Adam Green e Kimya Dawson conheceram-se numa loja de discos em Nova Iorque e passado alguns meses já partilhavam o palco com os “The Strokes”. Os 19 temas do seu álbum homónimo parecem tocados em casa, na garagem, no corredor, ou em qualquer outra divisão (vulgo “lo-fi”?). Sem grandes arranjos (ou até “completamente desarranjadas”) são acima de tudo melodias simples, com princípio meio e fim, despidas de artifícios mirabolantes. Duetos descomprometidos, onde duas personagens cúmplices parecem dizer tudo aquilo que lhes apetece, sem preocupações líricas.

Amigos ou algo mais? Nunca saberemos. Porém, versos como “I wake up in the morning / put on my yellow shirt / I get a bite to eat / I go to work” transformam-se em verdadeiras canções e três acordes de guitarra, aparentemente desafinados, acabam por fazer sentido.

Em “Downloading porn with davo” e “NYC’s like a graveyard” piscam o olho a outros casais famosos como Meg e Jack White (“The White Stripes”) e VV e Hotel (“The Kills”). No final, a “Goodbye Song” parece ter sempre existido a encerrar todos os discos. Adam Green pode nunca ter aprendido a cantar e Kimya Dawson pode já não gostar dele mas sabemos que um final assim vale sempre a pena relembrar. “Say goodbye / I won’t cry / Old friend, see you again…”(JN)

Editado por brazzalle em Jun 29 2008, 0h04

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