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O Sambista Dark
Jul 16 2008, 12h42 por Godrigos
A vitrola assobiava um samba chiado, quase que sumindo, a voz, apagada pelo tempo e o descuido com o disco, expressava a solidão. Era Nelson Cavaquinho, num velho vinil, já torto e soluçado. Eu o ouvia e recordava as falas de um amigo, “você precisa conhecer o Nelson Cavaquinho ele é o nosso primeiro sambista dark”.
Fiquei impressionado com essa descrição, principalmente para um sambista. Uma definição simples, sem muito ter-com-não-ter, mas com uma palavra que sintetizava em si um turbilhão de informações, e que se definiu como a própria descrição. “Dark”. É, “dark”. Baudelaire era dark, assim como Guinsburg, Bukowski e uma geração inteira de beatnicks que influenciaram Bob Dylan e o sonho da contracultura. Dark tem em si o desprezo, a violência e a rebeldia.
Nos anos 80, a chamada década perdida, o dark virou moda. Havia um glamour em aparecer com roupas de couro num videoclipe MAD MAX, dançando e cantando pop e heavy metal (os dois lados de uma mesma nota de um dólar). Sim, o pesado foi suavizado. Mas enquanto a MTV explodia em videoclipes, os subúrbios, becos e esquinas das metrópoles explodiam em travestis, mendigos, traficantes e tudo que a sociedade dos 80 gerou de mais dark, incluindo a AIDS.
E foi em 86, quando no Brasil o pop-rock-dark estourava e a inflação estourava e a seleção estourava; o samba também estourou, só que para dentro, como uma implosão; ficou um pouco mais escuro, e triste. Ia-se Nelson Cavaquinho, poeta da Mangueira. Todos choraram. Afinal, dizia-se: “na Mangueira quando morre um poeta todos choram”. E o Rio de Janeiro se viu dark, assim como era quando então capital da República, lá pelos idos de 1930 e 40; e Nelson um policial que fazia a ronda lá no morro da Mangueira definitivamente caiu no samba. Na verdade foi por excelência um caído, um bêbado, um boêmio, o rei vadio. Mas, sejamos justos, era a própria capital federal sua princesa puta. Sim, e não só a capital, dark era o Brasil com suas maravilhas tropicais, ostentando no peito “Ordem e Progresso”, sem nunca ter nem um e nem o outro.
Recordo-me da apresentação de Walter Franco na faculdade. Foi no primeiro ano, na segunda semana do curso de jornalismo. Ele lá na frente com um violão e um microfone, eu lá no fundo tentando cantar e relembrar suas músicas e o público entre nós dando risada daqueles versos estranhos que lhe renderam o título de maldito nos anos 60 e 70. Ao meu lado um cidadão vinte anos mais velho me acompanhava nas tentativas de cantar e relembrar aquelas canções. Show terminado, apresentação curta. Fomos ao bar, eu e o pessoal do jornalismo, queríamos todos nos conhecer melhor. Lá estava aquele cara, fui saber ali que fizera Ciências Sociais na PUC, nos anos 80, mas sempre tivera vontade de cursar jornalismo, surgiu a oportunidade e lá estava ele. Começamos a conversar sobre música, já que éramos quase os únicos que conheciam algo de Walter Franco ali. Se chamava Fernando e, assim como eu, gostava de Sérgio Sampaio, Jards Macalé e Itamar Assumpção. Foi quando me perguntou, você conhece Nelson Cavaquinho, ele é o nosso primeiro sambista dark.
Era óbvio que não sabia quem era Nelson Cavaquinho, na verdade eu achava que conhecia tudo o que era diferente, estava enganado. O tempo se encarregou de desfazer esse vácuo em meu espírito, as músicas de Nelson aos poucos foram ocupando espaço em meu repertório cultural musical. E voltei a acreditar que tinha o domínio do que era diferente em música. Ledo engano. Um outro amigo – sempre os amigos, e pior, esse acabava de se formar em engenharia física – me mostrou um CD de um violinista clássico francês que tocava música brasileira. Nossa ! , comentei, que legal esse cara em mano! É, eu vi um show dele lá em São Carlos, disse Yuri, meu amigo engenheiro, mas lá ele num tocou chorinho não, ele mandou uma jazzera. Eu disse que gostava daqueles sambas e chorinhos com um toque francês, ele retrucou que não era muito a praia dele. Eu pedi o CD emprestado, ele com um certo receio me emprestou. Seu receio se mostrou certo, pois até hoje não devolvi aquele Nicolas Krassik pra ele.
Mas você deve estar se perguntando o que tem a ver um violinista clássico com um sambista dark. O que aconteceu, foi que ao ouvir o CD, repleto de bons sambas, teve um, em especial, que chamou minha atenção. O francês mandou a “Luz Negra” de Nelson Cavaquinho. Confesso que uma de minhas primeiras reações foi querer chorar, tamanha poesia que rezava o violino ao transformar aqueles versos num choro erudito e popular, francês e carioca, burguês e favelado, mas, sempre e unicamente, solitário. O violino teve em Nelson seu mais fiel parceiro na poesia da solidão, um samba sinfônico que não tinha nada de dark. Pelo contrário, o refinamento da música mostrava o quão sofisticado era o samba em sua forma bruta e quão bela era a melodia inlápide desse sambista dark.
Mas, violinos, sambas e franceses a parte, é agora em 2006 que o Brasil completa 20 anos sem Nelson Cavaquinho. Termino esse texto com um pequeno verso dele, apenas para espantar a escuridão desses tempos. “E o Sol há de brilhar outra vez...”
Nelson Cavaquinho
samba -
Samba tag
Out 29 2007, 3h13 por klimaz
Hi folks,
For those of you who enjoy listening to Samba, you're welcome to use my tag:
Samba
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Adoniran Barbosa
Adoniran Barbosa - Com Nosso Samba
Adoniran Barbosa/Part. ESpecial: Vania Carvalho
Adoniran Barbosa/Part. Especial: Carlinhos Vergueiro
Adoniran Barbosa/Part. Especial: Djavan
Adoniran Barbosa/Part. Especial: Gonzaguinha
Adoniran Barbosa/Part. Especial: Roberto Ribeiro
Adoniran Barbosa/Part. Especial: Talisma & Seu Conjunto
Adoniran Barbosa/Part.Especial:Conjunto Nosso Samba
Agepe
Agepê
Airto Moreira
Alcione
Alcione; Nelson Gonçalves E Alcione
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Almirante; Carmen Miranda; Lamartine Babo; Mario Reis
Ana de Hollanda
Aracy de Almeida
Argemiro Patrocinio/Part.Especial:Teresa Cristina
Ary Barroso
Ataulfo Alves
Baden Powell
Bebeto
Beth Carvalho
Beth Carvalho/Com: Golden Boys
Bezerra Da Silva
Bezerra Da Silva; Genaro
CLARA NUNES FEATURING PAULINHO DA VIOLA
Candeia
Candeia e Yvone Lara
Canta: Carmen Miranda/Dorival Caymmi
Canta:Carmen Miranda/Dorival Caymmi
Carlinhos Brown
Carlos Galhardo; Carmen Miranda
Carmen & Aurora Miranda
Carmen Miranda
Carmen Miranda E Mario Reis; Orquestra Diabos Do Ceu
Carmen Miranda e Mario Reis
Carmen Miranda/Almirante
Carmen Miranda/Barbosa Junior
Carmen Miranda/Com-Almirante
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Carmen Miranda/Com: Luiz Barbosa
Carmen Miranda/Dalva De Oliveira
Carmen Miranda/Nuno Roland
Carmen Miranda/Part. Especial: Barbosa Junior
Carmen Miranda/Part. Especial: Sylvio Caldas
Carmen Miranda; Francisco Alves
Carmen Miranda; Lamartine Babo
Carmen Miranda; Mario Reis
Carmen Miranda; Murilo Caldas
Carmen Miranda; Silvio Caldas
Cartola
Chico Buarque
Cibelle
Ciro Monteiro
Clara Nunes - Com Adoniran Barbosa
Clementina de Jesus
Cyro Monteiro
CéU
De Lata
Demonios Da Garoa
Demônios da Garoa
Dicró
Dolores Duran
Dona Ivone Lara
Donga
Dorival Caymmi
Dudu Nobre
Dudu Nobre; Grupo Fundo De Quintal
Elis Regina-Adoniran Barbosa
Ella Fitzgerald – One Note Samba
Elton Medeiros
Elton Medeiros; Paulinho Da Viola
Elton/Guilherme Brito/Cavaquinho/Candeia
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Exaltasamba
Fagner; Nelson Gonçalves
Farofa Carioca
Fernanda Porto
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Grupo Fundo de Quintal
Grupo Molejo
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Isaurinha Garcia; Nelson Gonçalves
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Jorge Ben Jor
Jorge Veiga
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Kiloucura
Leci Brandao
Leci Brandão
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Moreno+
Márcio Faraco
Negritude Junior
Negritude Junior/Ivone Lara
Negritude Júnior
Neguinho Da Beihja Flor
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Ney De Castro
Nicos Jaritz
Noel Rosa
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Padre Miguel
Par Ney de Castro
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Paulinho Da Viola & Ensemble
Paulinho Da Viola E Toquinho; Toquinho E Paulinho Da Viola
Paulinho da Viola
Paulinho da Viola; Toquinho
Paulo Vanzolini
Pedro Luis e A Parede
Pixinguinha
Portinho
Quarteto Jobim-Morelenbaum
Quarteto Novo
REGINA, ELIS/BARBOSA, ADONIRAN
Ritmo Candela
Roberto Silva
Rowland Sutherland's Mistura
Seu Jorge
Seu Jorge & Velha Guarda da Mangueira
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Silvio Caldas
Simone/Part.Esp:.Ângela Maria
Sinho
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Terri England
Timbalada
Toquinho E Paulinho Da Viola
Velha Guarda Da Mangueira
Velha Guarda da Portela
Verde Amarelo
Vinicius de Moraes
Vinícius de Moraes
Wilson Simonal
Zeca Pagodinho
Zé Keti -
Nelson do Cavaquinho
Jul 18 2006, 16h49 por tiaguim
Cabelos prateados. Uma voz de aço, com rouquidão curtida em madrugadas boêmias pelo Rio de Janeiro. Temas surpreendentes, onde a Morte é personagem assídua. Foto de Nelson CavaquinhoNelson Cavaquinho foi um trovador moderno, espalhando sua música e poesia pela noite carioca. Suas músicas são de uma simplicidade impressionante, como somente os grandes gênios conseguem fazer, não há um verso ou nota a mais que o necessário.
Nelson Cavaquinho é o prontaganista de diversas estórias já folclóricas era também capaz de no final de uma madrugada distribuir todo dinheiro ganho em um show pelos mendigos e prostitutas. Ficando até mesmo sem ter como pagar a condução de volta para casa. Vendia músicas e parcerias para sobreviver nos momentos mais difíceis. Inclusive esta é a razão de serem tão raras suas parcerias com o também mangueirense Cartola, que não gostou quando Nelson vendeu música que fizeram juntos.
Seu mais constante parceiro, com quem compôs diversos clássicos da música brasileira, foi Guilherme de Brito, uma pessoa com um estilo de vida completamente oposto ao bohêmio Nelson. Outro que não pode ser enquadrado entre seus "parceiros de ocasião" é Alcides Caminha, mais conhecido como escritor de populares histórias em quadrinhos eróticas, nas quais assinava como Carlos Zéfiro.
Nelson Cavaquinho é um dos grandes compositores da história da música brasileira, foi gravado pelos mais importantes artistas é revenciado pelos músicos. Aproveite para aproveitar aí embaixo algumas das gotas de poesia que ele espalhou pelas noites.