Sábado 11 Abr – No Use for a Name, Cueio Limão, Sugar Kane, Fistt, Phone Trio, 35 mls, Gasoline Special
O show do No Use For a Name começou para a maioria dos jundiaienses quando o Fistt e a Oba! Records anunciaram que ao invés de Santos, a banda tocaria em Jundiaí. Boa parte, senão o todo, espantou-se; afinal, uma das maiores bandas de hardcore melódico californiano, que estaria passando por uma tour pela América do Sul tocar em Jundiaí, que não chega nem perto de ser um pólo de shows no Brasil, é mesmo de causar espanto. Muitos acreditavam que a notícia era falsa, que eles tocariam mesmo em Santos, mas a confirmação veio quando a própria banda divulgou em seu myspace. Estava escrito "11/04 Jundiaí - Grêmio C.P."; era a notícia que muitos esperavam.
Há dois anos o No Use For a Name havia tocado no Brasil no Via Funchal, e cobrado cerca de 120 reais pelos ingressos, então, esperava-se que esse show não seria tão barato e que, mesmo assim, o Grêmio iria lotar, não foi o que aconteceu. Os ingressos estavam sendo vendidos a 25, 30, 40 e 50 (1º, 2º, 3º e 4º lotes respectivamente, este último vendido apenas na porta). Um show de uma das maiores bandas internacionais sendo cobrado a esse preço mantinha lógica a um fato: o Grêmio iria lotar. As bandas de abertura pareciam que podiam confirmar esse fato: três delas; Fistt, Sugar Kane e Cueio Limão; goste ou não, são os maiores expoentes do hardcore melódico no Brasil (com exceção da conceituada Dead Fish e do banalizado CPM 22).
O Grêmio abriu por volta das nove e meia, quando já podia-se notar claramente na entrada que não haviam muitas pessoas. A banda jundiaiense Gasoline Special estava tocando seu punk/metal ao melhor estilo Motörhead, animando as poucas pessoas ali presentes com seu hit "Explode de Tesão", que nos remete a uma mistura do funk carioca às guitarras de um rock n' roll puro e ao vocal de André Bode Voador, figura excêntrica, que poderia ser facilmente confundido com uma mistura de Lemmy do Motorhead com Jimmy do Matanza.
Logo em seguida deu-se início ao show da banda Phone Trio, vindo do Rio de Janeiro para Jundiaí. Quando pensa-se em bandas cariocas, logo associa-se a idéia do hardcore melódico do Noção de Nada ou ao pop rock adolescente de bandas como Darvin e Dibob. O power trio contrariava essa lógica, tocando um pop punk no melhor estilo Green Day e Face to Face de ser. Os cariocas contavam com uma presença de palco muito grande, e até quem não conhecia o som deles passou a se interessar após o show.
Não se sabe porque, mas a banda 35 mls não pôde tocar, animando muitos que ali estavam presentes (afinal, quem vai num show de hardcore quer ver bandas de hardcore abrindo) e contrariando poucos que se encontravam para prestigiar essa banda que vêm ganhando destaque no cenário pop rock/emo nacional. A "boa notícia" era dada para grande parte dos fãs de hardcore: o hardcore iria começar. O Grêmio continuava vazio e pensava-se que isso se reverteria com o show da banda californiana.
O Cueio Limão sobe ao palco e toca hits como "Rockstar", "Quando eu tocar na TV" e "Desgraçada"; porém conta com um imprevisto na qualidade sonora e decide abandonar o show, causando a indignação de muitos que ali estavam para prestigiar a banda; mas isso era o de menos, afinal o Cueio Limão toca de vez em sempre em Jundiaí. O que causou um pequeno tumulto foi o anúncio de que a banda curitibana Sugar Kane, ativa desde 1997, também não tocaria, pois o No Use For a Name havia sido avisado de que estaria em palco em torno da meia-noite. Pode-se dizer que o Fistt foi a única banda que respeitou seus fãs, anunciando que seu show se iniciaria logo após o show do NUFAN.
Quando o relógio apontava meia-noite, os roadies do NUFAN começaram a aprontar o palco para a entrada da banda. Meia dúzia de adolescentes revoltados clamavam o nome do Sugar Kane, e diziam que a banda era melhor que o No Use For a name, o que gerou um pouco de desânimo e irritação em Tony Sly e seus companheiros de banda. Correm boatos de que o frontman havia comentado que o show estava cheio de crianças e que não tinha sido um show dos melhores. E a quantidade de pessoas? Não era a esperada. Até em matinês de carnaval o Grêmio já estivera mais lotado.
A banda parecia empolgada no começo, com exceção de Tony Sly, que assim como em todos os shows da turnê brasileira, podia-se notar que estava desanimado. Abriram com "On the Outside" e passaram por clássicos do hardcore como "The Answer Is Still No" onde a platéia grita em coro "FUCK YOU! THAT'S MY NAME"; e "Invincible". O melhor havia sido deixado para o final, quando a banda finge deixar o palco e volta para tocar "Feels Like Home/International You Day" e o cover de "Redemption Song" do Bob Marley, esta, o ápice de rodas punks e moshs no show todo. Também não faltaram músicas do novo álbum como "The Trumpet Player" e "Under the Garden"; estas, menos conhecidas pelos fãs das antigas, e também a clássica "For Fiona".
Após o show os integrantes do No Use For a Name encontraram-se para tirar fotos com os fãs, distribuir autógrafos e conversar um pouco. Dave Nassie e Matt Riddle se mostravam os mais efusivos, enquanto Rory Koff parecia indiferente e Tony Sly estava com uma cara de "que merda, vamos embora".
Após a "sessão de autógrafos", o show do Fistt começava. Não contava nem com 1/3 dos presentes no show anterior, mas a banda mostrou bom humor e respeito aos seus fãs verdadeiros que ali se encontravam, tocando os clássicos "Hardcore na veia", "Minduim" e "Menininha"; um cover de "Get along gang" e as novas "Aquecendo" e "Meu amigo copo", entre outras. O show do Fistt também contou com brincadeiras e com participações dos caras do Gasoline Special, anunciando um fim de show.
Enfim, o show foi bom, mas denuncia a infra-estrutura e a organização do local, deixando bandas de fora e não respeitando fãs.
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