Biografia

The KLF

Bill Drummond e Jimi Cauty aplicaram as táticas de choque-terrorismo punk ao acid house do final dos anos 80 e se tornaram uma das bandas britânicas de maior vendagem até se aposentarem em 1992, quando a dupla então destruiu todo o seu catálogo e declararou que não gravariam outro álbum até que a paz fosse declarada em todo o mundo.



KLF Contra a Indústria Musical
Uma breve biografia do Kopyright Liberation Front
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Mais do que qualquer banda pop na história, o KLF saqueou a indústria musical e se deu bem ? como nos mostra o seu próprio guia para criação de singles de sucesso, “The Manual”. Bill Drummond e Jimi Cauty aplicaram as táticas de choque-terrorismo punk ao acid house do final dos anos 80 e se tornaram uma das bandas britânicas de maior vendagem (gravando também como The JAMs e The Timelords) até se aposentarem em 1992, quando a dupla então destruiu todo o seu catálogo ? uma perda em potencial de milhões de libras ? e declararam que não gravariam outro álbum até que a paz fosse declarada em todo o mundo.

Filho de um pastor escocês, Bill Drummond (nascido em 29 de abril de 1953 na África do Sul) fugiu de casa para se tornar um pescador, antes de se matricular em uma escola de arte de Liverpool no final dos anos 70. Ele se envolveu com a cena punk local, e em 1977 formou uma banda punk de curta existência, Big Japan, com Holly Johnson (mais tarde membro do Frankie Goes to Hollywood) e Ian Broudie (The Lightning Seeds). Um ano mais tarde, Drummond ajudou a fundar o selo Zoo (com Dave Balfe), atuando como empresário e produtor do Teardrop Explodes e do Echo & The Bunnymen no começo dos anos 80. Após ambas as bandas deixarem a Zoo para assinarem com grandes gravadoras, Drummond fez o mesmo e entrou para a WEA como empresário; lá ele assinou as bandas Strawberry Switchblade, Zodiac Mindwarp, The Proclaimers e Brilliant. Abandonou a carreira em 1986 e lançou, um ano depois, um álbum solo (The Man, pela Creation Records. O álbum foi uma despedida satírica da música, dando voz à esperança de Drummond de nunca mais se envolver com a indústria novamente.

Com apenas seis meses de sua aposentadoria, Drummond decidiu fazer um disco de hip-hop. Chamou um velho amigo, Jimi Cauty, da banda Brilliant, para ajudá-lo com a produção e a parte tecnológica. Uma semana depois, a dupla ? batizada The Justified Ancients of Mu Mu, ou The JAMs ? gravou “All You Need Is Love”, uma colagem lotada de samples. O single, lançado em maio, foi seguido um mês depois pelo álbum de estréia dos JAMs ? 1987 (What The Fuck Is Going On?) ? que continuou com a pirataria sônica, com longas passagens roubadas dos Beatles, Led Zeppelin e ABBA, entre outros. Naturalmente, o ABBA se opôs à sampleagem, e em setembro a Sociedade de Proteção ao Copyright (CPS) exigiu que todas as cópias do disco fossem recolhidas e destruídas. Ao invés disso, Drummond e Cauty viajaram para a Suécia, na esperança de que um encontro pessoal com o ABBA pudesse resolver a situação. Impedidos de entrar no estúdio da banda em Estocolmo, a dupla decidiu voltar para a Inglaterra, parando apenas para queimar 500 cópias de 1987 em um campo sueco. (O incidente foi fotografado e serviu de capa para a coletânea History Of The JAMs.) Cauty e Drummond, no entanto, mantiveram o álbum sob os holofotes, ao anunciar na revista The Face a venda de cinco cópias remanescentes pelo preço de 1.000 libras cada. Por fim, conseguiram vender três, deram um de graça, e ficaram com o último. Em outubro de 1987, os JAMs lançaram uma versão editada do disco chamada 1987 (The JAMs 45 Edits), com instruções específicas sobre como recriar a versão original de 1987 em casa.

Um segundo álbum, Who Killed The JAMs?, apareceu em 1988, mas foi substituído pelo lançamento em maio de “Doctorin’ The Tardis” (gravado como The Timelords). Incorporando samples de Gary Glitter, Sweet e o tema de Dr. Who, o single atingiu o topo das paradas britânicas e se tornou um dos hinos esportivos mais populares de todos os tempos. Em seis meses, “Doctorin’ The Tardis” foi incluída em duas coletâneas dos JAMs, a americana History Of The JAMs, a.k.a. The Timelords, e o LP duplo inglês Circa 1987: Shag Times. Seis meses depois, Cauty e Drummond reuniram seus conhecimentos sobre sucesso popular e a indústria musical e publicaram The Manual, com uma declaração de objetivos incluída no subtítulo: “How to have a number one the easy way ? The Justified Ancients of Mu Mu reveal their zenarchistic method used in making the unthinkable happen.”

O segundo single inovador de Cauty e Drummond, “Kylie Said To Jason” (já creditado ao KLF, sigla para Kopyright Liberation Front ), se mostrou um fracasso em julho de 1989, fazendo a dupla mudar seu rumo ainda naquele ano. Descartando as batidas típicas de seus trabalhos anteriores, mas mantendo os samples e efeitos, os dois tiveram um papel fundamental no desenvolvimento do boom da música ambiente dos anos 90. Cauty e Drummond gravaram então o clássico álbum Chill Out no final de 1989, mixando o material original de dois aparelhos DAT em um gravador cassete, durante uma sessão ao vivo. Simultaneamente a Chill Out, Cauty havia formado outro precursor do ambient house, The Orb, com Dr. Alex Paterson. A dupla gravou “A Huge Ever Growing Pulsating Brain That Rules From The Centre Of The Ultraworld”, além de material suficiente para um álbum, mas se separou logo no início de 1990 ? com Paterson ficando com o nome para suas futuras gravações. Cauty então apagou as contribuições de Paterson, substituiu com material gravado por ele próprio, e relançou o resultado, creditado apenas como Space.

Obviamente, as gravações ambient do KLF não iriam atingir o topo das paradas. Então, mais tarde, em 1990, Cauty e Drummond se voltaram à acid house e fizeram o maior sucesso de suas carreiras. O single “What Time Is Love?” ? o primeiro volume do que veio a ser conhecido como a Stadium House Trilogy ? atingiu o 5º lugar nas paradas de singles da Inglaterra em agosto de 1990. “3 A.M. Eternal” atingiu o 1º lugar em janeiro de 1991, e o LP The White Room ficou em primeiro nas paradas de álbuns logo após seu lançamento em março. O último single da trilogia, “Last Train To Trancentral” também entrou para o Top 10. O sucesso do KLF atingiu toda a Europa durante 1991, e até os Estados Unidos a partir de setembro, levando “3 A.M. Eternal” ao 5º lugar e The White Room ao Top 40 das paradas de álbums. O single “America: What Time Is Love”, lançado apenas nos EUA, atingiu o número 57 em novembro, e no começo de 1992 “Justified And Ancient” ? a surpreendente colaboração entre o KLF e a rainha do country Tammy Wynette ? quase entrou para o Top 10 americano. Cauty e Drummond, a melhor história de vendagens de singles no mundo em 1991, estavam à beira de se tornarem superstars.

No entanto, a dupla tinha outros planos em mente. Eleito o melhor grupo britânico pela BPI e pelo Brit Awards, o KLF foi escalado para se apresentar na cerimônia de entrega dos prêmios em Londres, em 13 de fevereiro de 1992. Cauty e Drummond apareceram, mas chocaram a audiência formal com uma versão trash/hardcore de “3 A.M. Eternal” (apresentando-se com a banda Extreme Noise Terror), cuja performance incluía Drummond atirando no público com um rifle automático e balas de festim e o seguinte anúncio: “O KLF acaba de abandonar a indústria musical.” Superando as suas ações já extremas, Cauty e Drummond deixaram a carcaça de uma ovelha morta ? além de 30 litros de sangue ? no lobby do hotel onde acontecia a cerimônia. A reação da indústria e da imprensa foi fortemente negativa, mas Cauty e Drummond já haviam feito seu ato. Prometendo que não lançariam mais nenhum disco até que a paz reinasse em todo o mundo, eles se retiraram oficialmente da música em 5 de maio de 1992 ? 15º aniversário da entrada de Drummond na indústria musical, com a banda Big In Japan. Para provar ao público que isto não era apenas uma farsa para vender mais discos, Drummond e Cauty simplesmente destruíram todo o catálogo da KLF Communications.

Apesar de o KLF ter reaparecido um ano depois, não foi para lançar alguma música, mas para fazer um comentário sobre o mundo artístico. Primeiro, publicaram uma série de anúncios em jornais, ordenando que o mundo “abandone toda forma de arte, já.” Cauty e Drummond ? mal disfarçados como The K Foundation ? anunciaram então que entregariam um prêmio de 40 mil libras ao pior trabalho artístico naquele ano. A vencedora, Rachel Whiteread (que tinha também vencido o England’s Turner Prize) recusou o prêmio, sugerindo uma cerimônia em que a K Foundation queimasse o dinheiro. Whiteread, no entanto, decidiu aceitar o prêmio segundos antes que as notas fossem acesas, e acabou doando o dinheiro para caridade.

Em agosto de 1994, os artistas inicialmente conhecidos como KLF se superaram novamente. Após literalmente pregar 1.000.000 de libras a uma tábua ? um ato que necessitou do maior saque de dinheiro na história da Inglaterra ? Cauty e Drummond apresentaram o dinheiro pela Inglaterra como uma obra de arte entitulada “Pregado à Parede”. E então, na ilha de Jura, na presença de um jornalista e um câmera, queimaram toda a quantia como mais uma crítica bizarra ao mundo artístico.

A primeira gravação de Cauty e Drummond em quase três anos apareceu mais tarde naquele ano. Apesar de ainda não haver paz no mundo ao final de 1994, a K Foundation honrou o histórico acordo de paz entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat lançando ? apenas em Israel ? um single em edição ultra-limitada, um estranho cover chamado “K Sera Sera” , gravada com o Red Army Choir . Drummond e Cauty também gravaram uma faixa como The One World Orchestra para o álbum de caridade HELP, em 1995. No final de 1997, o KLF finalmente reapareceu (como 2K) e lançou o single “***k The Millenium” pela Mute.


Editado por fernandomarroig em Mai 26 2008, 2h18

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