Uma das mais controversas cantoras pop da década de 1990, Sinéad O’Connor aos poucos se tornou um dos nomes mais influentes entre as vocalistas que surgiram depois dela. Seu visual raivoso, com a cabeça totalmente raspada, sempre aparentando mau humor e vestimentas desestruturadas, fizeram de Sinéad um ícone feminista ao mostrá-la de forma oposta ao que estávamos acostumados em relação à feminilidade e sexualidade. A cantora conseguiu, com isso, mudar a imagem da mulher no rock, deixando de lado estereótipos e provando que não é necessário ser um objeto sexual para ser levada a sério.

Nascida em Dublin, na Irlanda, em 8 de dezembro de 1966, teve uma infância difícil, com seus pais se divorciando quando tinha apenas 8 anos. Aos 19 perdeu a mãe, a quem acusava de abusos, em um acidente automobilístico. Antes disso, foi expulsa de uma escola católica, presa por roubos em lojas e internada em um reformatório. Apesar dos problemas, a sorte parecia sorrir e, quando tinha 15 anos, foi descoberta por Paul Byrne, baterista da banda In Tua Nua, enquanto cantava a canção Evergreen, de Barbra Streisand, durante um casamento.

Já na banda co-escreveu o primeiro single do In Tua Nua, Take My Hand, e resolveu deixar definitivamente a escola para se dedicar totalmente à música. Passou a se apresentar em cafés e, um pouco mais tarde, resolveu estudar piano no Dublin College of Music. Enquanto o sucesso não vinha, ganhava dinheiro com telegramas cantados.

Em 1985 assinou contrato com a Ensign Records e mudou-se para Londes. No mesmo ano gravou sua primeira canção para a trilha sonora de The Captive ao lado do The Edge, guitarrista do U2. Gravou algumas demos, mas resolveu abandoná-las quando percebeu que o som estava celta demais, resolveu, então, assumir a produção de seu álbum de estréia e passou a gravar novas canções. O resultado foi o álbum The Lion and The Cobra, um dos discos mais festejados pela crítica musical em 1987. Duas canções do trabalho se tornaram hits alternativos: Mandinka e Troy. Mas o lado rebelde da cantora chamou mais atenção que suas músicas, em entrevistas para divulgar o álbum Sinéad defendia as ações o IRA e criticava o modo de vida britânico, além de atacar outras bandas, como o U2.

Talvez por isso, Sinéad O´Connor era considerada apenas uma figura cult até o lançamento de I Do Not Want What I Haven´t Got, álbum de 1990, e do single de Nothing Compares 2 U, escrita pelo cantor Prince. Logo depois do lançamento do álbum, Sinéad se separa do baterista John Reynolds e começar a namorar o cantor negro Hugh Harris. Mas não era sua vida privada que chamava a atenção e sim suas declarações e ações que foram além dos ataques à política. Divulgando o álbum nos Estados Unidos, a cantora se recusou a cantar em um show na cidade de New Jersey, simplesmente porque os organizadores tocaram The Star Spangled Banner, hino norte-americano, antes de seu show. Em outra ocasião criticou Frank Sinatra, deixou de se apresentar no programa Saturday Night Live, simplesmente pela participação de Andrew Dice Clay, ator, de quem ela não gostava. Não bastando, Sinéad não compareceu a entrega dos Grammy Awards, apesar de concorrer a quatro prêmios.

A cantora confunde seu público ao lançar o disco Am I Not Yor Girl? em 1992. O trabalho era uma coletânea de canções pop tradicionais e bateu de frente com as expectativas causadas pelo lançamento de I Do Not Want… Apesar disso, Sinéad continuava a causar rebuliço por onde passava. Aceitando, finalmente, o convite para se apresentar no Saturday Night Live, Sinéad, no final de sua apresentação, rasgou uma foto do Papa João Paulo II, resultando em uma onda de reclamações e acusações contra sua pessoa. Dois anos depois, ao se apresentar em um tributo ao cantor Bob Dylan no Madison Square Garden, em Nova York, a cantora foi sonoramente vaiada assim que subiu ao palco.

Quase como um paria, Sinéad resolveu se retirar temporariamente dos holofotes e volta para Dublin para estudar Opera. Durante estas férias, a cantora estrela uma montagem teatral para Hamlet e sai e se apresenta ao lado de Peter Gabriel no festival WOMAD. Neste meio tempo sofre uma crise nervosa e quase tenta o suicídio.

Em 1994, entretanto, Sinéad volta à música pop com o disco Universal Mother que, apesar das boas críticas, mostra-se pouco atrativo para os fãs. No mesmo ano divulga que não falará mais com a imprensa por tempo indeterminado. Três anos depois, em 1997, lança o EP Gospel Oak e apenas em 2000 a cantora volta com um álbum cheio, o disco Faith and Courage.

Dois anos depois e chega às lojas o álbum Sean-Nós Nua, um retorno da cantora às tradições irlandesas e à música folk. Durante a divulgação do disco, Sineád aproveita para dizer que estava se retirando definitivamente da música. Em setembro de 2003 é lançado o álbum duplo She Who Dwells, uma coleção de músicas raras e material gravado, mas nunca lançado, além de gravações ao vivo. O disco colocou a cantora novamente em evidência, mas ela não se manifestou sobre o assunto. Em 2005 é a vez de Collaborations, uma coletânea que trazia as aparições da cantora na obra de outros artistas. No mesmo ano, mais para o final, é lançado Throw Down Your Arms, uma nova coletânea, agora com clássicos do reggae, interpretados por ela.

Agora, em 2007, Sinéad O´Connor lança mais um disco, Theology, no qual transporta os Salmos bíblicos para a música pop. Independentemente de continuar trabalhando, Sinéad continua se recusando a conversar com os jornalistas.


Por Valdir Antonelli, com informações da All Music Guide

Editado por Forteski em Out 4 2013, 17h09

Fontes (ver histórico)

http://www.dropmusic.com.br - Por Valdir Antonelli, com informações da All Music Guide

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