Art Tatum

Biografia

Art Tatum foi um dos gênios máximos do piano jazzístico moderno, um solista por excelência, e um virtuose incomparável. Nascido em Toledo, Ohio, em 1910, e quase totalmente cego desde a infância, desenvolveu uma personalidade introvertida, porém seu talento musical sempre foi extraordinário. Tocou com pequenos grupos em clubes, tanto solando como acompanhando, até que alcançou considerável notoriedade entre o público iniciado ao formar seu próprio trio em 1943, com o contrabaixista Slam Stewart e o guitarrista Tiny Grimes (que, a partir de 1952, seria substituído por Everett Barksdale). Tatum tocou também com outros grupos (inclusive com o clarinetista Barney Bigard, o sax-alto Benny Carter, o vibrafonista Lionel Hampton e o sax-tenor Ben Webster), e principalmente como solista. Numa verdadeira maratona de estúdio, em 1953 gravou oitenta faixas solo (treze discos) para Norman Granz, o produtor do Jazz at the Philarmonic.

Considerado por muitos músicos como o maior de todos os pianistas, Tatum desenvolveu um estilo que é ousado, porém não revolucionário como o de Charlie Parker; atual, porém sem apresentar uma contínua evolução interna, como aconteceu com Coleman Hawkins e Louis Armstrong; admirado por muitos, porém sem deixar seguidores no sentido estrito do termo (nem mesmo imitadores), como ocorreu com Dizzy Gillespie, o guitarrista Charlie Christian e outros . Tudo isso se explica, talvez, pelo fato de se tratar de um estilo profundamente pessoal, que se coloca um tanto à margem das tendências estilísticas, se podemos dizer assim. Nisso Tatum foi favorecido por sua técnica estupenda e pela memória prodigiosa, que lhe permitiam fazer facilmente o que aos outros pianistas custava muito esforço. Talvez o músico que mais se aproxime de Tatum no sentido de ser difícil de classificar e imitar é Thelonious Monk; porém a Monk falta o virtuosismo de Tatum, e a Tatum falta o radicalismo de Monk.

A música de Tatum é singular. Sem se afastar do repertório standard do jazz (não sentia grande inclinação para compor), Tatum tecia variações sem fim sobre esse material. O tema praticamente sumberge sob ondas de ornamentos e arpejos tocados a grande velocidade. Os críticos Richard Cook e Brian Morton acertam ao dizer que Tatum freqüentemente lançava mão de um tema familiar e seguia uma fórmula, porém impondo variações infinitesimais. De fato, de uma interpretação para outra do mesmo tema existem diferenças sutis porém importantes de abordagem.

Editado por JonesRocha em Jul 14 2007, 18h25

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