo grupo que nos trouxe grandes sucessos como “Smooth Operator” (1984), “No Ordinary Love” (1992) e “By Your Side” (2000) fez em 2010 um retorno triunfal, e nada mais merecido que o sucesso de público e crítica alcançado.

    Favoritas: Soldier of Love, The Moon and the Sky, Long Hard Road, Morning Bird e Babyfather.

    _


    5. The Family Jewels, Marina & the Diamonds

    Com letras divertidas e inusuais, além de bastante sinceras, essa inglesa é uma das mais promissoras cantoras pop dos últimos anos! Acompanho-a desde sua indicação pelo BBC Sound of 2010, e não tive decepções.

    Trata-se de um pop crítico, cantado ao estilo de artistas como Amanda Palmer, porém mais voltado ao radio friendly. Eis alguém a se observar os próximos passos, e em quem um maior investimento no futuro poderá significar sucessos a nivel global. It's my problem if I feel the need to hide / it's my problem if I have no friends, and feel I want to die.

    Favoritas: Hollywood (Single Version), Are You Satisfied?, Obsessions, Hermit the Frog, Girls e Oh No!.

    _


    4. Head First, Goldfrapp

    Nostalgia! “Head First” é como uma viagem no tempo, um álbum que recupera e utiliza com precisão os ritmos e a estilística das canções dos anos 80, inserindo a estas as novas técnicas da musica eletrônica atual.

    Como sempre, o Goldfrapp investiu em um estilo novo ao seu ainda pouco extenso repertório – que já conta com um dos melhores álbuns de todos os tempos, “Seventh Tree”, de 2008 -, e agrada aos ouvidos de qualquer melomaníaco atento em todas suas faixas, inclusive a experimental “Voicething”.

    O album é curto - são pouco mais de 38 minutos divididos em nove faixas -, mas é uma experiência e tanto, em especial por conta da voz de Alison Goldfrapp, a mais relaxante e doce a que já tive o prazer de escutar.

    Favoritas: I Wanna Life, Rocket, Hunt, Dreaming e Alive.

    _


    3. Body Talk, Robyn

    Ambicioso projeto da sueca Robyn, que consistiu no lançamento de três EPs (pts. 1, 2 e 3) durante aquele ano, conforme ela gravasse suas novas composições, ate que, em conclusao, as mais bem-sucedidas fossem compiladas na versão final do álbum, liberada em novembro.

    Robyn produziu e trouxe a tona um pop feminino clássico, longe das obscenidades e apelações dos dias de hoje, bem como das técnicas de melhoria e “mecanização” vocal. Um material excelente e digno do Top 3.

    Favoritas: Indestructible (Acoustic Version), Fembot, Get Myself Together, Time Machine, Love Kills, None of Dem (feat. Röyksopp) e Dancehall Queen.
    Maiores sucessos: Dancing on My Own e Hang with Me.

    _


    2. Happiness, Hurts

    Última descoberta do ano de 2010, em sede de período natalino, e um dos quatro debuts da lista, “Happiness” foi mais que uma surpresa agradável! Se o que realmente importa na musica é a letra (como alguns defendem), este é o diferencial do trabalho deste duo, não obstante a crítica mais elogiá-lo pelo bom uso do estilo synthpop.

    Não aguarde por versos vanguardistas ou rebuscados, mas sim um discurso direto e poético, por vezes de desilusão, outras de súbita esperança e de desejo instintivo por um recomeço, havendo nos momentos mais melancólicos o ápice da obra. There's something in the water, I do not feel safe / It always feels like torture to be this close / I wish that I was stronger / I'd separate the waves / Not just let the water / Take me away.

    Favoritas: The Water, Silver Lining, Devotion (feat. Kylie Minogue), Evelyn e Sunday.

    _


    1. Michael, Michael Jackson

    Primeiro álbum póstumo de músicas inéditas do Michael Jackson, “Michael” conta em seu desfavor uma capa e um título pouco inspirados, o que talvez possa causar uma má primeira impressão; entretanto, é um compilação de excelentes gravações [infelizmente] inacabadas, mas de grandiosidade irrefutável.

    Polêmicas a parte, e com componente FÃ em caixa alta, este me parece o maior merecedor do título de ÁLBUM DO ANO, seja pelas preciosas baladas, ao melhor estilo do Rei do Pop, como “Much Too Soon” e “Best Of Joy”, seja pelas investidas up-tempo, como “Hollywood Tonight”, a que mais relembra o estilo arrasador nas pistas que o maior gênio da música criou no final dos anos 70 e passou a usar desde então. Trata-se de uma obra inesperadamente homogênea, o que só demonstra a regularidade e o nivelamento qualitativo dos seus trabalhos ao passar das décadas – as canções datam de 1982 a 2009.

    Os elementos não inseridos pelo próprio Jackson, de modo geral, prejudicaram as canções – e.g., a instrumental excessivamente ‘moderna’ de “Behind The Mask” e a junção de vozes em faixas como “Monster”, a qual, despropositalmente, também ganhou versos de 50 Cent. Contudo, há de se destacar, por exemplo, a belíssima nova introdução de “(I Like) The Way You Love Me”, sucesso nas rádios brasileiras após ser música-tema de romance no programa Big Brother Brasil 11, que traz uma inesperada gravação de voz do MJ explicando o arranjo música, preciosidade colhida na secretária eletrônica de Brad Buxer, engenheiro de som e amigo próximo do Rei.

    Favoritas: Hollywood Tonight, Best of Joy, Monster (feat. 50 Cent), Much Too Soon e Behind the Mask.