Biografia

Rotting Christ é uma banda de black metal formada em 1987 na Grécia.

O Rotting Christ sempre foi uma das bandas de Black Metal elogiadas e festejadas dos últimos tempos. Seus álbuns mostram que o grupo possui um estilo próprio e bem característico, e que influenciou muitas bandas que hoje fazem sucesso.


O país de origem do Rotting Christ é a Grécia. Foi na capital Atenas que em 1987 surgiu a banda, formada inicialmente pelos irmãos Sakis (que usava o nome Necromayhem), Themis (Necrosauron) e Jim (Mutilator). O grupo começou seguindo as influências dos primeiros ícones do black metal, como Venom, Celtic Frost e Bathory. Apesar dos clichês básicos do estilo, já se percebiam os rudimentos da arte sombria e única do grupo grego, que se direcionava aos poucos para um setor mais melódico e carregado de tristeza dentro do metal, que cuminou, no ano de 1989, no lançamento de uma fita-demo de cinco faixas chamada “Sathanas Tedeum. E com o resultado desta demo a banda foi caracterizada como “Abyssic Death Metal”, ainda porque o termo Black Metal não estava estabilizado na cena underground.

Depois de recrutarem o tecladista Magus Wampyr Daoloth, do Necromantia, nos teclados eles conseguiram lançar pela Decapitated Records um mini-LP chamado “Passage To Arcturo” originalmente em vinil (que seria relançado mais tarde pelo selo grego Unisound Records). Com esses dois trabalhos, a banda passa a chamar a atenção de selos que investiam em metal, além de ganhar bastante espaço no underground europeu. E em seguida a mesma gravadora lançou outro EP “Dawn Of The Iconoclast” com duas faixas, mas decepcionou pela péssima gravação.

O Rotting Christ praticava em seu início um black metal cru e ríspido, com destaque para a guitarra de Sakis que possuía riffs e bases com certa dose de melodia e climas sombrios. Ainda não tinha tanta melodia e atmosfera quanto nos discos mais recentes da banda, mas já era fácil de perceber que o conjunto grego era diferente da grande maioria dos grupos que pipocam pela Europa: esse jeito de tocar metal extremo era inovador, já que a grande maioria das bandas não se importava com melodia. Hoje em dia existem muitos grupos que tocam desta maneira, a chamada “Segunda Geração do Black Metal”, entre eles o Dimmu Borgir e o Vesperian Sorrow. Todos esses devem parte de seu sucesso comercial ao Rotting Christ, sem dúvida o grande nome dessa Segunda Geração, e que foi um dos precursores da idéia de unir a melodia ao peso devastador do black metal, fazendo o estilo se popularizar consideravelmente na década de 90.

A estréia oficial ocorre em 1991, finalmente a banda lança um trabalho de maior expressão e divulgação: é o EP chamado “Passage to Arcturo”. O disco faz o Rotting Christ ficar mais conhecido pelos fãs do metal na Europa, abrindo várias portas para o conjunto. Nada mais justo, uma vez que a banda batalhou durante um bom tempo no cenário underground, isso sem contar a incontestável competência do grupo. Com esse aumento de popularidade, a banda consegue um contrato com o selo francês Osmose Records, conhecida pelo bom trabalho que realiza com bandas de metal extremo. Dessa união nascem os dois primeiros LPs do Rotting Christ: “Thy Might Contract” de 1993. Este foi um dos clássicos do Black Metal e foi definido como “Greek Sound of Black Metal” e a banda atingiu outro nível de patamar com este álbum, e ainda iniciaram uma tour, a Fuck Christ Tour, incluindo o Immortal e o Blasphemy

“Non Serviam” foi lançado no fim de 1994, com uma boa repercussão em vários países, inclusive no México onde o grupo realizou um incrível show. Além desses discos, a banda lançou pela Osmose alguns EPs, como os excelentes “Apocathylosis” e “Ade’s Winds” este último com as faixas “Fgmenth, Thy Gift” e “The Fourth Knight Of Revelation Parts 1 & 2.

Mas logo depois do lançamento de “Non Serviam”, chegou o ponto em que a Osmose já não tinha mais condições de oferecer a estrutura necessária para uma banda que seguia rapidamente ao topo. Devido ao sucesso que atingiram com os últimos trabalhos, eles não demoram a firmar um novo contrato, dessa vez com a Century Black, uma subdivisão da Century Media criada exclusivamente para trabalhar com bandas desse estilo. Já faziam parte do cast deste selo nomes como o Mayhem e o Emperor. Assim, passaram a ter a distribuição e divulgação que realmente merecem.

As dificuldades Administrativo-financeiras e os limites musicais impostos pelo black metal causaram profundas mudanças em Sakis que, desde o começo, sempre foi o principal compositor do Rotting Christ. E antes da gravação do primeiro álbum pela nova gravadora, acontece a primeira mudança no line-up do grupo: o tecladista Magus deixa a banda devido a desentendimentos com os outros membros e Panayotis entra em seu lugar. E é com este line-up que eles gravam seu terceiro LP, chamado “Triarchy of the Lost Lovers”, lançado em abril de 1996. O disco foi produzido por Andy Classen no famoso estúdio Stage One (que fica na Alemanha) e foi logo alçado à posição de melhor disco que o conjunto lançou até aquele momento. Esse trabalho mostra um Rotting Christ mais maduro e sombrio, resolvendo deixar um pouco de lado o Black Metal, com melodias e riffs mais góticos e apurados, em excelentes canções como “King of a Stellar War”, “Archon” e alguns covers da Banda de Thrash metal Kreator como “Tormentor” e a junção das músicas “Flag of Hate” e “Pleasure to Kill”. O Rotting Christ ainda participou de uma tour de dois meses com o Samael e o Moonspell e tocaram em 14 países. O único membro original da banda nesta tour era o vocalista Sakis Necromayhen, pois os outros integrantes não puderam participar por outras obrigações, e o guitarrista Kostas, que era do Corruption, foi integrado ao grupo como membro permanente, mas Jim Mutilator teve que deixar a banda por problemas pessoais Alguns críticos chegaram, inclusive, a criar um novo rótulo para descrever o Rotting Christ (dark metal), uma vez que a banda estava indo além do black metal com suas melodias e climas soturnos. O disco faz bastante sucesso e agora o Rotting Christ é conhecido em nível mundial, afinal, a Osmose fez a banda ficar conhecida entre os fãs de black metal, mas não tinha o alcance da Century Black, que levou o nome da banda a lugares que não os conheciam ainda, principalmente a América.

Em 1997, se reúnem novamente para a gravação de um novo trabalho. Dessa vez, o produtor escolhido foi Xy, baterista e tecladista do Samael. O baixista Andréas entra no lugar de Jim Mutilator. Como a banda estava sem tecladista, Xy aproveitou para integrar o grupo, tocando os teclados que aparecem no novo disco e contribuindo para que o som do Rotting Christ ficasse ainda mais melancólico. Ele é lançado ainda em 1997, e é chamado “A Dead Poem”, outro excelente álbum. E como participação significativa no álbum, a do vocalista do Moonspell, Fernando Ribeiro, que canta na excelente “Among Two Storms”. “A Dead Poem” é mais um incrível disco, com mais melodias sombrias e climas tétricos, baseados nos riffs de guitarra e teclados que a banda constrói com enorme facilidade. Ainda estão lá a rispidez das bases de guitarras e vocais secos que dão o tom satânico da banda. É justamente essa mistura de melodia e rispidez que faz o disco fascinante. E ainda teve uma ótima vendagem, com 5.000 cópias vendidas apenas na Grécia. As gravações desse álbum aconteceram no estúdio Woodhouse Studio, também na Alemanha (nesse estúdio aconteceram também as gravações de discos seminais como o Wildhoney do Tiamat e Nighttime Birds do The Gathering). Uma edição especial desse álbum foi lançada, contendo um disco bônus chamado “Darkness We Fell”, que é uma coletânea de músicas de bandas que fazem parte do cast da Century Black, como o The Gathering, Tiamat, Sentenced, Old Man’s Child, Ulver e Sacramentum.

Logo depois desse lançamento, novas mudanças na formação do Rotting Christ, a saída do tecladista Panayotis com a entrada de George em seu lugar. Esse desgaste estava causando algumas turbulências na banda, Com esse line-up, partem para uma longa turnê, e crava definitivamente seu nome no “Hall” das grandes bandas de black metal (ou dark metal).

Depois de um merecido descanso, a banda volta a trabalhar na produção de um novo álbum em setembro de 1998, novamente com a produção de Xy. O resultado é o fantástico “The Sleep of Angels”, um disco completo e envolvente, para muitos, a obra-prima do Rotting Christ. Foi lançado em 1998, e teve críticas positivas em praticamente todas as grandes publicações do ramo, sempre com elogios rasgados e muita badalação, sendo ainda eleito o melhor do ano. Não sem motivos, afinal, é nesse disco que a banda firma seu estilo, sem esquecer suas raízes. Ou seja: as melodias sombrias e góticas atingiram quase a perfeição, com muito clima e atmosferas absolutamente arrepiantes, e arranjos de teclados e guitarras simplesmente emocionantes. Isso tudo acompanhado da rispidez e peso que a banda tinha em seu princípio. Enfim, um disco bastante atmosférico e soturno, com agressividade e melancolia na medida certa. Os destaques ficam por conta das incríveis “The World Made End”, “Imaginary Zone” e “Cold Colours”. Duas semanas depois a banda ainda lançava o EP Der Perfectre Traum. O disco marca um retorno às origens. Talvez a própria saturação da cena, com inúmeras bandas fazendo metal gótico com pouca qualidade, tenha sido outro motivo para levar Sakis de volta ao peso e a agressividade dos primeiros anos.

Apesar do sucesso, o grupo enfrentou uma fase árdua, com uma conturbada tour pelas Américas - onde escaparam da morte em um terremoto no México, tiveram problemas judiciais nos Estados Unidos e foram abandonados pelo tour manager na América do Sul. Todos estes fatores certamente abriram espaço para a criatividade do grupo voltar-se ao peso e à agressividade novamente.

E para gravar um excelente disco de metal extremo nada melhor que o mais tradicional estúdio para o estilo, o Abyss, na Suécia. Enfrentando o inverno europeu, o Rotting Christ preparou “Khronos”. Sakis assumiu a produção e Lars Szoke, deu um pequeno auxílio, enquanto Peter Tägtgren, do Hypocrisy mixou todo o material.

O disco, lançado no início do segundo semestre de 2000, marca um retorno às origens. Talvez a própria saturação da cena, com inúmeras bandas fazendo metal gótico com pouca qualidade, tenha sido outro motivo para levar Sakis de volta ao peso e a agressividade dos primeiros anos. E uma outra Tour foi iniciada, desta vez com uma passagem pelo Brasil.

Com o mesmo ‘line up’, lançam “Genesis”, dois anos depois, um disco muito pesado e agressivo, onde os destaques eram “Quintessence”, “Release Me” e “Ad Noctis”.

Em 2004 o grupo, agora um trio, lança um novo álbum “Sanctus Diavolos” com composições marcantes e a retomada das características primordiais da banda: o Black metal agressivo e rápido.

Editado por r00dris em Nov 12 2010, 6h43

Todos os textos enviados pelos usuários nesta página estão disponíveis sob a licença Creative Commons Attribution/Share-Alike.
Os textos também estão disponíveis sob a Licença de documentação livre GNU.

Ficha do artista

Gerado a partir de fatos marcados na wiki.

Formada em
  • 1987
Fundada em
  • Grécia

Você está vendo a versão 9. Veja versões mais antigas, ou discuta esta wiki.

Você também pode ver uma lista de todas as alterações recentes na wiki.