Produtores: Svein Berge;
Torbjørn Brundtland
Responsáveis por um dos hinos mais recentes do chill-out europeu,
Eple, os noruegueses do Röyksopp, antes amplamente dedicados ao eletrônico alternativo, explorando a musicalidade de gêneros como downtempo, trip hop e outras vertentes da música ambiental, agora decidem se entregar à música pop eletrônica e lançar talvez o álbum mais incitante e acessível da dupla nórdica desde seu surgimento. Em seu disco de estreia, "
Melody A.M.", a atenção maior voltou-se às melodias, centradas em faixas instrumentais. Do experimento,
Sparks,
Poor Leno e
Remind Me - as duas últimas, com a contribuição do também norueguês
Erlend Øye no vocal - foram algumas das que compuseram o seleto grupo que obteve maior visibilidade. Nessa época eles eram relativamente conhecidos, porém com uma popularidade mais restrita, concentrada no público que advinha do estilo que cultivavam. Esse chega inclusive a ser, segundo grande parte dos seus adoradores, o álbum mais original já produzido por eles. Logo em seguida, exatamente em 2005, "
The Understanding", segundo trabalho de estúdio, fez com que ainda mais eles se tornassem conhecidos no eletrônico, com o auxílio da estridente
Only This Moment e a comercialmente bem sucedida,
What Else Is There?, que contou com o suporte da vocalista do
The Knife,
Karin Dreijer. É certo que esse foi o instante de emancipação e o auge dos rapazes. Além do projeto ter sido muito bom e um dos melhores momentos do ano, mostrou que ambos não se limitavam apenas à ritmicidade anterior, mas tinham qualidades suficientes para propagarem-se a outros meios. Tanto é que rapidamente receberam as boas-vindas do mainstream e por lá satisfatoriamente optaram por permanecer. O fato foi comprovado com "Junior", atual aposta do excêntrico e carismático duo. Para o feito, convidaram a revelação sueca
Lykke Li,
Anneli Drecker,
Karin Dreijer (as duas últimas, norueguesas, já haviam acompanhado eles em 2001 e 2005, respectivamente) e a amável, também sueca,
Robyn (conhecida pelo hit
With Every Heartbeat, em colaboração com
The Kleerup). Olhando pra isso tudo - a significativa aderência das garotas na gravação e a pequena modificação na sonoridade - e considerando que eles são os produtores do próprio álbum, não há uma leve semelhança entre eles e o time de produtores britânico
Xenomania? Ao menos nessa última jornada, a impressão pode ser perfeitamente corroborada. Os Xenomania do sub-pop! Ou, por que não, do eletrônico alternativo. Deixem os conservadores saberem disso...
Happy Up Here, com apenas 2 minutos e pouco, foi o primeiro single e é a faixa que introduz o álbum. Nela, eles literalmente nos convidam para a excitante e envolvente caminhada. É um instrumental, com a presença de alguns samplers e uma batida, no mínimo, instigante. Um prognóstico do que o eletropop positivamente nos traria ao longo do ano de 2009. A ambiciosa
The Girl and the Robot vem logo em seguida, com a apresentação de Robyn no vocal, interpretando um fracassado romance futurista com um robô, que ela queixa nunca ter tempo pra ela e sempre estar ocupado. Traços do antigo Röyksopp, clássico e experimental, aparecem próximo ao fim, com cordas deliciosamente entoadas. Outro instante desafiador é
Röyksopp Forever que, como o título já denota, exibe um pouco o lado presunçoso entretanto único dos dois. Poderíamos sem problemas supor que eles, atualmente, são um dos colaboradores desse novo movimento no eletrônico/pop que consiste em mesclar o sônico erudita/clássico com os modernos sintetizadores. A distorcida e liricamente contemporânea
Vision One divaga acerca das novas tecnologias e os peculiares rumos que o avanço vem, gradualmente, trazendo aos seres humanos.
This Must Be It, terceiro single, traz o vocal garrido e obscuro de Karin Dreijer numa aventura menos memorável que a antecedente bem sucedida participação dela com eles. Anneli Drecker tem seu período mais expressivo e comovente com o Röyksopp em
You Don't Have a Clue, uma das candidatas à melhor canção do álbum. Bastante sensível, brumosa e melancólica, ela lamenta a falsidade e superficialidade que o receptor da sua mensagem aparenta demonstrar. Igualmente compondo um dos agradáveis momentos na seleção, Lykke Li incorpora sua infantil voz em
Miss It So Much e delicadamente expressa sua miserável condição, por meio de abstratas e subjetivas letras. A viril e agressiva voz de Karin chega em
Tricky Tricky, que complementa o também fortifico instrumental. Com confusos dizeres como "Six afraid of seven, cause seven eight nine", a histeria harmônica definitivamente aclara-se.
Silver Cruiser exerce o fundamental fator de esmorecer a ambientação, provendo um ensejo mais reflexivo ao ouvinte. Um tanto repetitiva e menos inspiradora,
True to Life talvez seja um dos experimentos mais vazios e inexpressivos da dupla. A vibrante
It's What I Want encerra, com sua direta e instintiva sinceridade, defendendo um estilo de vida primariamente voltado aos desejos pessoais e a deleitosa liberdade.
"Junior" certamente é o material mais pop, animado e cordial que os noruegueses desenvolveram. O que de forma alguma é sinal de deterioração à habilidade que eles naturalmente possuem para criarem música. Foi um passo com o foco no divertimento e na passageira, mas graciosa felicidade. Sendo mais acessível, menos oblíquo e, em determinadas ocasiões, enérgico, sua inferência é certa na cena eletropop de 2009.
E claro, o pequeno e travesso "Junior" chegou, sorridente e cheio de vida. Seu maduro pai, "Senior", conforme informações oficiais, chega logo mais, no fim do ano, ressarcindo os admiradores que sentiram a ausência de intentos mais instrumentais, audaciosos e, como gostam de dizer, "complexos."
Melhor Trecho:
"You're hiding from yourself
Yes you are, yes you are...
Like golden rays of sun in the cloud'"
You Don't Have a Clue