Com um nome baseado em um evento histórico inventado pelos próprios integrantes – um conflito entre índios e portugueses contra os ingleses na Ilha do Bananal –, Móveis Coloniais de Acaju surgiu em 1998, em Brasília. Já autodenominado, em termos gastronômicos, de “feijoada búlgara”, é uma banda de estilo singular, fundindo rock e ska com influências musicais de todo o mundo (especialmente do leste europeu) e de música brasileira.

Em seus primeiros anos, foram muitos e muitos shows por Brasília. Além do estado de origem, a banda chegou a se aventurar por Goiânia e São Paulo. Mas, em 2003, quando foram a única atração local selecionada para figurar o palco principal do Brasília Music Festival (abrindo para Live, Ultraje A Rigor e Charlie Brown JR.), viram que a coisa tinha que se profissionalizar.

Depois de 2003, passaram a ter mais cuidado com a equipe técnica, equipamentos e a qualidade dos shows. Perceberam também a necessidade em gravar um disco – até então, além de fitas e CDs demo, tinham lançado somente um EP homônimo à banda, em 2001. Procuraram produtores e fecharam com Rafael Ramos (que havia recém lançado a Pitty).

Idem, o primeiro disco, foi gravado em outubro de 2004 no Rio de Janeiro, no estúdio Tambor, sob o olhar de Ramos e os cuidados de Jorge Guerreiro. Foi a primeira grande experiência em estúdio. Reunia 12 das melhores composições da banda à época, que sintetizavam a “feijoada sonora” característica do grupo.

O lançamento do álbum aconteceu em 2005. Um marco para a banda – não somente por se tratar de um primeiro disco, mas por estimular a vontade do grupo em ampliar o alcance do seu trabalho. A partir daquele ano a banda começou a investir mais em shows fora de Brasília, percebeu que podia realizar seus próprios eventos (organizaram, em parceria com produtores amigos, a festa de lançamento do Idem em Brasília, para mais de três mil pessoas) e viu a importância de sua performance ao vivo.

Dentre seus empreendimentos próprios, a banda também desenvolveu o Móveis Convida, festival anual pelo qual já passaram mais de 20 bandas (de atrações renomadas como Los Hermanos, Pato Fu e os novatos na cena rock brasileira: Black Drawing Chalks) e um público médio de quatro mil pessoas por edição.

Ainda em 2005 a banda viria a se destacar em sua apresentação no Curitiba Rock Festival. O mesmo aconteceu em Goiânia e São Paulo – praças já conhecidas da banda. Mas, a partir de 2006, que se intensificaram as viagens. Em pouco tempo a banda viria a fazer parte dos principais festivais brasileiros e logo o Móveis conquistou posição de destaque em todos eles. Era o desempenho ao vivo mostrando sua força. Isso se fez presente em apresentações de TV, como o especial homenageando Raul Seixas no “Som Brasil” (Rede Globo).

Nesse meio tempo alternando entre show, a banda lançou, em 2007, um vinil de 33 rotações com músicas brasilienses dos anos 90, fazendo releituras de Câmbio Negro e Little Quail and the Mad Birds, com a colaboração de Gabriel Thomaz. Lançou, ainda, o single virtual “Sem Palavras” pelo portal TramaVirtual. Além disso, foi destaque em diversos meios de comunicação respeitados (tais como revista Rolling Stone Brasil) por conta de suas apresentações – inclusive tendo Sem Palavras incluída na 21ª posição dentre as 50 melhores canções do ano.

Participaram também do Festival Indie Rock (2007), onde se apresentaram ao lado de bandas estrangeiras como The Magic Numbers e The Rakes, e as brasileiras Moptop e Nação Zumbi.

A incansável vontade de tocar e expandir seus horizontes levou a banda para uma turnê de seis shows pela Europa – Bélgica, Suíça, República Tcheca e Alemanha –, em agosto de 2008. Sem exceção, o Móveis foi ovacionado em todas as apresentações. Os novos ares ajudaram a banda a fechar o repertório do segundo disco, que seria gravado a partir de outubro do mesmo ano – com o apoio da Trama, que forneceu todo o cuidado e a estrutura para sua gravação, mixagem e masterização.

De volta ao Brasil, e desta vez com o acompanhamento (quase fraternal) de Carlos Eduardo Miranda, a banda dedicou-se ao C_mpl_te. Também com 12 faixas, o aguardado segundo álbum destaca a união, o trabalho em grupo e a consolidação da identidade sonora. Os detalhes e as canções são bastante evidentes nesse disco. Nas palavras de Miranda, “sem dúvida, um dos melhores e mais importantes discos que eu fiz na vida”. O disco subsequentemente teve lançada uma versão virtual disponível gratuitamente.

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INTEGRANTES:

André Gonzáles (voz)
BC (guitarra)
Beto Mejía (flauta transversal)
Eduardo Borém (gaita cromática, teclados e escaleta)
Esdras Nogueira (sax barítono)
Fabio Pedroza (baixo)
Paulo Rogério (sax tenor)
Gabriel Coaracy (bateria)
Xande Bursztyn (trombone)


DISCOGRAFIA:

Álbuns de estúdio:
Idem (2005)
C_mpl_te (2009)

EPs:
Móveis Coloniais de Acaju (2001)
Vai Thomaz No Acaju (com Gabriel Thomaz) (2007)

Singles:
Seria o Rolex? (2006)
Sem Palavras (2007)
O Tempo (2009)
Falso Retrato (U-hu) (2009)

Editado por dinamiteg em Mar 4 2011, 2h13

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