Tendo uma vez feito indiscutivelmente certo premiando ano passado o álbum "
The Seldom Seen Kid" do
Elbow, a lista de nomeados pelos jurados de agora do Mercury Prize reverte para seu usual conjunto de indicações marcado pela mistura fraca, vergonhosa e absolutamente desmerecedora de músicos.
Sem dúvida, alguns jurados ficarão satisfeitos em evitar muitos dos grandes nomes esse ano, que não teve lugar disponível para
Snow Patrol,
Keane,
Coldplay,
Oasis,
Take That,
Pet Shop Boys,
Girls Aloud,
U2,
Morrissey ou
The Manic Street Preachers; e também por ter dado uma hábil reviravolta a alguns dos tradicionais artistas indies favoritos do prêmio, como
Antony and the Johnsons,
Franz Ferdinand e
PJ Harvey. Mas simplesmente contrariar expectativas é uma pobre justificativa para uma disposição de candidatos tão desanimadora. A lista desse ano pode muito bem ser a pior já existente, uma infeliz representação do que tivemos de bom durante esses 12 meses na música.
Não surpreende que os os apostadores já tenham colocado
Kasabian e
Florence & The Machine na junta de probabilidade de 5/1 dos favoritos, assim como alguns outros candidatos parecem ter uma base crítica ampla para convencer os jurados. Dos atos avaliados com probabilidade 6/1,
La Roux com o álbum homônimo é provavelmente o melhor colocado, sendo o único da lista com o álbum atualmente nos charts do Reino Unido, e o único representante do renascimento do electropop; "
Two Suns" do
Bat for Lashes é um prospecto muito mais brando do que seu álbum de estreia em 2006, levando alguns a suspeitarem que ela pode mais ser a
Stevie Nicks da sua geração, do que a
Kate Bush; enquanto o primeiro e homônimo do
Glasvegas é de certa forma denegrido desde seu lançamento ano passado.
O resto é apenas pra encher linguiça, um saco de lixo indie de classe média (
The Horrors,
Friendly Fire,
The Invisible), um inferior art-rock folk-eletrônico (
Sweet Billy Pilgrim) e estranho jazz (
Led Bib), medíocre folk-rock (
Lisa Hannigan), e um compassivo e melancólico hip-hop (
Speech Debelle). Os jurados estão seriamente sugerindo que alguns desses são atos merecedores para representar ao resto do mundo o auge musical atual no Reino Unido?
Eu não tenho nada contra com o que parece ser uma tentativa de distanciar o Mercury Prize do Brit Awards. Mas vários e óbvios candidatos que mereciam foram injustamente ignorados no processo - entre eles,
Doves,
The Streets,
Roots Manuva,
Madness,
Paolo Nutini,
Van Morrison e
Paul McCartney, cujo álbum "Electric Arguments" no seu projeto paralelo
The Fireman contém algumas das mais impressionantes músicas desde muito tempo. As escolhas alternativas parecem preguiçosas e uma mistura do que há de mais obscuro na moda, quando músicos como
Metronomy,
Fujiya & Miyagi,
The Real Tuesday Weld,
Chicken Legs Weaver,
The Duckworth Lewis Method e
Micachu lançaram, todos, álbuns mais encantadoramente intrigantes.
Mas é no topo que a pequena lista falha mais compreensivamente ao tentar refletir o que realmente está acontecendo na música britânica. Particularmente, nossa propensão nacional para uma cultura diversificada foi quase que completamente ignorada, apesar da oportunidade de gerar atenção com excelentes lançamentos como aqueles do
Bellowhead,
Dub Colossus,
King Creosote,
Justin Adams & Juldeh Camara,
The Matthew Herbert Big Band e a trilha sonora "Monkey" de
Damon Albarn, apenas mencionando alguns deles.
Inovação de verdade, ao que parece, está menos presente no Mercury Prize do que na mistura fraca e defeituosa de sons que passam a ser aventura sonora nos dias de hoje, se essa lista é realmente para ser acreditada.