Que atire a primeira pedra aquele que não se apropriou de nada do gosto musical dos pais! Nem precisa se dizer fã, porém não resiste e dá uma batidinha de pé, até involuntária, quando escuta aquele mega sucesso da época de sua infância que não saía da vitrola de casa.
Coisas como
"o meu carro é vermelho, não uso espelho pra me pentear" ou
"Ó meu amado porque brigamos, não posso mais viver assim sempre chorando" que nos deixam com uma vontade enorme de cantar gritando quando tocam em algum lugar.
Aqui em casa, de acordo com minha memória auditiva, os dias eram mais ou menos assim: de manhã minha
mãe escutava música no rádio, mas na hora de limpar a casa era
Roberta Miranda ou
Chiclete Com Banana.
Os artistas de "lazer" dela eram
Zezé Di Camargo & Luciano,
José Augusto,
Paulo Diniz,
Agnaldo Timóteo,
Nelson Gonçalves,
Benito di Paula,
The Fevers e ,o melhor e único estrangeiro da lista materna,
Julio Iglesias. Escutava também
Reginaldo Rossi, dele sei cantar quase todas.
Aprendi a não julgar gosto musical por causa de minha mãe. Deu pra entender, né?!
Da parte paterna da minha família veio coisa muito boa. Meu
pai trabalhava o dia todo e só ouvia música no fim de semana:
Jorge Ben Jor era a trilha sonora do domingo, junto com
Raul Seixas,
Alceu Valença e
Belchior. Virei fã de Raul quando adolescente.
De quando tinha uns 12/13 anos, lembro que meu pai ouvia muito
Secos & Molhados, e daí veio a minha paixão por essa banda (na época eu até achava que era uma mulher que cantava). Ele ouvia também
O Grande Encontro,
Cássia Eller,
Zélia Duncan (de quem não gosto tanto assim atualmente),
Chico Buarque,
Elomar,
Xangai, e os irmãos
Caetano Veloso e
Maria Bethânia.
[até hoje fico todo arrepiado quando escuto Maria Bethânia cantando
"diga que já não me quer, negue que me pertenceu, que eu mostro a boca molhada ainda marcada pelo beijo seu"]
Outra forte influência vinda de meu pai é a simpatia que sinto por bandas pernambucanas. Ele tinha alguns albúns do
Chico Science & Nação Zumbi e todos do
Mestre Ambrósio.
[se bem que hoje em dia troco qualquer banda de
manguebeat por
Textículos de Mary]
De estrangeiro ele ouvia
ABBA,
blues e música clássica. Eu podia ficar um bom tempo lembrando de boas bandas da coleção de discos e cd's de meu pai [agora ele tem uma mania de ouvir samba de breque que me irrita um pouco domingo pela manhã].
Grande parte desses artistas não fazem parte de minhas
playlists, mas não me sinto nem um pouquinho envergonhado de cantar em voz alta, arriscar coreografias e pagar o maior mico quando escuto por aí.
Por falar nisso, acordei tão brega hoje! Não consigo parar de cantar
"Garçom, aqui nesta mesa de bar, você já cansou de escutar centenas de casos de amor......".