Biografia

O Yo La Tengo é uma das bandas que menos possui o reconhecimento que merecia ter na história recente do rock alternativo. Sua trajetória, que ocupa boa parte da década de 80 e daí em diante, é recheada de excelentes discos, boa reputação perante à crítica e respeito em geral no meio musical, além da rara integridade e consistência em sua obra que remete a outros grandes nomes como o Sonic Youth e R.E.M… Apesar do que isso tudo possa sugerir, o Yo La Tengo não goza de nenhuma grande massa de fãs e nem costuma figurar em listas de mais ouvidos/vendidos ou de prêmios. O Yo La Tengo passa sempre a idéia daquela banda mais tímida, avessa aos holofotes, que se dá por satisfeita em gravar seus discos e saber que estes sempre serão bem recebidos e comemorados por aqueles poucos que acompanham fielmente a sua carreira. Não conta com o apoio da mídia e muito menos o alvoroço de um grande público, mas a reputação que o grupo possui dentro da comunidade indie rock mundial é uma das mais sólidas e respeitáveis.

O núcleo da banda é formado pelo casal Ira Kaplan e Georgia Hubley. Ira e Georgia se conheceram no meio musical (ela era baterista e ele crítico musical que escrevia para algumas renomadas publicações de New York, além de ser guitarrista nas horas vagas) de Hoboken, pequena cidade americana localizada em New Jersey. Casaram-se e, em 1984, formaram o Yo La Tengo. O nome escolhido é uma frase em espanhol que significa “eu a tenho” ou “eu a peguei”, costumazmente proferida em jogos de baseball.

Para completar o line-up da banda, Ira e Georgia fizeram anúncios em busca de músicos que compartilhassem com eles o gosto por Soft Boys, Mission of Burma e Love. Após a passagem de alguns baixistas e guitarristas pela banda, o Yo La Tengo firmou-se com o guitarrista Dave Schramm e o baixista Mike Lewis. Essa formação lançou em 1985 o single “The River of Water”, que possuia um cover para a canção “A House is not a Motel” do Love. Em 1986 é lançado o primeiro LP, chamado “Ride the Tiger”. O disco saiu pelos selos Coyote e Twin Tone e foi produzido por Clint Conley, baixista do Mission of Burma. “Ride the Tiger” tem primordialmente influências de Byrds e R.E.M., e foi muito bem recebido por aqueles que já conheciam o Yo La Tengo pelas suas muitas apresentações no Maxwell’s, em Hoboken, onde a banda já havia conquistado um certo reconhecimento.

Logo após o debut do Yo La Tengo ter sido lançado, Mike e Dave deixaram a banda. Ira assumiu a guitarra principal e Stephen Wichnewski ganhou o posto de baixista. Como um trio, o Yo La Tengo lançou seu segundo disco em 1987, “New Wave Hot Dogs”. Para esse segundo trabalho, a banda gravou um cover de outra de suas principais influências: “It’s Alright (The Way that You Live)”, do Velvet Underground. A influência que a banda de Lou Reed exercia sobre o Yo La Tengo iria se tornar a partir daí cada vez mais perceptível. “New Wave Hot Dogs” foi produzido pelos próprios Ira e Georgia.

Dois anos depois o Yo La Tengo lançou o terceiro disco, chamado “President Yo La Tengo”. Este trabalho possui como baixista Gene Holder, uma vez que Stephen Wichnewski também deixara o Yo La Tengo. Gene também assina a produção do disco. “President Yo La Tengo” é visto por muitos como um dos melhores discos do Yo La Tengo, e também como um dos mais mais marcantes para a consolidação da banda. O disco possui como destaque principal as duas versões de “The Evil That Man Do”, uma das melhores composições de Ira.

Para “Fakebook”, de 1990, a banda contou com os reforços de um segundo baixista, Al Greller, e da volta do guitarrista Dave Schramm. Dave, que havia deixado a banda após a gravação do debut “Ride the Tiger”, fundou o Schramms ao lado de Al antes de voltar para o Yo La Tengo. Gene Holder foi novamente o responsável pela produção, e também tocou o baixo de algumas faixas. “Fakebook” é uma homenagem do Yo La Tengo a algumas das bandas que serviram de influência ao conjunto, e que fazem parte da coleção de discos de Ira Kaplan. O disco é uma inspiradíssima jornada acústica de versões folk-pop para canções de gente consagrada como The Kinks, Gene Clark, Cat Stevens, Flamin’ Grooves e John Cale, além de outros ilustres desconhecidos como Rex Garvin and the Mighty Cravers, The Scorts e The Scene is Now. “Fakebook” possui ainda algumas versões originais, regravações e b-sides de canções antigas do próprio Yo La Tengo, além da participação do vocalista Peter Stampfel.

Em 1991, destacarm-se a participação da banda na trilha sonora do filme “A Matter of Degrees” de W. T. Morgan, com a música “Something To Do”, e o lançamento do EP “That is Yo La Tengo” (ambos produzidos por Gene Holder, que também é o autor dos baixos). Logo após o lançamento do EP, nova mudança no line-up: saíram novamente Al, Dave e Gene para a entrada do baixista James McNew (ex-Christmas), com Ira assumindo novamente as guitarras.

Já em 1992 sai um novo disco, chamado “May I Sing With Me”, novamente muito bem recebido pelo público e pela crítica. O novo line-up, que gravou o quinto disco da banda, pode ser considerado o definitivo do Yo La Tengo. Outra novidade importante é que pela primeira vez Georgia participa de maneira mais efetiva nos vocais do disco, e não mais somente nos backing-vocals, como acontecia antes. Definitivamente estabalecida em termos de formação e composição, nesse disco o Yo La Tengo faz um laboratório com todas as suas facetas mostradas ao público em seus 4 discos anteriores: “May I Sing With Me” mescla a melodia e a delicadeza dos discos mais recentes com as overdoses de guitarra e garagem dos primeiros discos, se aproximando assim cada vez mais do indie pop perfeito. A produção fica novamente a cargo de Gene Holder.

1993 começa com a banda participando de duas compilações: “Delicacy & Nourishment: Lyrics by Ernest Noyes Bookings, volume 3” e “This is Art 2x7”. E logo depois, para coroar o grande momento que a banda vivia, veio o contrato com a Matador Records. O primeiro trabalho pelo novo selo é o disco “Painful”, que saiu em outubro de 1993. Produzido por Roger Moutenot e Fred Brockman, “Painful” repete a fórmula de “May I Sing With Me”, mas seguindo a rotina de estar sempre evoluindo e desenvolvendo sua música, o Yo La Tengo adiciona elementos que enriquecem e instituem novas texturas em seu som. “Painful” soa mais envolvente e com mais destaque as linhas e riffs de guitarra, aproximando assim o grupo dos famosos shoegazers, como eram chamados na época conjuntos como o My Bloody Valentine.

O “indie-dream-pop” que a banda apresenta em seu novo disco tem seu ponto alto em faixas como “Big Day Coming” (novamente em duas versões, uma primeira guiada por teclados atmosféricos e uma segunda infestada de guitarras) e nas melódicas e de riffs perfeitos “Double Dare” e “I Was The Fool Beside You For Too Long”. Outros grandes momentos estão em “I Heard You Looking” (que nos remete a Jesus and Mary Chain) e nas belas “Nowhere Near” e “A Worrying Thing”.

Em 1995, Ira Kaplan participou de apresentações do recém criado Foo Fighters e logo depois completou os trabalhos de gravação de um novo disco do Yo La Tengo. Precedendo este lançamento, saiu o single “Tom Courtenay” em abril. Em maio, veio então o sétimo trabalho de estúdio: “Electr-O-Pura”, produzido novamente por Roger Moutenot. O novo álbum traz músicas mais bem-acabadas e experimentais, com ecos de Sonic Youth em canções como “Blue Line Swinger” e “Flying Lesson”, mas sempre com a marca característica do Yo La Tengo no que diz respeito às composições e melodias que servem de base para o desfile de guitarras e “viagens” ao longo do disco. Essa “marca Yo La Tengo” sobressai-se em canções excelentes como “My Heart’s Reflection”, “Pablo and Andrea” e “Decora”. Melodias hipnóticas, riffs sublimes, microfonias e atmosferas conduzidas por mais um trabalho de guitarras magistral fazem “Electr-O-Pura” figurar ao lado de “Painful” como os melhores trabalhos do grupo e juntos levam o Yo La Tengo a figurar ao lado de nomes como R.E.M., Teenage Fanclub e Sonic Youth no panteão das maiores bandas da história do rock alternativo. “Electr-O-Pura” também levou a banda a ganhar certa notoriedade na Europa, fato que culmina em uma grande apresentação em Londres. Em setembro, a banda lança um EP chamado “Camp Yo La Tengo”, contendo 4 faixas: duas novas versões para canções do disco “Electr-O-Pura” e duas inéditas. E, ainda em 1995, mais uma participação em trilha sonora, dessa vez para o filme “Amateur”, de Hal Hartley, ao lado de nomes como Pavement, The Jesus Lizard, PJ Harvey, Liz Phair e My Bloody Valentine.

1996 foi um ano movimentado: participaram do filme “I Shot Andy Warhol” fazendo o papel de Velvet Underground (também participam da trilha sonora com a música “Demons”, ao lado de nomes como Neil Young, Tom Jobim, Jewel, R.E.M., Luna, Love, John Sebastian, Pavement, Blue Cheer, Bob Dylan e MC5) e lançaram a coletânea dupla “Genius + Love = Yo La Tengo”. Esta coletênea consiste de b-sides, músicas lançadas em singles e trilhas sonoras e faixas raras, sendo que o segundo disco é inteiramente instrumental. E também em 1996 a Matador Records relança os discos “President Yo La Tengo” e “New Wave Hot Dogs” (esses dois lançados em uma edição única) e o disco de estréia “Ride the Tiger”. Para fechar o ano, foi lançado o EP “Autumn Sweater”, que, além da música título, possui 3 diferentes remixes, sendo um deles feito pelo pessoal do Tortoise junto com o guitarrista David Pajo (Slint, Papa M, Zwan).

Em 1997, um novo disco de estúdio: “I Can Hear the Heart Beating as One”. O Yo La Tengo não deixa a peteca cair e constrói mais um disco espetacular, que possui mais algumas doses de experimentalismo e psicodelia, caracterizando assim um disco um pouco menos acessível, mas novamente muito bem recebido e elogiado. A produção é mais uma vez tarefa de Roger Moutenot. Em outubro de 1998, a banda lançou um split disc chamado “Strange But True” ao lado de Jad Fair.

Em 2000, novo LP: “And Then Nothing Turned Itself Inside-Out”. Nesse disco, o Yo La Tengo muda de maneira um pouco mais sensível o direcionamento de sua sonoridade, e o resultado é um punhado de canções mais tranquilas e intimistas, equilibrando bem climas românticos e outros um pouco mais sombrios. As guitarras estão mais contidas, mas as melodias e composições continuam esbanjando talento e criatividade. Destacam-se canções como “Everyday”, “Night Falls on Hoboken”, “Tears Are in Your Eyes” e “Our Way to Fall”. Uma nova turnê européia acontece, e novamente o ponto alto desta é uma apresentação com ingressos completamente esgotados em Londres, no Royal Festival Hall. Ainda em 2000, no mês de novembro, aconteceu o lançamento do EP “Danelectro”. Este disco consiste de 3 músicas inéditas do Yo La Tengo chamadas simplesmente de “Danelectro 1”, “Danelectro 2” e “Danelectro 3”, além de 3 remixes para cada uma dessas, feitas por artistas diferentes.

Em novembro de 2002 saiu um single chamado “Nuclear War”, com 4 versões da clássica canção de mesmo nome da banda Sun Ra. Em dezembro, a banda lançou um mini-disc chamado “Merry Christmas from Yo La Tengo”, que traz o Yo La Tengo tocando canções tradicionais de natal. O fim do ano de 2002 também marca o lançamento do novo site da banda (www.yolatengo.com).

No primeiro semestre de 2003, o trio volta com um novo disco. “Summer Sun” é quase uma continuação de “And Then Nothing Turned Itself Inside-Out” e recebe boas críticas e boa recepção dos fãs. O álbum fecha com um belíssimo cover para “Take Care” de Alex Chilton (Big Star), cantada de maneira sublime por Georgia.

Fonte: whiplash.net
Por Fabrício Boppré e Natalia Vale Asari

Editado por [usuário excluído] em Mai 2 2009, 14h36

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