Produtores: Akon;
Giorgio Tuinfort;
Nellee Hooper;
Sean Garrett;
Swizz Beatz;
The Neptunes;
Tim Rice-Oxley;
Tony Kanal
Gwen Stefani, natural da Califónia, Estados Unidos, começou sua carreira em 1992 com o grupo
No Doubt, sua primeira genuína experiência no mundo da música. Custou tempo para a banda constituir seu primeiro tento comercial que veio apenas com o terceiro álbum,
Tragic Kingdom, e as faixas
Just A Girl,
Don't Speak e
Sunday Morning. O ska, punk e rock alternativo eram alguns dos elementos semeados em maior proporção nas suas gravações iniciais. O quarto álbum,
Return Of Saturn, não foi capaz de atingir o mesmo sucesso do anterior, porém com
Rock Steady, um ano depois,
Underneath It All e
Hella Good - esta última, em colaboração com
Pharrell Williams e
Chad Hugo - foram duas das canções que produziram maior impacto na mídia. Em 2003, o disco de melhores deles foi lançado e juntamente, um cover da clássica
It's My Life do
Talk Talk advinda dos anos 80. O clipe, ultrajante e estarrecedor, talvez seja um dos momentos mais reluzentes e notórios do No Doubt, que obteve grande apelo popular na época. A fase também fora marcada pela pausa nos trabalhos por parte dos integrantes e, em 2004, a decisão de Gwen em lançar-se em carreira solo. Os primeiros resultados impressionaram até mesmo os menos entusiastas.
Love. Angel. Music. Baby., seu primeiro engajo solo, estremeceu com
Hollaback Girl, uma das principais músicas pop do ano,
Cool e
Rich Girl. O campo melódico de Gwen foi meticulosamente alternado, agora lidando mais com o dance, hip-hop e rock, entretanto sem abandonar sua abordagem e caráter dinâmico, independente e revoltoso. Às vezes é difícil separar a sua figura de algo rebelde, invulnerável ou incisivo, embora muitas das suas gravações mostrem seu lado dócil e apaixonante que, felizmente, delineou maior espaço no seu segundo trabalho de estúdio, The Sweet Escape. Ele inusitadamente não estava previsto antes do comprometimento total dela com seus atos paralelos, porém os bons e positivos retornos foram essenciais no incentivo para fazê-la continuar prosseguindo na ideia. Um dos fatores que mais pode instigar o ouvinte, é o fato de Gwen esplendecer um lado másculo e agudo em sua voz e muitas vezes em sua conduta, razão a qual talvez tenha naturalmente levado às comparações com
Christina Aguilera,
Fergie e, atualmente,
Lady GaGa - ambas as primeiras flertam com o black e hip-hop, estilos muitas vezes proeminentemente masculino - ao longo dos anos. Ela pode parecer um pouco ostensiva e abrupta, assim como demonstra e gerou seu estigma perante o grande público, mas leva consigo como resguardo uma sensibilidade periódica adorável.
Um canto iodelei é esboçado na primeira faixa,
Wind It Up, que foi promovida como primeiro single. Nesta - e em muitas das suas produções - Gwen centra-se na diversão, complementada com certa audácia e provocação emanadas pelo narrador, que aos poucos conta às suas amigas que os garotos adoram vê-las dançando e que também adoram perceber as suas reações enquanto nesse estado. Recordando um pouco a
Madonna e sua idolatria pela dança, ela simplesmente verbaliza acerca desse assunto, deixando ao final, uma indagação ao interlocutor que, ao que tudo indica, está de olho em algum pretendente: seria ele mesmo capaz de excitá-la? E a dança continua, instintiva e tórrida - não muito diferente do que o pop e sob circunstâncias, ouso dizer, você é. Em colaboração com
Akon, The Sweet Escape, um dos singles, introduz um narrador que admite ter sido prejudicial ao seu companheiro e que reitera seu desejo em tentar mudar, pois ele quer ser sua garota favorita e viver "perfeitamente" ao seu lado, tramando assim, sua doce escapatória com ele. Na aparentemente autoral
Orange County Girl, Gwen, lembrando vocalmente um pouco uma das suas crias,
Robyn, descreve o estilo de vida de uma garota de Orange County, condado californiano onde ela nasceu, em que objetiva atingir seus sonhos e se tornar uma estrela, apesar de ter tido uma infância e adolescência modesta, segundo ela, "vendendo maquiagem no shopping". A balada
Early Winter, em parceria com o pianista do
Keane,
Tim Rice-Oxley, é um dos momentos sentimentais e nostalgicamente melancólicos que expressivamente se desloca da temática sonora e lírica encontrada no álbum. Nela, o eu-lírico diz estar muito magoado com seu par, suplicando que ele sempre é aquele que chora e que mais se machuca na relação. Ao final, ele disserta que o sol está ficando frio, está nevando e que aquilo tudo parece um inverno prematuro. É uma analogia à sensação dolorida e cortante que todos nos submetemos quando perdemos o amor de alguém que amamos. O clipe dessa última é lindo e exímio, vale a pena conferir... Na festiva
Now That You Got It ela cobra todas as promessas que seu conquistador havia feito antes de ser aceito. As letras de Gwen são notavelmente marcadas pela relação a dois e o andamento, seja benéfico ou maléfico, ocorrido - não foge muito disso... Na melodia, com a ajuda do famigerado Pharrel, seu parceiro no No Doubt, Tony Kanal e outros esporádicos produtores, o som permanece ora agressivo, ora benevolente. Ou seja, uma mescla do ska e punk provindos da sua banda com o pop/hip-hop epidêmico dos EUA. Em outras palavras, Gwen é uma tradicional californiana, almejando os holofotes e contrastando com sua juventude singela e às vezes caótica.
A dolorosa e solitária
4 In The Morning maneja um cenário angustiante, com o narrador pedindo para que seu amor o complete e não o deixe sozinho, chorando em plenas 4 da manhã. Falando sobre "estar ocupada fazendo bebês" e "é hora de fazer você suar" na incomum e sexual
Yummy, Gwen compartilha seu vocal com Pharrel numa aventura lírica no mínimo excitante. Em
Fluorescent ela continua com as suas reflexões amorosas - ou seriam sexuais? - se perguntando porque ele ainda continua na sua cama. O álbum cai drasticamente por essas bandas, com experimentos mais banais e, pior, menos contagiantes. Há ainda espaço para o termino do namoro em
Breakin' Up e a histeria acéfala em
Don't Get It Twisted para, antes do fim, ela afirmar que, mesmo que ele esteja certo, seu companheiro é o culpado por começar todos os problemas, formulando assim um típico desententimento entre um casal em
U Started It. Encerrando, com a meiga
Wonderful Life, realizada em associação com a roqueira
Linda Perry, o narrador agradece pela companhia de alguém e o amor que desfrutou em uma antiga paixão, categoricamente dizendo que a vida é maravilhosa. Não havia como terminar melhor, realmente... The Sweet Escape é bastante pessoal - há certamente muito da Gwen nele - e talvez não tão doce quando se esperaria, abarrotado em batidas dance/black e aglomerado com atípicas belas baladas. O lírico é bastante explícito e, em algumas seções, compulsivamente exagerado. No entanto, ainda assim, proporciona algum divertimento e, menos frequente, alguma reflexão.
Melhor Trecho:
"I thought of you again today
Reminded me how in time I've changed
If you only knew what you gave to me
Now you can't be found"
Wonderful Life