The Walkabouts

Biografia

Durante estes onze anos, os Walkabouts têm desenvolvido uma folk music profundamente humana, muito além de toda a superficialidade americana: música para e sobre as pessoas. Música que mescla a vida, o poder dos cantores de gospel e folk, os antigos compositores americanos e o punk britânico.
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Quando Chris Eckman e Carla Torgerson se encontram pela primeira vez, em 1983, Eckman toca canções dos Buzzcocks, com a sua guitarra eléctrica, enquanto Torgerson, toca guitarra acústica, dominado pela folk. Ao longo da história da banda, este contraste sempre caracterizou os Walkabouts, embora o alcance da expressão musical tenha crescido. Os Walkabouts estão agora longe de serem os designados folkrockers dos primeiros tempos.

Após dois álbuns gravados para a Virgin Records, Devil’s Road e Nighttown, ambas as partes não atingem um acordo satisfatório, no que respeita ao futuro da banda e quebram o contrato. Sem animosidades, sem arrependimentos, mas também sem evolução, o passo seguinte é óbvio, quer por motivos emocionais, quer racionais, ou seja, encontrar uma nova editora. O convite para efectuarem múltiplos álbuns, bem como projectos paralelos vem da Glitterhouse Records, com quem continuam a trabalhar.

See Beautiful Rattlesnake Gardens, o álbum de estreia da banda, foi recebido entusiasticamente pela imprensa, apesar de algumas insuficiências sonoras. A banda, porém, não parecia ajustar-se ao panorama musical que dominava Seattle, uma vez que o punk de garagem, o metal e o provincialismo americano acabavam de gerar um bastardo chamado grunge, que escolhe para representante a editora Sub Pop, a mesma dos Walkabouts. A Sub Pop passa a ser uma espécie de editora oficial do grunge, negligenciando os Walkabouts, e caracterizando-os, algo desdenhosamente, como “uma banda não grunge”.

Entre 1989 e 1991, os Walkabouts (Chris Eckman e Carla Torgerson, acompanhados de Grant Eckman na bateria, Michael Wells no baixo e Glenn Slater nas teclas), lançam Cataract e Scavenger, bem como o EP Rag And Bone (actualmente disponíves num único CD).

Antes de deixaram a Sub Pop, em 1992, partem em tourné com temas como Camper Van Beethoven e Verlaines, e a Sub Pop Europe aproveita ainda para lançar New West Motel (1993), Satisfied Mind (1993), Setting The Woods On Fire (1994), To Hell And Back (1994), e a compilação Death Valley Days - Lost Songs And Rarities, 1985 – 1995, que posiciona os Walkabouts no topo do mercado independente europeu.

New West Motel aparece com sonoridades na esteira de Neil Young e Satisfied Mind revela um novo lado dos Walkabouts: versões algo desconhecidas, executadas, principalmente, com instrumentos acústicos, e interpretadas em conjunto com numerosos amigos.

Setting The Woods On Fire denota as habilidades da banda para novas realizações no género da música pop: baladas tristes e escuras revezam-se com canções intrusas, e prescrevem o desenvolvimento da indie-folk na pop urbana.

À medida que se envolvem no panorama internacional, as suas canções transformam-se em autênticos hinos urbanos de crepúsculo. A sensação melancólica da realidade conduz a banda a uma consistência profunda.

Devil’s Road e Nighttown tocam as pessoas pelas suas características de música de câmara, bem como pela sua engenhosa organização dos instrumentos de cordas. A cooperação com a Warsaw Philharmonics, em Devil’s Road, provoca grande agitação e as actuações ao vivo atingem momentos triunfais.

Nighttown refina esta nova tendência da música dos Walkabouts, alimentando já o nascimento de Trail Of Stars, numa espécie de perseguição fascinante pelo desenvolvimento recursivo, o que deixa as canções respirarem de um modo mais profundo. Em cada nota, este álbum eleva as habilidades expressivas da banda e controla, disciplinadamente, a música no seu melhor.

Tudo é um pouco melhor, um pouco mais surpreendente. A bateria de Terri Moeller é acentuada por ritmos jazzísticos e fragmentos electrónicos harmoniosos. Fred Chalenor abandona as suas habilidades rítmicas e, apoiando-se em experiências passadas com John Zorn e outros, recria interpretações tangíveis a um máximo sensível. Phil Brown regista e co-produz o álbum. O seu talento morno e os seus arranjos explicam o segredo de cada nota: é um reflexo evidente do seu trabalho com os Talk Talk, (nos últimos dois álbuns, Spirit Of Eden e Laughing Stock), com Mark Hollis e Kristin Hersh, entre outros.

Os Walkabouts acabam de ver lançada, no mercado português, uma edição limitada do álbum Train Leaves at Eight, com versões de Jacques Brel, José Mário Branco, dEUS, Neu!, François Breut, Ivano Fossati, entre outros, numa interessante homenagem à música europeia.

Editado por nardobarrini em Nov 8 2007, 12h15

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