Biografia
Em 1990 a banda se formou sob a sombra do noise do Sonic Youth, grande influência do grupo, que se alimentava das dissonantes e ao mesmo tempo harmonicas canções da banda nova-iorquina. Cor-Crane Secret, seu primeiro álbum foi lançado em 1992 e não teve uma grande recepção pela crítica, embora tenha recebido resenhas favoráveis. A mesma crítica que decidiu esperar por outro álbum, afinal, a banda exibia potencial incrível e um faro para o experimentalismo tão emergente na época.
E foi em 1993 que a banda lançou seu grande êxito, a máxima expressão de sua arte: Today’s Active Lyfestyles. A banda soube dosar bem o tempo das faixas, evitando que as experiências caíssem na cilada do cansaço da repetição. ‘Thermal Treasure’ abre o disco com a força suficiente para causar uma ótima impressão. Rápida evolução evidente, percepção musical invejável e consciência harmonica de jovens que sempre ouviram o rock progressivo, dos mais variados. E com toda essa bagagem, a mistura que já era bem aceita no meio do rock underground foi mais uma vez executada, agora por uns moleques que compunham o Polvo. Os vocais embora bem menos presentes, adornam com sujeira a sonoridade complexa do álbum. ‘Tilebreaker’ é a confusão transportada para ondas sonoras. Confusão num ótimo sentido, pois há uma linha estável dentro da faixa, mas há uma série de mirabolantes recursos, ruídos, distorções e cordas aparentando estourar, que a mente do ouvinte entra num frenesi extremamente arrepiante. ‘Time Isn’t in my Side’ é a imagem, é a tradução do que podemos chamar de “tô pouco me fodendo, no final sempre sai bom”. E no meio de flechadas de dissonância, não é que o som sai perfeito? E não precisa analisar profundamente os arranjos é só fechar os olhos e viajar nos ruídos de Atari, e nas cordas desobedientes e virtuosas. Muitas bandas similares se desdobram para fazer algo mais complexo, com mais variações intrumentais, incrementos nos detalhes de produção e o cacete a quatro. O Polvo nos passa a sensação de que o som foi feito com os pés nas costas, de olhos fechados, embora o álbum conte com o dedo de Bob Weston, engenheiro de som e baixista do Shellac o que garante que a qualidade exista, mas que a naturalidade esteja acima de tudo.
Editado por c_aio em Set 23 2008, 23h18
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