Biografia

Um miúdo pré adolescente a quem foi oferecida a arma que lhe viria a mudar o mundo,uma guitarra.
Hoje já não é miúdo e toca um som maduro e melancólico, com canções que bebem das suas influências mas que vão para além delas.

Em 2006, Azevedo Silva (vocalista e guitarrista de Madcab) dá início ao seu projecto a solo. A sua viagem a Copenhaga, em Setembro, onde deu três concertos com Rhona Reid, foi decisiva para o lançamento da sua primeira demo. Clarabóia, contou com quatro temas inéditos, um dos quais passado no programa Portugália de Henrique Amaro, na Antena 3, e uma versão de um tema original de Daniel Johnston, “Devil Town”.

Entre Outubro e Dezembro, deu concertos em Lisboa, Porto, Braga e Vila Real, e apresentou o seu projecto em showcases nas livrarias Bulhosa e nas lojas Fnac de Lisboa, Almada e Cascais. Durante esse tempo pôde avaliar o feedback do público ao seu projecto e fez a gravação do seu primeiro álbum.

Depois de Clarabóia, Azevedo Silva segue com Tartaruga. Ao ouvirmos o seu álbum descobrimos que as canções respiram Lisboa. Quer na simplicidade intimista com que faz uso das emoções e das palavras, quer na forma como as transporta para uma guitarra triste mas intensa. Na sua voz reconhece-se a languidez da tartaruga. O vagar e a dormência com que canta e os sentimentos que arrasta na sua voz chegam a perturbar, quase a pedido.

Era uma vez — e é assim que começam todas as boas histórias. Autista, segundo disco de Azevedo Silva, é um exercício de tristeza, isolamento e quase solidão. É a ironia da percepção de quem vive num mundo próprio rodeado de gente, porque afinal somos todos um pouco assim: autistas. Neste universo – paralelo, pois claro! — a realidade é um acto demasiado consciente. O mundo é ensaiado numa guitarra acústica e outra amplificada, onde as faixas versam sobre personagens de amor e ódio.

É fácil assegurar que Autista se segue a Tartaruga, o primeiro, não pela vulgar maturidade, antes pela — e é diferente — perda de ingenuidade. Se Tartaruga andou à deriva por este mundo fora, Autista faz-nos parecer que conhece o caminho: é mais intenso, mais pesado e mais envolvente. Adulto, diria. Este cancioneiro não será, por isso, amor à primeira vista, nem amor que se sabe para a vida, — ou a morte —, inteira. É possível consolidar a premissa após repetidas audições, de olhos fechados, sem interlúdio.

Canta-se com a alma de outros tempos, a de sempre. A pena faz parte do seu timbre, do tom de quem é um contador de histórias, de barba feita, mas sem rugas, sentado numa esquina qualquer. Os transeuntes jamais terão a percepção exacta daquilo que é ou daquilo que canta — um pobre diabo? A atitude é claramente dicotómica, entre a auto-exclusão por opção em “sabe a pouco o que a vida nos reservou”; e a exclusão forçada que resulta num lamento desolado e descrente: “alguém que pare o mundo que eu quero sair”. Talvez em Autista, tenha criado um mundo só seu, onde é mais difícil entrar. Há que saltar o muro.

Azevedo Silva regressa. Azevedo Silva veio para ficar, percebe-se. Há que ter em conta as edições anuais que nos tem oferecido. As influências continuam em Zeca Afonso, sem preconceitos, com humildade e, sobretudo, atitude. Autista é despido e despojado. Os arranjos são, a par da beleza, subliminares. A simplicidade nada fica a dever à intensidade das canções que se fazem ouvir. Aqui a guitarra continua a ser o melhor instrumento para dar forma às vozes que dentro de si, sem rasto, querem sair. E saem mesmo.



Azevedo Silva @ Lástima

”Tartaruga” @ Lástima

”Clarabóia EP” @ Lástima

Azevedo Silva @ MySpace

Editado por A_dama_do_sinal em Jul 1 2009, 22h59

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