• Five years in a row

    Ago 14 2008, 22h31

    Delírios

    O arco-íris vibra intensamente
    Sobre a água que nutre a grama.
    A sonâmbula que quer comprar macarrão
    O sonâmbulo que quer jogar futebol
    O garotinho que se perde do rapaz.

    A foto que gera tanta vida
    Quanto a janela que emoldura a chuva.
    O jovem que quer conversar
    A jovem que não quer ouvir
    O rapaz que se perde de si próprio.

    A música que acalma o espírito
    E tranquiliza a triste solidão alegre.
    O moço que quer mudar
    A moça que não sei o que quer
    O inverno brada vigoroso
    Sobre a legião de blusas aconchegantes.


    Breno Trivellato, 2004



    Supernova

    Para lá o Sol iria, se não fosse perturbar
    Detrás do décimo terceiro planeta, e além
    Reza o infinito, mora o impossível
    Astros marchando, estão cabisbaixos
    Mas mantêm a imponência dos dias viris
    E cai a noite, e sobe o escuro, mais e mais
    Inatingível, me contenho em supernova

    No gélido interior das Estrelas tristes
    Em permanente combustão lacrimal
    Reside aquela que adora a sala de espera
    Doce e domada utopia dos corações selvagens
    Galáxias inteiras se renderiam aos seus choramingos
    Mas o vácuo faz barulho, atrapalhando o sussuro
    Supernova, supernova, você pode me ouvir?

    Mais forte e mais baixo, urra o Buraco Negro
    Tristeza não põe a mesa, desconfigura a cabeça
    A clareza só fica acesa se encontra a beleza
    Ventos invisíveis e ríspidos não dão perdão
    As pobres Estrelas, elas nunca aprendem
    Relaxadamente inseguras nos seus casulos de vidro
    Mas inconscientes do ser e do não ser extremo
    Calma e silenciosa, me envolvo na supernova

    E chegam à atmosfera, em bolas de fogo se dissipam
    As Estrelas, vem e vão, Astros petulantes
    A fusão, a fissão, poeira cósmica andarilha
    No nada absoluto, melancolia e megalomania
    Felicidade em garrafas marítimas, prazer e compaixão
    É tudo uma coisa só, e sempre, e talvez, entretanto
    E quando não é? Mergulha fundo o elemento fundamental
    Mas o pacífico universo à guerra torna, e vice-versa
    Filho pródigo, sigo contido em supernova


    Breno Trivellato, 2005




    Definição Confessa

    Tristeza é sentir o perfume da morte
    O aroma presumivelmente doce do ocaso final
    A fragrância indelicada dos sonhos esquisitos
    O cheiro forte daquele suicídio desproposital
    Aquele odor entorpecente da rotina mal-quista
    Arrasadora maré olfativa aos narizes dendríticos
    Magnânima na terra dos insossos e sem-graça

    Tristeza é buscar cambaleante pela luminária
    Como um cego solitário tateando a luz
    Aquela sempre distante luz no fim do túnel
    Ainda que longe, é notável e bela
    Mas permanece inalcançável, obtusa, vaga
    Tremulante no gris fortificado de minhas sinapses
    Soberana no reino da escuridão confusa

    Tristeza é, ainda, a reação à alegria
    Embate eterno entre emoções opostas
    Fenômeno intrínseco à dualidade humana
    Simplista em demasia sob a luz da razão
    Deveras complicado em termos de sensibilidade
    Lenta marcha a ré de todo um metabolismo
    Imponente sobre os desavisados e não adaptáveis

    Pesadelos incólumes atormentam o desalmado
    E a tristeza parasita suas vísceras descontentes
    Nunca mais aquela existência outrora vivida, vívida
    Quando as surpresas do futuro só engatilham o medo
    Apenas parecemos dirigir felizes ao olhar o retrovisor
    Valha-nos, bilhões de soldados, neurônios e litros de sangue
    Destronemos a influência corrupta deste sentimento vil

    Todavia, fui mais alegre do que sou triste.
    Cotovia, serei também mais alegre do que triste.


    Breno Trivellato, 2006



    Lamentos em Branco

    Nunca houve tempo tão duvidoso e desconfiado
    Mas persistem os sorrisos tortos e espontâneos
    Onde minhas palavras e pensamentos se voltam contra mim
    E a luz que guia o bem se avermelha no horizonte
    Distante horizonte onde os anjos brindam em paz
    A paz que os tolos anseiam e os sábios cultivam

    O poente colore o firmamento de laranja progressivo
    E felizmente tão belo céu não desabou sobre nossas cabeças
    Ainda assim me descuido e bato a cabeça em tal teto matizado
    Alto demais para passar despercebido
    Baixo demais para se fazer perceber
    Tão logo minha íris espelhe este momento único
    Farei o possível e o improvável para reter a divindade em mim

    Às vezes tudo parece uma chuva passageira outonal
    Outras, uma terrível geleira eterna siberiana
    Alguns adoram os lamentos das tardes vazias, vadias e solitárias
    Um punhado se rende ao conforto das reclamações convenientes
    Outros perseguem a evolução tendo a disciplina como braço direito
    E o bom-senso como sensei soberano

    Desta nossa vida ambígua, ora simplista ora complexa
    Muitas coisas apenas rebatem nas oscilações ressonantes da minha mente
    Limites e fronteiras perturbam as águas da minha calma lacustre
    Mas a pergunta escandalosa é: que infelicidade gera tal imposição?
    Uma construção a partir de erros sucessivos e nozes em falta
    Fundações preguiçosas, estrutura vacilante, aparência vergonhosa
    E o mar à vista pisca-pisca vermelho sangue miragem desértica

    Deixe a harmonia e a simpatia na linha de espera
    Apreciando a charmosa sinfonia das dúvidas e arrependimentos
    Mas atenda-as logo, desprovido da educação lustrosa do telemarketing
    E faça florescer palavras mais belas nas páginas em branco


    Breno Trivellato, 2007



    Revelação?

    Do mundo das trevas ressurgi, ofegante
    Plácido feito uma manhã enevoada de sábado
    Cada singela pedrinha do mundo fazia todo sentido
    As horas me transpassavam em câmera lenta
    Sentia milhares de megatons pressionando minhas vísceras
    Minha imagem mais nítida a cada tijolo quântico detonado
    Bati minhas asas e irrompi daquela velha pele gasta

    Destruída a muralha, construída minha ponte ectoplasmática
    Sonhos em trânsito constante, pesadelos que se consomem
    Turista nenhum se enfureceu com minha teimosia terrestre
    Toda uma era deixava o coma e contemplava o brilho
    O guia salvador, faísca educada e hospitaleira
    Promessas do fim das barreiras ditatoriais remissivas
    Antes sempre ocultas nas várias trincheiras mentais

    Levanto e luto contra tudo que me é externo e estranho
    Combatendo os homens que correm sobre as águas
    Que pensam mas nunca mergulham em suas próprias idéias
    Preferem abrigar suas frustrações e perdem o fôlego
    Descrentes do oxigênio, fogem pelas saídas de incêndio moral
    E assim nunca vislumbram o caminho das almas até o céu

    Este novo mundo é claro e preciso, objetivo e apaixonado
    Repleto de brilhos que ultrajam as demais cintilações
    E aqui se vive de maneira inadiável e irrecusável
    A consciência de que este segundo já se desperdiçou é soberana
    Ninguém anda de ré, ninguém enxerga de trás pra frente
    O êxtase dessa manhã perfeita que se anuncia é perpétuo
    E cada um tem seu próprio raio de luz conselheiro
    De cada um brota a singular fonte de seu íntimo
    Todos traçam seus caminhos baseados nas mensagens de tal fonte
    Todos segregam as mentiras e celebram as verdades inatas
    Não há motivos para guerras e desacatos
    O irrepreensível é não apreciar a linda paisagem

    Resolvi abolir toda a dicotomia dos meus conceitos
    E abraçar o novo e o velho como a um só


    Breno Trivellato, 2008
  • Listened

    Set 20 2007, 22h04

    Catálogo pessoal.

    ------------até 1998------------------------------------
    01 - Mamonas Assassinas -> Mamonas Assassinas (1995)
    02 - The Beatles -> The Red Album 1962-1966 (1973)
    03 - The Beatles -> The Blue Album 1967-1970 (1973)
    04 - Lô Borges -> Meus Momentos (1994)
    05 - Koji Kondo -> The Legend of Zelda: A Link To The Past (1991)
    06 - Yasunori Mitsuda -> Chrono Trigger Original Soundtrack (1995)
    07 - Steve Vai -> Fire Garden (1996)
    08 - The Verve -> Urban Hymns (1997)
    09 - The Smashing Pumpkins -> Mellon Collie And The Infinite Sadness (1995)
    ------------------------------------------------------

    ------------1999--------------------------------------
    01 - Radiohead -> The Bends (1995)
    02 - The Smashing Pumpkins -> Adore (1998)
    03 - The Smashing Pumpkins -> Siamese Dream (1993)
    04 - The Smashing Pumpkins -> Pisces Iscariot (1994)
    05 - Deep Purple -> Machine Head (1972)
    06 - Alice Cooper -> School's Out (1972)
    07 - Operation Ivy -> Energy (1991)
    08 - Pennywise -> Full Circle (1997)
    09 - Pennywise -> Straight Ahead (1999)
    10 - NOFX -> S&M Airlines (1989)
    11 - Blink 182 -> Enema of The State (1999)
    12 - Millencolin -> Life on a Plate (1995)
    13 - Rancid -> ...And Out Come The Wolves (1995)
    14 - Rancid -> Life Won't Wait (1998)
    15 - Joe Satriani -> Joe Satriani (1995)
    16 - The Offspring -> Americana (1998)
    17 - The Offspring -> Smash (1994)
    --------------------------------------------------------

    ------------2000--------------------------------------
    01 - Joe Satriani -> Flying in a Blue Dream (1989)
    02 - The Offspring -> Ixnay On The Hombre (1997)
    03 - The Smashing Pumpkins -> Machina - The Machines of God (2000)
    04 - Steve Vai -> Passion and Warfare (1990)
    05 - Alice in Chains -> Nothing Safe: Best on The Box (1999)
    06 - Live -> Secret Samadhi (1997)
    07 - Red Hot Chili Peppers -> Californication (1999)
    08 - The Smashing Pumpkins -> Machina II - The Friends And Enemies of Modern Music (2000)
    09 - Nobuo Uematsu -> Final Fantasy VIII Original Soundtrack (1999)
    ------------------------------------------------------

    ------------2001--------------------------------------
    01 - U2 -> The Best of 1980-1990 (1998)
    02 - Nobuo Uematsu -> Final Fantasy VII Original Soundtrack (1997)
    03 - Joe Satriani -> Crystal Planet (1998)
    04 - Dream Theater -> A Change of Seasons (1995)
    05 - Joe Satriani -> Surfing With The Alien (1987)
    06 - Steve Vai -> The Ultra Zone (1999)
    07 - Koji Kondo -> The Legend of Zelda: Ocarina of Time Original Soundtrack (1998)
    ------------------------------------------------------

    ------------2002--------------------------------------
    01 - Red Hot Chili Peppers -> Blood Sugar Sex Magik (1991)
    02 - The Smashing Pumpkins -> Gish (1991)
    03 - The Smashing Pumpkins -> Rotten Apples (2001)
    04 - The Smashing Pumpkins -> Judas O (2001)
    05 - Nobuo Uematsu -> Final Fantasy IX Original Soundtrack (2000)
    06 - Deep Purple -> Fireball (1971)
    07 - Nobuo Uematsu -> Final Fantasy VI Original Soundtrack (1994)
    08 - Dream Theater -> Falling Into Infinity (1997)
    09 - Steve Vai - Alien Love Secrets (1995)
    10 - Dream Theater -> Metropolis Pt.2: Scenes From a Memory (1999)
    11 - Dream Theater -> Awake (1994)
    12 - Red Hot Chili Peppers -> By The Way (2002)

    -------------------------------------------------------

    ------------2003--------------------------------------
    01 - Black Sabbath -> Paranoid (1970)
    02 - Black Sabbath -> Master of Reality (1971)
    03 - Pink Floyd -> Obscured By Clouds (1972)
    04 - Pink Floyd -> Music From The Film More (1969)
    05 - Pink Floyd -> The Dark Side of The Moon (1973)
    06 - Pink Floyd -> The Wall (1979)
    07 - Pink Floyd -> Is There Anybody Out There? (2000)
    08 - Pink Floyd -> Wish You Were Here (1975)
    09 - Pink Floyd -> Meddle (1971)
    10 - Pink Floyd -> Ummagumma (1969)
    11 - Pink Floyd -> Atom Heart Mother (1970)
    12 - Pink Floyd -> Animals (1977)
    13 - Pink Floyd -> A Saucerful of Secrets (1968)
    14 - Pink Floyd -> The Piper at The Gates of Dawn (1967)
    15 - The Smashing Pumpkins -> Earphoria (2002)
    16 - Zwan -> Mary Star of The Sea (2003)
    17 - The Smashing Pumpkins -> The Aeroplane Flies High(1996)
    18 - The Smashing Pumpkins -> Siamese Demos (1994)
    19 - Genesis -> Trespass (1970)
    20 - Genesis -> Nursery Cryme (1971)
    21 - Genesis -> Foxtrot (1972)
    22 - Genesis -> Genesis Live (1973)
    23 - Genesis -> Selling England By The Pound (1973)
    24 - Genesis -> The Lamb Lies Down on Broadway (1974)
    25 - System of a Down -> Toxicity (2001)
    26 - System of a Down -> System of a Down (1998)
    27 - System of a Down -> Steal This Album! (2002)
    28 - Billy Corgan -> Ransom Soundtrack (1996)
    29 - Radiohead -> OK Computer (1997)
    30 - Radiohead -> Pablo Honey (1993)
    31 - Steve Vai -> Alive in an Ultra World (2001)
    32 - The Smashing Pumpkins -> Machina Acoustic Demos (2000)
    -------------------------------------------------------

    -------------2004--------------------------------------
    01 - The Smashing Pumpkins -> Mashed Potatoes (1994)
    02 - The Smashing Pumpkins -> Live at Cabaret Metro 05/10/88 (2000)
    03 - The Smashing Pumpkins -> Adore Demos I (1998)
    04 - The Smashing Pumpkins -> Reel Time Studio Sessions (1989)
    05 - Zwan -> Djali Zwan live at Cafe de La Danse-08/02/2003 (2003)
    06 - Coldplay -> A Rush of Blood to The Head (2002)
    07 - Coldplay -> Parachutes (2000)
    08 - James Iha -> Let it Come Down (1998)
    09 - Melissa Auf Der Maur -> Auf Der Maur (2004)
    10 - The Mars Volta -> De-Loused in The Comatorium (2003)
    11 - Radiohead -> Kid A (2000)
    12 - Radiohead -> Amnesiac (2001)
    13 - Radiohead -> Hail To The Thief (2003)
    14 - Audioslave -> Audioslave (2002)
    15 - R.E.M. -> Automatic For The People (1992)
    16 - R.E.M. -> Out of Time (1991)
    17 - Nobuo Uematsu -> Final Fantasy V Original Soundtrack (1992)
    18 - My Bloody Valentine -> Loveless (1991)
    19 - The Beatles -> Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (1967)
    20 - The Beatles -> Magical Mystery Tour (1967)
    21 - John Frusciante -> Shadows Collide With People (2004)
    22 - John Frusciante -> To Record Only Water For Ten Days (2001)
    23 - Muse -> Absolution (2003)
    24 - Mogwai -> Rock Action (2001)
    25 - Mogwai -> Happy Songs For Happy People (2003)
    26 - Pearl Jam -> Ten (1991)
    27 - Pearl Jam -> Vs. (1993)
    28 - Snow Patrol -> Final Straw (2003)
    29 - The Cure -> Wish (1992)
    30 - Jimmy Chamberlin Complex -> Life Begins Again (2005)

    ------------2005--------------------------------------
    01 - A Perfect Circle -> Mer de Noms (2001)
    02 - Camel -> The Snow Goose (1975)
    03 - Billy Corgan & Mike Garson -> Stigmata Soundtrack (1999)
    04 - Muse -> Origin of Symmetry (2001)
    05 - Talking Heads -> 1977 (1977)
    06 - Talking Heads -> More Songs About Buildings and Food (1978)
    07 - Talking Heads -> Stop Making Sense (1984)
    08 - Foo Fighters -> There's Nothing Left to Lose (1999)
    09 - Foo Fighters -> The Colour and The Shape (1997)
    10 - Audioslave -> Out of Exile (2005)
    11 - Franz Ferdinand -> Franz Ferdinand (2004)
    12 - Mew -> Frengers (2003)
    13 - Mew -> Half The World is Watching Me (2000)
    14 - Mew -> A Triumph for a Man (1997)
    15 - Cursive -> Ugly Organ (2003)
    16 - Cursive -> Domestica (2000)
    17 - Billy Corgan -> TheFutureEmbrace (2005)
    18 - Mike Oldfield -> Tubular Bells (1973)
    19 - Mike Oldfield -> Amarok (1990)
    20 - Genesis -> A Trick of The Tail (1976)
    21 - Genesis -> Wind & Wuthering (1977)
    22 - Genesis -> From Genesis To Revelation (1969)
    23 - Genesis -> Seconds Out (1977)
    24 - System of a Down -> Mezmerize (2005)
    -------------------------------------------------------

    -----------2006----------------------------------------
    01 - King Crimson -> In The Court of The Crimson King (1969)
    02 - King Crimson -> In The Wake of Poseidon (1970)
    03 - Coldplay -> X & Y (2005)
    04 - Camel -> Moonmadness (1976)
    05 - Camel -> Mirage (1974)
    06 - Camel -> Camel (1973)
    07 - Camel -> Breathless (1978)
    08 - Camel -> Rain Dances (1977)
    09 - Camel -> I Can See Your House From Here (1979)
    10 - Mew -> ...And The Glass Handed Kites (2005)
    11 - Camel -> A Live Record (1978)
    12 - Camel -> The Single Factor (1982)
    13 - Muse -> Hullabaloo Soundtrack (2002)
    14 - Muse -> Showbiz (1999)
    15 - Muse -> Black Holes and Revelations (2006)
    16 - Oceansize -> Effloresce (2003)
    17 - Oceansize -> Size of an Ocean (2004)
    18 - Oceansize -> Everyone Into Position (2005)
    19 - Oceansize -> Music For Nurses EP (2004)
    20 - Thom Yorke -> The Eraser (2006)
    21 - David Gilmour -> On an Island (2006)
    22 - David Gilmour -> About Face (1984)
    23 - David Gilmour -> David Gilmour (1978)
    24 - Spock's Beard -> The Kindness of Strangers (1998)
    25 - Spock's Beard -> Beware of Darkness (1996)
    26 - Spock's Beard -> V (2000)
    27 - Muse -> Absolution Tour (Live at Glastonbury 2004) (2005)
    -------------------------------------------------------

    --------------2007-------------------------------------
    01 - Porcupine Tree -> In Absentia (2002)
    02 - Porcupine Tree -> The Sky Moves Sideways (1995)
    03 - Koji Kondo -> The Legend of Zelda: Majora's Mask Original Soundtrack (2000)
    03 - Built to Spill -> Perfect From Now On (1997)
    04 - Built to Spill -> Keep it Like a Secret (1999)
    05 - Built to Spill -> There's Nothing Wrong With Love (1994)
    06 - Pineapple Thief -> Variations on a Dream (2003)
    07 - Pineapple Thief -> 137 (2001)
    08 - Pineapple Thief -> 8 Days (2003)
    09 - Pineapple Thief -> Abducting the Unicorn (1999)
    10 - The Smashing Pumpkins -> Zeitgeist (2007)
    11 - The Smashing Pumpkins -> Adore Demos II (1998)
    12 - Built to Spill -> You in Reverse (2006)
    13 - Built to Spill -> Ancient Melodies of The Future (2001)
    14 - Built to Spill -> Ultimate Alternative Wavers (1993)
    15 - Univers Zero -> 1313 (1977)
    16 - Univers Zero -> Heresie (1979)
    17 - Univers Zero -> Ceux Du Dehors (1981)
    18 - King Crimson -> Red (1974)
    19 - King Crimson -> Starless and Bible Black (1974)
    20 - King Crimson -> Larks' Tongues in Aspic (1973)
    21 - Oceansize -> Frames (2007)
    22 - Audioslave -> Revelations (2006)
    23 - Porcupine Tree -> Deadwing (2005)
    24 - Porcupine Tree -> Fear of a Blank Planet (2007)
    25 - Porcupine Tree -> Nil Recurring EP (2007)
    26 - Radiohead -> In Rainbows (2007)
    27 - A Perfect Circle -> Thirteenth Step (2003)

    --------------------------------------------------------

    -------------------2008---------------------------------
    01 - The Smashing Pumpkins -> American Gothic EP (2008)
    02 - Pineapple Thief -> What We Have Sown (2007)
    03 - Pineapple Thief -> Little Man (2006)
    04 - Pineapple Thief -> Live 2003 (2003)
    05 - Red Hot Chili Peppers -> Stadium Arcadium (2006)
    06 - Nobuo Uematsu -> Final Fantasy X Original Soundtrack (2001)
    07 - Sigur Rós -> Takk... (2005)
    08 - Sigur Rós -> Ágætis Byrjun (1999)
    09 - Elbow -> Asleep in The Back (2001)
    10 - Elbow -> Cast of Thousands (2003)
    11 - Elbow -> Leaders of The Free World (2005)
    12 - Elbow -> The Seldom Seen Kid (2008)
    13 - Yes -> Relayer (1974)
    14 - Yes -> Close to The Edge (1972)
    15 - Yes -> Fragile (1971)
    16 - Pineapple Thief -> Tightly Unwound (2008)
    17 - Aereogramme -> My Heart Has a Wish That You Would Not Go (2007)
    18 - Aereogramme -> Sleep and Release (2003)
    19 - Aereogramme -> A Story in White (2001)
    20 - Mike Oldfield -> Hergest Ridge (1974)
    21 - Mike Oldfield -> Platinum (1979)
    22 - Mike Oldfield -> Tubular Bells II (1992)
    23 - Coldplay -> Viva La Vida or Death and All His Friends (2008)
    24 - King Crimson -> Lizard (1970)
    25 - King Crimson -> Islands (1971)
    26 - King Crimson -> Earthbound (1972)
    27 - King Crimson -> USA (1975)
    28 - King Crimson -> A Young Person's Guide To King Crimson (1976)
    29 - Porcupine Tree -> We Lost The Skyline (2008)
    30 - Porcupine Tree -> Signify (1996)
    31 - Porcupine Tree -> Insignificance (1996)
    32 - Porcupine Tree -> Coma Divine [Recorded Live in Rome] (1997)
    33 - Mahavishnu Orchestra -> The Inner Mounting Flame (1971)
    34 - Mahavisnhu Orchestra -> Birds of Fire (1973)
    35 - Uriah Heep -> ...Very 'eavy... Very 'umble (1970)
    36 - Uriah Heep -> Salisbury (1971)
    37 - Uriah Heep -> Demons and Wizards (1972)
    38 - Uriah Heep -> Sweet Freedom (1973)
    39 - Live -> The Distance To Here (1999)
    40 - Santana -> Caravanserai (1972)
    41 -

    Contagem dos corpos: 234
  • A Worm in Paradise (My personal Zeitgeist)

    Jul 28 2007, 7h25

    Insignificantemente gigante próximo daqueles que amo, mas de que me adianta viver afastado? Retomo a barca do inferno certo da minha desconfiança por Caronte, e o fétido Aqueronte provoca náuseas mentais a ponto de me fazer lacrimejar. Ainda não meditei o suficiente para alcançar os Elísios, mas este pedaço da Terra e seus humanos já me bastam. E sobram. Mesmo que eu seja desprovido de sentidos e de sensibilidade e de sobrevisão e de vontade, esforço-me. E caio. E levanto timidamente. E me esgueiro por entre a multidão. Minha lábia é a camuflagem, feito camaleão me escondo. Mas cá estou, confortável e de saída, mais uma vez. O saldo é positivo mas as conquistas são pequenas, à primeira vista. Minha memória é boa demais pra erradicar a nostalgia e o vazio do futuro, para enfim preenchê-lo sem os "poréns" e "entretantos" dos vinte e nada anos. Banquemos o forte masoquista e embarquemos rumo a Cerberus novamente. Com fé, um dia ele se torna um belo e amável Husky Siberiano. Enquanto isso não ocorre, amanhã morre mais uma minhoca no paraíso e surge mais uma triste raposa no purgatório superpopuloso.

    Com vocês, o Espírito do meu Tempo presente.
    (Ou ainda, o Espírito do meu tempo, presente!)
  • I of the mourning

    Jul 2 2006, 18h30

    No ônibus que transporta a seleção brasileira na Alemanha, lê-se: "Veículo monitorado por 180 milhões de corações brasileiros". Em inglês e portugês. Pena que os mais ou menos 50 corações que tripulavam o tal ônibus batiam descompassados, sob o ritmo alegre do samba movido à arrogância. Posturas como "já vencemos", "somos os melhores", "não tem pra ninguém", "estamos certos", e blá-blá-blá eram recorrentes nos sorrisos e na seriedade de quem desembarcava do veículo rumo ao estádio de Frankfurt, em cena semelhante à já vista em Berlim, depois em Munique, e por duas vezes em Dortmund. Aquela é a seleção brasileira, a badalada miríade de craques, famosa pelos títulos que já venceu, inúmeros, e pelo marketing que a circula. Atual campeã de basicamente todos os torneios, com jogadores que são destaques em seus clubes. A maior do planeta, a máquina de jogar futebol. Favoritíssima mais uma vez a erguer a taça e quebrar uma pancada de recordes, o que consagraria uma geração mais que vencedora, brilhante. Aliás, tão brilhante quanto a geração de 82, que ficou devendo títulos mas impressionou o mundo, e a de 70, que impressionou o mundo do mesmo jeito e ganhou os títulos. Enfim, todo o palco está montado para a seleção fazer história e entrar pra ela, mas todo mundo quis comemorar antes de terminar o serviço. Mesmo um time impressionante não ganha nada só através da fama e do potencial, do marketing e do apoio. É necessário empenho, garra, atitude, raça, humildade, vontade de vencer, gana e amor à camisa, e nesses ítens o Brasil ficou devendo, e muito. Não dá pra ficar falando que o time é bom, que se der espaço pra ele jogar toma gol, não dá pra ficar fazendo apenas micagens em treinos e não suar em prol de um objetivo.
    "A seleção brasileira não foi a seleção brasileira neste mundial", o Kaká acertou nessa sua declaração, apesar da constatação ser óbvia. Era muito mais uma versão futebolística canarinha dos famosos Harlem Globetrotters, time de basquete norte-americano que não disputa jogos oficiais, apenas faz exibições de talento e habilidade em jogos de mentirinha. E foi o que se viu na Alemanha, um bando de craques se exibindo pra torcida, mas não de maneira prática e objetiva durante as partidas, mas sim de maneira descontraída nos treinos. Pra quê treinar ou se concentrar e se motivar para os jogos, se tudo se resolve positivamente em campo, né?
    Mas o futebol não é assim. Aliás, nunca foi. E o resultado? A França entrando em campo, lado a lado com os brasileiros, no dia 1º de Julho, cantando a Marselhesa a plenos pulmões, transpirando vontade e determinação aliadas ao talento que restou aos já bem experientes jogadores franceses. E tal talento dá e sobra para Zinedine Zidane reinar em campo, tomando posse do meio de campo já na primeira metade do primeiro tempo. Com isso, seus fiéis ajudantes Patrick Vieira e Makelele têm liberdade pra fazer o que lhes foi designado, Malouda e Ribery podem avançar perigosamente pelas pontas saem desguarnecer a defesa, Henry pode assustar os 180 milhões de corações brasileiros no ataque. Porque Thuram e seus companheiros de defesa têm domínio absoluto lá atrás, tanto que Fabian Barthez não tem preocupações no decorrer da partida. Ronaldinho Gaúcho esboça ameaça jogar algo, mas se esconde por trás da faixa da Nike em que se enxerga um "R" inscrito que segura sua cabeleira. Ronaldo, o "atacante de peso" em ambos os sentidos, não se movimenta. Cafu e Roberto Carlos parecem piadas laterais, pois os lances bisonhos que que fazem não sugerem outra coisa. Kaká desceu a ladeira durante a Copa, e não parece se recuperar nesse jogo. Gilberto Silva perde os duelos com Zidane, e Juninho se intimida frente aos seus súditos da França. A defesa brasileira, quem diria, é o que nos salva de um desastre já prenunciado. E acaba o primeiro tempo.
    Vem o segundo tempo, Ronaldinho tirou a faixa, parece que não vai se esconder mais. Na cabeça de todos, imagina-se que o Parreira deu uma dura no time, pediu mais fervor em campo, e que o time vai voltar mais agressivo. Mas não, os problemas perduram. Aliás, como perduraram contra a Croácia e a Austrália, e foram levemente mascarados contra a fragilidade japonesa e a ingenuidade ganesa. Mas agora do outro lado têm o Zidane inspiradíssimo como em poucas oportunidades nos últimos anos. Cafu faz uma falta na lateral, Zidane cobra, cruzando na área. Três brasileiros acompanham cinco franceses, era óbvio que Henry apareceria totalmente livre a 1,5m do gol, pra simplesmente empurrar o cruzamento pro gol e sair pro abraço. Culpa de quem? Da falta de treino que acarretou o erro infantil de marcação? Do Dida, que não saiu pra pegar a bola na pequena área? Do Roberto Carlos, que resolveu ajeitar o meião justamente nessa hora? De quem?
    Mas bem, tomamos um gol. Talvez seja esse o tapa na cara que o time precisava pra acordar. Falta ainda meia hora de jogo, dá tempo. Mas o tempo passa, e a França é que perde oportunidades. O Brasil nem chuta a gol, assiste comodamente ao jogo francês, ainda regido por Zidane. Passa o tempo, e nada de vontade, nada de responsabilidade, nada de nada. Só se reconhece o Brasil em campo pelo amarelo intenso das camisas. Aos 40 e tanto do segundo tempo, Ronaldo dá o primeiro chute que chega de fato ao gol, mas leva tanto perigo que quase pode se sentir um bocejo esnobe do Barthez, enquanto cai pra espalmar a bola. O Parreira muda tarde, muda errado, permanece estático no banco. Ai que saudade do Felipão vibrante! Porque alguém tem que vibrar, não é possível. E, com o apito final, vibram os franceses, de quem viramos fregueses. E os jogadores brasileiros?? Abatidos, decepcionados? Se estão, escondem muito bem! Brasil 0x1 França, somos eliminados. Allez Le Bleus, Allez Le Bleus...
    E nada de fazer história, nada de brilhar, muito menos de encantar o mundo. Uma geração incrível se despede manchando a própria história com uma campanha pífia, a despeito do quinto lugar. Não serão lembrados nem pelo título ou pelo jogo de encher os olhos, apenas pelo descaso para com o maior torneio de futebol do mundo e apatia para com a própria profissão. E não serão mais monitorados pelos 180 milhões de corações brasileiros.


  • And everything just feels like rain

    Jun 23 2006, 3h16

    Escrever me faz organizar melhor as coisas, os pensamentos. É como se eu me materializasse fora de mim pra estabelecer uma discussão comigo mesmo. Faço isso o tempo todo, em mente, encarnando outras pessoas. Mas notei que escrever torna tudo mais claro. Isso é um motivo pra o que escrevo aqui, já que insito em precisar de um para tal.
    Vou fazer provas semana que vem, como tudo mais que fiz esse semestre: me virando pra achar coelhos de minha cartola limitada durante a prova, estudando de maneira burra nas vésperas. A duas semanas do término do semestre, já não dá pra salvá-lo em termos de aprendizado, vou ter que correr atrás a partir de agosto. Trabalhoso, mas não impossível. Mas ainda dá pra passar nas matérias, o que espero fazer, para o bem da escolha da grande área. Difícil, mas não impossível.
    O fato é que errei feio de estratégia para a vida acadêmica. Em plena Copa do Mundo, me permito uma metáfora futebolística: entrei com time pra enfrentar uma Angola desmotivada, e topei com um Brasil inspirado. A goleada foi grande, saio de campo envergonhado. Meu ataque não foi eficiente ao ponto de me proporcionar os resultados esperados, em grande parte porque o meio-campo não trabalhou as informações recebidas, e a defesa deixou vazar todos os 'petardos' que os professores disparavam. E não foram poucos: o Toscano e sua habilidade matemática quase inacreditável desnorteou fácil seus marcadores com seu sotaque recifense e a revolução incrível que é o Cálculo Diferencial e Integral na Matemática; a Maria Lúcia, subestimada pela sua risada de Coringa, postura corcunda e dificuldades em soltar a voz, proporcionou belos lances provando e demonstrando até os axiomas mais básicos da Álgebra Linear; o Hitoshi surpreendeu o goleiro, que não tinha grandes conhecimentos em programação, e deu uma de artilheiro levando a torcida a pensar racionalmente como um computador, e não com a influência emocional do ser humano; o Delson não fez grande partida e tem talento duvidoso, o que nos faz perguntar se o Desenho Geométrico é de fato uma jogada tão complexa e difícil ou se a catástrofe que causou na área adversária não foi pela sua mal-fadada execução...; o Hercílio, revelação da Química proveniente de Maceió, até fez uma bela partida, mas fica em segundo plano pela importância e relevância duvidosa da sua posição de atuação no ciclo básico, pois a Química Tecnológica Geral me parece mais cabível, nesse grau de profundidade, a jogos futuros desse torneio politécnico, quem sabe pra quem se envereda pela chave da Química, pois acho que para a calourada seus lances são bem mais do que o necessário; o Walmir Chitta tem a habilidade dos poucos que dominam desde mecânica clássica a mecânica quântica, passando pela relativística, e sua atuação só não foi mais aguda porque nesse ponto me surpreendi com os meus titulares, já que eles parecem ter aprendido mais do que parecia com os jogos colegiais e o Torneio Objetivo do ano passado; sobrou o André, mas sua introdução para Engenharia é jogada mais básica do primeiro semestre de jogo, não requer empenho especial para sobrepujar suas jogadas. E, com esses sete mais a apatia demonstrada pelo meu time, perdemos. tá bom, a metáfora virou alegoria, mas é que tenho saudades de quando as humanas também entravam em campo... hehehe.
    Fato também que não só minha estratégia se mostrou falha durante o semestre, mas também nem ela eu consegui executar direito. Esse negócio de ir do céu para o quase inferno em seis meses não é brincadeira. Esse, com toda a certeza, foi o semestre mais antitético que já vivi. Janeiro e fevereiro foram êxtase puro, março foi desastroso, abril teve uma semana de paz e o resto foi penoso, como maio, e junho vem sendo esquisito, meio etéreo e intocável, no sentido de inatingível mesmo. Soma-se a isso a falta de concentração, as metas mal definidas por desconhecimento de percurso, o orgulho elevado, rebaixado e ferido, as inconstâncias de humor e as emoções não-reconfortantes, a insociabilidade, a nostalgia e a saudade até do passado imediato... enfim, temos meu primeiro semestre. Que, apesar de tudo, não foi ruim, mantenhamos o otimismo.
    Espero aprender com isso. Como aprendi com a reprovação no vestibular e dei a volta por cima. Que julho seja de reflexão, e agosto de prática. Que eu tenha maleabilidade o suficiente pra me adequar à nova realidade de maneira mais aprazível. Que eu consiga abdicar de alguns poucos prazeres que nutro aqui em São Paulo pra me dedicar mais e obter maior destaque, pois principalmente no começo o trabalho deverá ser árduo. Tomara que depois as coisas fluam com maior naturalidade. Que eu pare de bancar o ator de mil personagens e me defina logo por um papel (ou sou mesmo uma auto-variante caricata de mim mesmo para cada pessoa???). Que eu fique mais acessível e que eu mantenha apenas os bons lados da introspectividade (ok, já é muita exigência pra algo que demanda mais tempo e paciência pra se melhorar...).
    Agora, férias são tudo que eu quero. E Mineiros, e amigos, e família, e tempo, e vida. Coisas que tenho que me apegar também aqui em São Paulo, mas eu não me afino com o padrão paulistano. Quando acho que estou pegando o jeito, o micro-universo de 2005 se expande, e eu perco o pouco que conquistei naquele ano pelas distâncias e divergências da vida. Sou um mutante de adaptação lenta, é fato. Mas se tenho consciência disso, um passo já foi dado. Existirá o macro-universo?? Ou este é intermitente, já que a expansão nunca se finda??
    E basta de perguntas. Vou tentar resolver meu EP 4.

    "We mutilate the meanings, so they're easy to deny"
  • Where am I sailing?

    Jun 9 2006, 22h34

    A vida é bela e o azul puro do céu é lindo. Mas isso não impede que às vezes a vida acorde mal-humorada, ou que o cinza invada o firmamento. (Ainda assim, o céu permanece lindo). Enfim, o vai-e-volta acontece sempre, é preciso se acostumar com altos e baixos. Reconheço, é difícil, até por quê os altos são de imenso prazer, e os baixos de profunda desolação, mas é dessas distinções que a adaptação se faz necessária.
    A verdade é que a Poli é uma destruidora de egos de primeira. É uma baita escola, sim. O conteúdo que vemos lá é fantástico, claro. Os professores ficam o tempo todo esperando rendimento de 100% de nós, pobres alunos, sempre aplicando os exemplos mais difíceis, aqueles que à primeira vista você pensa: "Meu Deus, como um dia vou enxergar isso?". Mas é justo que façam isso, afinal, estamos numa das melhores escolas de Engenharia da América Latina. Não dá pra levar de barriga, não mesmo. Ainda assim... é estranho você se acostumar a ir relativamente bem nos estudos, entrar numa USP da vida, comemorar tal aprovação, e depois só tomar tapa na cara. É como inflar um balão e depois ir murchando-o sadicamente. Não que eu esteja decepcionado com o curso!! Não, de jeito nenhum! Onde mais eu me aprofundaria tanto em exatas, aprenderia a pensar como as grandes mentes que criaram todo aquele conhecimento, ou pelo menos estudaria o pensamento delas. O curso nunca me desmotivou. O problema é mais comigo mesmo, não fui capaz de me adaptar com a agilidade necessária ao curso, por isso a surra. Outros se saíram bem melhor que eu nesse quesito, por isso saíram ilesos. Esse é o grande problema, a grande decepção, e o porquê desse semestre estar sendo tão complicado. Minha culpa, minha máxima culpa. Agora que o ego da boa aprovação foi obliterado, engulo meu orgulho e fico ainda mais alheio do que o normal na sala. Isso por quê já sou introspectivo por natureza, e fico ainda mais quando acho que as coisas não vão bem. Talvez por isso eu ainda esteja tão fora da integração da classe, já em junho.
    Outro problema, que chega talvez a ser uma qualidade. Nunca vou ser o típico engenheiro exatóide, aficcionado por números e tudo mais. Adoro engenharia, amo física, matemática é interessante pra caramba... mas ainda assim, história, geografia e literatura também são baitas disciplinas. Eu gostaria de me adentrar no campo de conhecimento delas, ao contrário de muitos lá da Poli que têm nojo por tais matérias. Isso me afasta do típico homem-exato, e acho isso bom, é um caminho mais do meio. E falar apenas sobre teoremas e axiomas é tão empolgante quanto falar com revolucionários conspiracionistas e utópicos das humanas. Nada de extremismos, ainda bem que sou assim... senão teria que me forçar a mudar.
    É... segundo o teste vocacional do Mapcom (não bem um teste de vocação, mas sim um desses testes científicos que traçam seu perfil profissional) revelou que tenho problemas com comunicação e delegação. Por outro lado, sou apto à liderança, faço bons planejamentos a longo prazo (pra Poli, o prazo foi curto.), tenho ótima afetividade e bom cultivo da auto-imagem. Não lembro de mais tópicos, o relatório de resultados tem umas oito páginas e uns dezessei quesitos, e eu ainda nem o li completamente. Mas como é um teste aplicado a profissionais já formados pra caracterização do perfil do trabalhador e tem uma metodologia bem aplicada, presumo que os resultados sejam confiáveis. Lê-lo-ei com mais cuidado, hehehe.
    E as férias vem aí. Finalmente um pouco de vida social e esportiva em Mineiros. E a Copa começou hoje, maratona futebolística pra mim nas próximas semanas. E a P3 vem aí, preciso de notas, logo preciso estudar sério. O segundo semestre vem aí, prometendo melhores horizontes, apesar do depoimento de todos que ele é bem mais difícil que o primeiro. E o Camel é uma p*** banda!! Estou escutando o disco homônimo agora, faixa Never Let Go, muito bonita! E ando também redescobrindo o Mellon Collie, pois estou escutando ele na versão alternativa que saiu pra vinil, disco triplo! São duas músicas a mais que no cd, e a ordem é totalmente mudada. Excepcional!
    Saudades da família mineirense, dos amigos goianos e paulistanos afastados, vocês fizeram falta nesse semestre complicado. E ainda bem que tenho a família paulistana aqui, senão a complicação seria cem vezes pior.

    Valeu.
  • Assumptions, tastes and relativity

    Jan 27 2006, 4h26

    Insinuei aqui mesmo, anteriormente, que gostar de progressivo é ter um pouco mais de maturidade musical do que quem desgosta do estilo, ou ainda fica indiferente a ele. Baseei essa minha afirmativa na complexidade do progressivo, no nível de concentração que ele exige do ouvinte, na proximidade que o estilo estabeleceu entre o rock e o erudito, passando pelo virtuosismo e o apreço pelas composições. Sim, perfeito. Para mim, tudo perfeito, é isso mesmo.
    Mas, entretanto, vem uma colega minha e brinca que sou imaturo por ainda não gostar muito dos três últimos trabalhos do Radiohead (pra mim, o "art rock" do Thom York combinou de maneira não muito eficaz o seu já famoso "alto-astral" com esquisitices . O resultado não me é tão agradável quanto um The Bends ou OK Computer. Mas encerremos já esse parêntese já longo demais), e do fugazi (nada contra. Ouvi pouco, e não dei mais atenção porque me pareceu punk demais, e cultivei um pré-pós-conceito nada agradável a respeito do punk, ultimamente). Posso vir a gostar de ambos num futuro nem muito distante, nem muito próximo... ou posso manter minha opinião... sei lá.
    O ponto é: quem é imaturo? Quem está certo? Não se pode responder tais perguntas isento de pessoalidade, relevando gostos musicais e preferências, experiências de vida e pensamentos. Então, é relativo. Parabéns Einstein, essa está longe de ser sua teoria da Relatividade, mas nesse caso tudo também é relativo. Não há verdade absoluta nesse quesito musical, é tudo muito subjetivo. No final, acaba sendo o que me toca contra o que toca os outros. Se for a mesma coisa, temos um consenso. Se divergir, temos a individualidade. Então, "imaturidade musical" não existe sem um padrão. Como o padrão também não existe, fica impossível qualquer determinação de qual gosto é superior, sem recorrer a totalitarismos e afins.

    Conclusão: "imaturidade musical" é o não-ser. E o não-se não é, segundo Parmênides. Mas segundo Heráclito, tudo flui, então o não-ser é um estado passageiro. Aí vem o Empédocles e sintetiza tudo: o não-ser não é, mas também flui, sem danificar sua estabilidade. E a confusão está instaurada. Ok, ok... brincadeira de muito mal gosto esse último parágrafo. Mas o resto foi sério, juro.


    (mas escutem progressivo, mesmo que isso não signifique ser maduro. É por que é bom mesmo!)
  • Many sides of someone I recognize

    Dez 17 2005, 16h42

    E deu vontade de escrever sobre um monte de coisas. Nada muito atual, nada muito pessoal, tudo mais universal. De um tempo em que eu possuía mais cultura geral do que tenho agora. Não sei se é possível retroceder em termos culturais, mas sem exercitar você obviamente perde a profundidade em muitas questões. Esse tempo todo como vestibulando (que espero estar terminando agora!) fez com que eu apurasse conhecimentos acerca do programa da Fuvest, mas ao mesmo tempo relegou ao segundo plano os conhecimentos gerais. Quando eu estava no terceiro ano, sabia muito mais sobre filosofia, sociologia e artes, em geral. Conhecimento este que propiciou a melhor redação da minha vida, na minha opinião, naquele segundo simulado do ENA, no terceirão. Posso ter melhorado meu vocabulário e progredido na forma e na técnica de redação hoje, mas em termos de texto, aquele foi o supra-sumo. Então, se eu queria uma introdução, já a tenho. O mais legal é ver que eu ainda concordo plenamente com tais opiniões, o que pode indicar duas coisas: ou não mudei muito (duvido) ou as colocações têm um certo sentido (acho mais razoável essa). Aí vai.

    Sobre a morte, e o medo dela >>: Fatalidades como a morte são muito piores para quem convive com elas do que para quem as vive. Pois quem convive tem que aprender a viver com a ausência do amigo, parente ou inimigo que morreu. Mas quem se foi não tem preocupação alguma, pois já não vive mais.

    Sobre injustiça, e sua origem >>: A injustiça tende a ser uma característica inata do ser humano, visto que a razão de cada um é determinada por sua própria experiência. Visões unilaterais fatalmente resultam em injustiça.

    Sobre a tão proclamada complexidade do mundo, a incessante busca pela perfeição, e uma pitada de cultura oriental >>: O mundo é tão simples quanto parece ser, pois é perfeito. A verdadeira complexidade está na mente humana. Ela só é complexa porque não alcançou ainda a perfeição total.

    Sobre a mulher, e os preconceitos que a rondam ou rondavam >>: A mulher é incompleta sim, mas sob o modo de ver o mundo do homem. Como são diferentes, no que diz respeito a complexidade da mente, um sexo vê o que falta no outro sob o seu próprio prisma. Pois, na verdade, ninguém é totalmente completo. (Obs.: infelizmente.)

    Sobre poesia, talvez uma poética própria >>: A poesia é a marca da imperfeição, pois retrata os vazios de seu autor. E se há vazios, há imperfeições. (Notar que vazio nem sempre é pejorativo, algo negativo)

    Sobre propulsores da humanidade e, talvez, a gênese da superstição >>: O desejo, a imaginação, a vontade, talvez sejam alguns dos maiores trunfos da humanidade. É isso que move interesses e ações. É tão poderoso que temos medo e nos repreendemos quando pensamos em situações que não fazem parte dos nossos planos. (Obs.: Aberta a contestações, aberta a constatações...)

    Sobre o imortal debate filosófico racionalismo X empirismo >>: Não se entende nada através da razão ou da sensação: estas duas vertentes são apenas o nosso modo de reagir ao mundo. Quando nos tornamos um com a realidade, quando nos elevamos ao seu patamar, é que podemos tomar ações em relação às coisas.

    Algo comum na filosofia oriental, mas que parece exercer influência fundamental em mim >>: O caminho do meio é sempre melhor que os caminhos dos extremos.

    Sobre sociedade, e mudanças >>: Se as pessoas agem conforme uma consciência coletiva, o método de impôr mudanças em ritmo lento, tendo em vista a adaptabilidade das pessoas a tais mudanças, está fadado ao fracasso. Essas alterações só dão resultados a longo prazo, e a vida do povo é curta. Assim, ele se sente lesado por iniciar as mudanças e não aproveitá-las Por tudo isso, é bem provável que o método mais eficaz de impôr mudanças seja o da Revolução rápida. A não ser que se altere o egocentrismo de cada um.

    Último. Sobre mim mesmo, e comportamento social. Rápido e rasteiro >>: Já que não sei como me aproximar, eu me afasto.


    Goodnight, always, to all that's pure that´s in your heart.











  • Lyrics and lyricists

    Dez 10 2005, 0h13

    Pense um pouco nas letras do Billy Corgan, e verá o quão lírico ele é. Aqui estou eu, escutando This Time... essa música é um ótimo exemplo do lirismo metafórico e ambíguo do sr. Corgan. Trata, com maestria, de um rompimento, sem perder o jogo de cintura pra cair numa "fossa" ou numa "dor de cotovelo". Não, sem todas essas pieguices, faz um jogo de metáforas lindo, chegando a uma hermeticidade surreal em certos versos. A ambiguidade vem da história: por estar no último álbum dos Pumpkins, Machina, o rompimento de This Time pode ser levado ao plano físico da banda, ou às próprias experiências amorosas do Billy. For Martha, homenagem póstuma a sua mãe, é outra bela canção, belas letras. In The Arms of Sleep é uma canção de declaração e desejo, singela e doce, sem ser brega, de modo algum. Temos Heavy Metal Machine e Cherub Rock, canções irônicas de protesto dirigido à indústria fonográfica, Here Is No Why e X.Y.U. do lado das existencialistas-agressivas e Thirty-Three e Crestfallen do lado das existencialistas-calmas.
    Enfim, letras corganianas mantém um belo nível. O careca escreve muito bem.
    Do lado mais épico da moeda, em questão de letras de rock, temos Peter Gabriel como excelente exemplo. The Return of Giant Hogweed, White Mountain, Get 'em Out by Friday, dentre outras, são músicas narrativas de ótima qualidade, invocando como plano de ocorrência tanto a ficção científica quanto a fantasia. Supper's Ready é um épico mitológico-bíblico. Harold The Barrel segue a linha das narrativas trágicas cotidianas, recheadas de humor apesar da tragicidade. E, impossível não mencionar, temos o The Lamb Lies Down on Broadway, épico conceitual do existencialismo, abordado de maneira surrealista. É a fusão das tendências do século passado!
    Dos mais atuais, Thom Yorke do Radiohead é um cara sempre lembrado. De fato, é inquestionável a capacidade dele de escrever músicas melancólicas, carregadas, dolorosas... usaria a palavra depressiva se eu tivesse um mínimo de apreço por tal vocábulo. Um OK Computer, repleto daquela atmosfera pesada, neurose e trá-lá-lá, realmente não é pra qualquer um. O The Bends até que é mais alegrinho, sem perder no quesito qualidade lírica. Agora, não sei se é porque a esquisitice pós-OK Computer não me agrada muito, mas a a temática não varia muito. Apenas intensifica a dor, pois How to Disappear Completely, apesar de bonita, é triste de doer. Algumas 2+2=5 surgem, mas no geral...
    Kurt Cobain?? Não me venha com piadas! O músico e letrista mais superestimado da década de 90. No fundo, não passa de medíocre. Kurt está para os anos 90 como Jim Morrison está para a década de 60. O rei Lagarto podia até ser proclamado poeta, mas sua qualidade como tal, ahhh, deixa muito a desejar. São casos de homens que, depois de uma morte trágica e traumática, viram mitos, muito mais do que realmente foram. Eddie Vedder, amigo do Cobain, tem seus momentos. Mas não passa disso.
    Por outro lado, ainda, temos Roger Waters. Outro letrista formidável, dono de um lirismo genial também, mas de um jeito diferente daquele do Billy Corgan. Waters é mais engajado sócio-politicamente. Vide Animals e The Final Cut. Mas a sua varredura da alma humana também passa longe de deixar a desejar. Dark Side of The Moon e The Wall que o digam. Ele aborda loucura, megalomania, corrupção, e tudo mais que se possa imaginar, inerente ao homem. E ainda, tudo com aquela refinada e brilhante dose de sarcasmo, típica do humor britânico.

    Mais letristas lembrarei, e aqui escreverei. (rima pobre e safada, mas tudo bem. Não é pra eternidade)
  • Gold Label

    Nov 12 2005, 22h16

    Por muito tempo, fiquei perambulando musicalmente, ouvindo coisas aqui e ali, sem nunca me definir em alguma "tribo". Aliás, acho tal definição totalmente desnecessária, todos deveriam gostar de boa música, do que lhes agrada, não de um rótulo, apenas. Porém, sob o risco de descambar para outra direção que não a previamente estabelecida, voltemos ao tópico.
    Comecei ouvindo rock do começo. Bem, não da gênese de tudo, com o blues e jazz rock dos negros americanos! (Sim! O rock tem raízes negras!!). Comecei do começo de tudo como ouvimos hoje, com os Beatles, os pais de todo e qualquer segmento do rock moderno. Belo começo.

    Lá pelos meus treze anos, gostei de punk por uns três meses. E sem desrespeito ao punk, reconheço sua importância e até ouço de vez em quando, mas essa simplicidade rebelde as vezes me irrita (música de atitude?? E que música não é atitude? Me pergunto qual o significado disso, até hoje... qualquer banda falsamente e precariamente "politizada" reivindica tal "atitude". Mas enfim...). Essa constância e previsibilidade, mesmo inconscientemente, contribuiu para o meu enjôo um tanto quanto rápido desse segmento. Hoje, até gosto de algumas bandas com pequenas influências punk. Aquelas "punk mas nem tanto".

    Agora, o progressivo... não é fácil falar dele. Muitos dizem que é a parte mais ambiciosa, mais intelectualizada do rock, por suas influências clássicas, composições atonais e em progressão, obras épicas, detalhadas e complexas. Mas isso é o que dizem, e isso nem sempre é importante. O que de fato importa, é ouvir e gostar do que se ouve. E é isso que não é fácil. Eu, que cresci ouvindo progressivo, pois meu pai cultua o estilo de longa data, demorei bastante para cair na real e digerir os sons do Pink Floyd (o progressivo mais acessível), Genesis, Camel, King Crimson (bem, essa ainda não digeri por completo), Yes (preciso ouvir mais, conheço pouco), e por aí vai...

    O progressivo exige do ouvinte. Não é o tipo de música que você ouve pela primeira vez e já adora. Muito pelo contrário. Escute prog-rock desinteressado e impacientemente, sem prestar atenção, e você com certeza não vai gostar. Agora, escute com atenção, imerso no clima musical e... você vai continuar não gostando, no máximo vai achar estranho. Agora, repita o processo de escutar atenciosamente, e lá pela quinta ou sexta vez, você vai gostar. Senão, desista do estilo, realmente não é a sua praia, ou ainda, você deu azar na escolha (se for o caso, pegue qualquer álbum do Pink Floyd entre 70 e 79, ou do Genesis entre 70 e 77 que não tem erro!). Depois desse difícil processo de "digestão musical", o que vem é sempre lucro. Prepare-se para um mundo de descobertas infinitas, sons inusitados e ricos, beleza sem fim. É muito difícil enjoar de uma obra progressiva, afinal tem tanto para ser ouvido ali, que você sempre descobre novas nuances na música. Isso quando o álbum não é conceitual, uma ópera-rock, pois aí o mistério e as interpretações vão além. Johnny Rotten não sabia o que estava fazendo quando usou aquela camiseta onde lia-se "Eu odeio Pink Floyd!" Pobre alma, gritando "Anarchy in the UK" mundo afora... será que ele pelo menos sabe quem foi Bakunin? Não ponho minha mão fogo por isso!

    Frustrante é a solidão do progressivo. Não, não vou discorrer agora sobre o lado existencial de tudo, apenas deixo claro que é muuuuuuiiiitttooo difícil encontrar fãs de rock progressivo com a minha idade, gente de mais ou menos vinte anos. Mesmo numa grande cidade como São Paulo, é bem raro, nunca encontrei ninguém. Tá bom que o gênero não é fácil, e também existem coisas espetaculares hoje e sempre que não são progressivas, mas será que é tão difícil atinar para a beleza assim? Apesar de parecer extremamente presunçoso e pretensioso, cogito a possibilidade de que falta impaciência e um quêzinho de maturidade musical pra se gostar de progressivo. Gaahhh, me coloquei como o "Sr. Maturidade" agora, credo... . É claro que isso só se comprovará se essa massa que hoje gosta de Ramones e seus três acordes um dia apreciar um "Selling England By The Pound". Não tenho grandes esperanças. Então, talvez não seja imaturidade musical, e sim pura falta de compreensão para com o gênero. Azar de quem não ouve.