Biografia
Entre as poucas novidades na área graças a seu projeto solo Four Tet, ele esquece os clichês europeus de música para dançar e se mira no outro extremo para buscar inspiração.
Hebden cita nomes familiares ao pop negro norte-americano como os grandes renovadores do som da virada do milênio.
“Os grandes produtores de hip hop ainda me impressionam. Os Neptunes, Timbaland, Darkchild… Eles fazem todos os outros parecerem amadores.” A saber: os Neptunes produziram “I’m a Slave 4 U”, de Britney Spears, e o melhor disco do ano (“In Search of…”, disfarçados como o grupo N*E*R*D), Timbaland é o nome por trás de Missy Elliot, e Darkchild cuida do som de divas r&b como Brandy e Monica.
Referências diversas
Mas o Four Tet busca a black music moderna como referência de timbres e texturas, não como base de estrutura musical. Esta segue o amálgama de referências citadas por Kieran que, com pouco mais de 20 anos, carrega um currículo de respeito.
“Gosto de estar envolvido com vários tipos de música, e sempre foi assim”, ele explica. “Para mim, não existem fronteiras. A vida torna-se mais excitante se você pode ser o DJ de um clube num dia, no outro tocar guitarra numa banda de rock e no outro trabalhar em um remix.”
Antes de assinar como Four Tet, Kieran já tinha garantido seu lugar ao sol graças ao grupo pós-rock The Fridge.
Além disso, tocou guitarra ao lado de nomes como U.N.K.L.E. e Badly Drawn Boy, quando o Fridge acabou deixando o estúdio de lado para se tornar a banda de apoio do novo talento do rock inglês. “Foi fantástico estar em uma banda por apenas alguns meses, tocando para milhares de pessoas, como apenas um guitarrista”, lembra Kieran.
Ele não pára por aí: já remixou Aphex Twin, David Holmes e Cinematic Orchestra, além de ter gravado com o jazzista Pharoah Sanders e com o produtor electro Arthur Baker.
Influência de família
Kieran culpa a infância por ter se envolvido com gêneros musicais tão distintos: “Meu pai ouvia de tudo: soul, rock, jazz, country… Aí quando eu tinha 13 anos, o grunge e o lo-fi aconteceram -Nirvana, Pavement, Sonic Youth- e eu resolvi que iria ter uma banda”. Entre outras influências, ele cita “Jimi Hendrix, Alice e John Coltrane, Aphex Twin, Björk, Nas, Wu-Tang Clan, Ornette Coleman, Can…”.
Para o show de domingo, Hebden não promete nada específico. “Tenho feito este show desde o meio deste ano, com apenas dois laptops e efeitos, que será o mesmo que apresentarei no Brasil”, conta. “Eu quis me desafiar ao vivo, improvisando muito. Por isso, dois shows nunca são iguais para mim, depende muito do meu humor e do público. Às vezes faço sets bem sossegados… Às vezes faço apresentações barulhentas.”
A abertura dos shows, que começam às 19h, fica por conta dos papas do lo-fi brasileiro, os irmãos Headache, e do novato grupo Vurla, cujas apresentações caóticas e polirrítmicas os colocam dentro do mesmo bueiro de grupos como Jackie-O Motherfucker e Godspeed You! Black Emperor.
- ALEXANDRE MATIAS
free-lance para a Folha de São Paulo - 29/11/2002
Editado por leofavre em Nov 3 2007, 14h49
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