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Resenha
Abr 6 2009, 3h11 por brun-o
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Radiohead em São Paulo 22.03.2009
Mar 29 2009, 22h05 por emptyspacesalex
Meu amigo Pérsio Kojima já editou uma bela resenha (leiam!) sobre o fatídico 22 de março de 2009, discorrendo sobre os detalhes, as pessoas, o clima, o show em si, o setlist, enfim, o relatório completo dessa monstruosidade chamada Radiohead.
Com uma certa dificuldade pra organizar as idéias, vou tentar deixar um pouco das minhas impressões aqui. Até porque, como a imensa maioria dos presentes na Chácara do Jockey, eu também entrei numa espécie de transe hipnótico-emocional que durou duas horas e meia e reverberou ainda por mais alguns dias.
Antes de tudo, eu tive uma bela surpresa, porque não imaginava que fosse ainda ter a oportunidade de presenciar uma apresentação de rock and roll desse naipe nesses tediosos anos iniciais do século XXI. Era como se estivesse vendo um ensaio de gravação dos Beatles na Abbey Road enquanto editavam Revolver em 1966, ou uma apresentação do Pink Floyd no clube UFO em 1967, ou um concerto de três horas de duração do Led Zeppelin em alguma fazenda perdida no interior da Inglaterra em 1969, ou ainda um "pocket show" do Neil Young em alguma casa de show do interior dos E.U.A. em 1971.
Pois a impressão que ficou pra mim foi essa. O Radiohead é hoje a única banda de rock que consegue fazer (re)pulsar, de forma totalmente inovadora, algo semelhante àquela sensacional magia estético-musical-coletiva que explodiu nos idos de 1966 e reverberou com força até o início dos anos 70. Conseguem captar e canalizar, eu diria de forma quase solitária, os "sentimentos estéticos" da geração pós-"baby boom". No fundo, eles são os nossos Beatles, a nossa "cara musical-estética" pop do início de século.
Assim foi. Uma cártase anormal tomou conta daquele povo das 22h (horário de Brasília) do dia 22 de março até mais ou menos as 0:20h do dia 23. Transpirava-se euforia. Mas não uma euforia qualquer de um bando de fãs que viam o seu ídolo. Havia algo mais profundo, uma "conexão" que não é comum e que explica o status e a importância dessa banda. Aquele palco da Chácara do Jockey exalava "pop art" (?) na sua forma mais sublime. Unindo de forma impecável o calor das pessoas, as melodias inebriantes e pungentes do trabalho coeso e perfeccionista da banda, os efeitos visuais "chapantes", tudo espirituralmente sincronizado e irretocável.
Na minha curta existência já tive o privilégio de presenciar vários shows de pop/rock de grosso calibre, e nenhum chegou aos pés desse. Talvez o Franz Ferdinand no Festival Motomix em 2006 tenha conseguido algo parecido, mesmo assim, com um feeling muito mais "mundano" e trivial, digamos assim. Radiohead consegue ser etéreo e carnal ao mesmo tempo sem qualquer tipo de "chatice" ou "histeria coletiva". Junta sem muita dificuldade, por exemplo, a parte boa da grandiloqüencia de um show como o do Roger Waters (ex-Pink Floyd - Estádio do Morumbi - 2007), com a efervecência de uma apresentação do Oasis (Credicard Hall - 2006) ou do Interpol (Via Funchal - 2008). Todas que, de uma forma ou de outra, deixavam algo incompleto.
Poderia comentar aqui faixa por faixa desse show estupendo, mas seria pura redundância. Tudo estava em seu grau máximo. Com exceção da organização do evento, que fui uma das piores que eu já vi. Para a Planmusic não havia muita diferença entre a orda de fãs do Radiohead e um rebanho qualquer de gado bovino. Se a banda não tivesse feito um show estupendo que fez valer o ingresso e até sobrar, provavelmente seria o ingresso mais caro (no sentido custo X benefício) que eu já paguei.
Mas enfim, a (des)organização não conseguiu manchar a noite. Noite aliás que nos brindou com um céu milagrosamente limpo para uma São Paulo sempre poluída, na metade final do show. E ali ficou o meu "moment of clarity" do dia: ao som de "Reckoner", ora olhando pro céu, ora pro palco, ora pras pessoas a minha volta, dando-me conta de que lá estava eu me deliciando e tomando parte, nem que por umas parcas horas, do centro da história da música popular ocidental.
ADENDOS:
- shows de abertura: vi parte da apresentação dos Los Hermanos, pra mim não fedeu nem cheirou, de qualquer maneira, um bom show; Kraftwerk foi o que eu esperava, ou seja, clássicos da música pop eletrônica despejados com correção e competência - quando terei oportunidade de escutar as "pérolas" Autobahn, The Robots, Radioactivity, e Boing-Boom Tschak/Musique Non-Stop novamente? Pelo menos já estou garantido.
- a banda, as músicas, os álbuns, e o show: algo que me chamou atenção foi o fato do Radiohead ser a única banda que eu tive oportunidade de assistir até hoje que supera em todas as execuções ao vivo as versões originais das músicas, aquelas cravadas nos álbuns; sem falar no vocal do Thom Yorke, que é de longe muito mais envolvente que o das gravações originais; e pra finalizar, se eu fosse músico, eu teria uma puta e desgraçada inveja de como esses caras executam e transformam seus petardos ao vivo.
SETLIST:
Radiohead
Chácara do Jóquei, São Paulo, Brazil
March, 22, 2009
15 Step (In Rainbows)
There There (Hail To The Thief)
The National Anthem (Kid A)
All I Need (In Rainbows)
Pyramid Song (Amnesiac)
Karma Police (Ok Computer)
Nude (In Rainbows)
Weird Fishes/Arpeggi (In Rainbows)
The Gloaming (Hail To The Thief)
Talk Show Host (B-side - Trilha Sonora do filme Romeu e Julieta)
Optimistic (Kid A)
Faust Arp (In Rainbows)
Jigsaw Falling Into Place (In Rainbows)
Idioteque (Kid A)
Climbing Up The Walls (Ok Computer)
Exit Music (For A Film) (Ok Computer)
Bodysnatchers (In Rainbows)
Encore 1
Videotape (In Rainbows)
Paranoid Android (Ok Computer)
Fake Plastic Trees (The Bends)
Lucky (Ok Computer)
Reckoner (In Rainbows)
Encore 2
House of Cards (In Rainbows)
You and Whose Army (Amnesiac)
True Love Waits (I Might Be Wrong)/Everything In Its Right Place (KidA)
Encore 3
Creep (Pablo Honey)
edição original: http://emptyspaces-chronicles.blogspot.com/2009/03/radiohead-em-sao-paulo.html
resenha Pérsio Kojima: http://www.lastfm.pt/user/pkojima/journal/2009/03/25/2ldx3k_everything_in_its_right_place_-_radiohead_em_s%C3%A3o_paulo_(22.03.2009)
Domingo 22 Mar – Just a Fest -
It's Gonna Be a Glorious Day
Mar 28 2009, 16h13 por lunoronha
Domingo 22 Mar – Just a Fest
Chácara do Jockey, São Paulo. Às 22h em ponto, as luzes se apagam. O show iria começar, depois de uma expectativa que durava mais de quatro meses, desde que a vinda do Radiohead ao Brasil foi anunciada. O momento chegara finalmente, e com ele uma sensação de pequena agonia misturada a essa felicidade, pois na medida em que começava, logo terminaria. Essa sensação dura pouco. As luzes azuis enchem os olhos da platéia e 15 Steps se inicia provando que agora sim, era real. O Radiohead inicia seu show com a primeira música de seu último CD, In Rainbows, destacado por muitas revistas de renome como o melhor álbum de 2007. Com pouco tempo para se recuperar da sensação de êxtase provocada pela primeira música, ouvem-se as batidas fortes de There There, e o público se emociona. A terceira música, nada mais, nada menos que National Anthem, do aclamado e por vezes polêmico Kid A, álbum que símbolo do período em que Radiohead iniciou suas performances eletrônicas. Como de praxe, ao fim da música, o guitarrista Jonny Greenwood sintoniza quatro rádios brasileiras que se misturam aos inúmeros ruídos da música, causando um efeito psicodélico e transcendental em todos. Seguem-se então, All I Need e Pyramid Song, ambas as músicas que passam serenidade para a platéia, apenas aquecendo-na para o que viria a seguir. O riff inicial anuncia e como se a platéia recebesse uma injeção de endorfina, marcando o início Karma Police, acompanhada por um coro do público não observado em nenhuma outra música até então. Ouvia-se praticamente em uníssono "For a minute there, I lost myself, I lost myself..", refrão nostálgico para aqueles que acompanham a carreira de Radiohead desde o lançamento de OK Computer, terceiro álbum da banda e eleito por muitos como o melhor, não obstante Thom Yorke tê-lo apontado como a causa de seu bloqueio criativo nos anos posteriores a seu lançamento. Dando continuidade à alternância entre músicas do In Rainbows e de outros álbuns, vem a sequência Nude, Weird Fishes/Arpeggi, sempre acompanhadas pela mudança de cor das luzes do palco de acordo com a escala de cores do arco-íris. Como um alarme, The Gloaming antecede Talk Show Host, b-side da banda muito pouco tocado ao vivo, Optimistic e Faust Arp. Jigsaw Falling into Place se demonstra ainda melhor ao vivo do que em estúdio e enquanto os telões projetavam os integrantes da banda em ângulos diferentes dos vistos pela platéia, era possível observar diversas pessoas chacoalhando suas cabeças de um lado para o outro, do mesmo modo que o vocalista Thom Yorke o faz, como que em um ritual que marcava o ritmo da música, “... just as you dance, dance, dance". Mais uma descarga de batidas e experimentalismos eletrônicos segue-se em Idioteque e Climbing Up the Walls, esta última uma surpresa no repertório. Surpresa maior ocorre quando Thom inicia Exit Music (For a Film). A platéia de 30 mil pessoas, como que hipnotizada, fica em silêncio e escuta uma das músicas mais bonitas já tocadas, silêncio cortado apenas pelo vendedor de água que passava entre a multidão que o mandava calar-se, pois naquele momento falar era um desrespeito. Bodysnatchers encerra o setlist principal e a banda sai do palco. A platéia pede bis e escuta Videotape. Ao final desta inicia-se Paranoid Android, uma espécie de hino para os apreciadores de música alternativa. Se Thom limitava-se anteriormente a pouca troca de palavras com o público, soltando um "Obrigado" ao final de algumas músicas, torna-se claro que a ligação vocalista/fã está em um nível que transcende as palavras. Ao final de Paranoid, enquanto os integrantes do Radiohead afinam seus instrumentos, a platéia, com as mãos levantadas, continua em coro "Rain down, rain down, come on rain down on me...". Thom então empunha novamente seu violão e acompanha com "This is Sir, I'm leaving..." fazendo a primeira voz para o backing de sua própria platéia, momento extracorpóreo que será registrado nos anais dos shows da banda e sublime para os que puderam vivenciá-lo. O início de Fake Plastic Trees concretiza o fato que aquela noite seria mesmo inesquecível. Muitos fechavam os olhos, cantando como se estivessem em uma dimensão paralela, atingindo uma espécie de Nirvana. Lucky se sucedeu e foi como se todos estivessem nas nuvens, “... pull me out of the aircraft" seguido do solo de guitarras e ritmos distorcidos soavam como uma sinfonia aos ouvidos de todos. Reckoner antecede a segunda saída da banda do palco; e o fim se aproxima juntamente com uma sensação de que algo tão perfeito estava prestes a acabar. Em House of Cards o público se prepara em silêncio para o que poderia se suceder. Thom senta-se então ao piano, e ao tocar a geniosa You and Whose Army, o telão mostra em cinza, como uma gravação em VHS, a câmera estrategicamente colocada bem de frente com a face do vocalista, como se este estivesse olhando diretamente para o público através do telão, fazendo movimentos estranhos com a boca e com os olhos enquanto a banda gradualmente o acompanha no crescimento da música. Então, a bandeira do Tibete, elemento coadjuvante da decoração do palco desde o início do show e que passava quase despercebida pelo público é colocada ao centro deste, proporcionando um introdução genial para Everything In Its Right Place com um trecho de True Love Waits. A banda sai do palco novamente, e um movimento da multidão discretamente se inicia, como se o show houvesse acabado. Entretanto, algo faltava, alguns diziam. E como se os integrantes do Radiohead tivessem se dado conta que não dava para terminar daquela maneira, retornaram ao palco para um final triunfal regido por Creep, música de maior sucesso da banda até hoje, integrante de seu primeiro álbum Pablo Honey, considerado o hino dos deslocados, levando milhares de pessoas a levantarem os braços e, com os punhos fechados, cantarem com força, em uma espécie de paradoxo proposital, o refrão "What the hell am I doing here? I don't belong here!" na medida em que o palco era iluminado simultaneamente por todas as luzes empregadas ao longo do espetáculo. Esse sim foi o fim de um show impecável que será lembrado por muitos anos a fio, de uma banda que marcou e ainda marca a geração, talvez injustamente denominada, geração indie. Uma turnê de um álbum emblemático como In Rainbows vem para estabelecer o lugar do Radiohead na história musical e nos corações dos que puderam ouvir ao vivo a prova de que ainda é possível comover uma platéia sem fazer uso de dançarinos performáticos ou músicas barulhentas. A combinação mais-que-perfeita de luzes, cores e sons fez, como que em um passe de mágica, quase 30 mil pessoas encontrarem definitivamente seu lugar. -
Emocionante, intenso e simples
Mar 27 2009, 0h11 por ovilefil
Domingo 22 Mar – Just a Fest
Confesso que gosto bastante de Radiohead, porém, como de todos os artistas de que gosto, não morro de paixões.
Por isso mesmo, quando eles entraram com "15 Step", que eu nem conhecia (conheço bem pouco do In Rainbows), simplesmente vi do que se tratava verdadeiramente a banda. Eu me emocionei dos pés à cabeça simplesmente pelo jeito como a música era cantada e entonada com a maior emoção, intensidade e carisma por Thom. E assim foi nas primeiras músicas todas. Só não me derramei em lágrimas porque eu estava extremamente cansado. Por isso, além de ótimo do início ao fim, as melhores palavras para definir o concerto são: emocionante, intenso e simples. Simples porque é na simplicidade que mora a beleza que estava o palco e o toque das músicas. Foi lindo!
Kraftwerk para mim também foi perfeito, como tinha sido ainda mais o outro deles a que fui em Brasília em novembro de 2004. Amo a banda e a inovação (sim, eles que praticamente inventaram a música eletrônica muitas décadas atrás) deles. Do começo ao fim, impressionantes, ainda que apenas uma música tenha sido diferente da apresentação que tinha visto em 2004.
De Los Hermanos, ainda que admire a banda, não posso dizer muito, pois só conhecia uma música entre todas as cantadas.
Enfim, foi tudo ótimo. Só não foi perfeito pelo forte cansaço que me atingiu ao fim (ainda com toda a emoção durante o Radiohead), pela distância da Chácara do Jóquei e por causa da grande falta de organização, principalmente na saída (como podem deixar tanta gente sair por uma só saída. Impraticável, desrespeitoso e desnecessário!). Vale destacar, no entanto, a pontualidade. Não houve sequer um segundo de atraso para o início de todas as apresentações. Louvável!
Foi ótimo e impressionante, principalmente pela emoção inesperada causada em mim pelo Radiohead. -
Radiohead em São Paulo – 22 de março de 2009
Mar 25 2009, 15h15 por pedroneto
Justa A Fest - Chácara do Jockey, São Paulo
Ingressos esgotados. 30.000 pessoas estavam na Chácara do Jóquei, em São Paulo, esperando pra ver Radiohead na sua primeira turnê sul-americana. Olhando assim, parece difícil de acreditar, mas eu era uma delas. Alguns madrugaram na fila, com direito a barraquinha e tudo. Eu fui menos radical: cheguei lá só umas 5 horinhas antes da abertura dos portões. A fila estava grande, mas não tão imensa como ficaria algumas horas depois. Resultado: peguei um lugar inacreditável, há 3 pessoas da grade! E o pessoal em volta era gente boa também, o que facilitou bastante a espera de 4 horas até Los Hermanos subirem no palco. Não sou fã deles, mas gostei bastante da apresentação. O resto do público também, já que parte dos fãs de Radiohead também são fãs dos barbudos feios.
Kraftwerk veio depois. Não gosto da idéia de se fazer música apenas com 4 laptops, mas os alemães também não foram de se jogar fora. E eles realmente sabem como usar um telão em um show. Mesmo assim, no final eu não agüentava mais a espera e estava louco para os titios saírem logo do palco.
Então, chega a atração esperada há mais de uma década para uma apresentação histórica. E eu vendo tudo aquilo quase da grade! Foi realmente incrível. Thom Yorke como sempre o autista por opção, fazendo caras e bocas e sussurrando coisas incompreensíveis, se revezando entre guitarras, piano e Rhodes. Ed O’Brien, de terno e gravata, a cara do Hugh Laurie, como sempre a simpatia em pessoa. Jonny Greenwood, o multiinstrumentalista (perdi a conta de quantas coisas ele tocou), como sempre com sua carinha de lesado. Colin Greenwood estava bem empolgado, mas o coitado sempre fica escondido lá atrás. O Phil Selway nem se fala então, atrás de sua bateria.
Tocaram algumas que eu esperava ansiosamente, como There There, The National Anthem (com um rádio sintonizando estações brasileiras) e Paranoid Android. A bridge de Paranoid Android era o momento que eu mais sonhava, e pra tornar tudo mais maravilhoso, o Thom ainda repetiu ao final da música. Só faltou uma chuvinha na hora. As minhas favoritas do OK Computer, meu álbum favorito, foram tocadas: Climbing Up The Walls e Lucky. Definitivamente esse foram os pontos altos do show. O último álbum, In Rainbows, foi tocado na íntegra, com destaque para Reckoner, Jigsaw Falling Into Place e Faust Arp, essa última apresentada só com dois violões. No entanto, Just, uma das que eu mais esperava e que foi tocada no Rio de Janeiro, não foi tocada. Street Spirit (Fade Out) e Planet Telex, que estavam no setlist, foram trocadas por You And Whose Army. Troca BASTANTE infeliz, se você me perguntar. Pelo menos foi cômico ver as caretas do Thom no telão transmitidas pela microcâmera no piano. Wolf At the Door também foi riscada, sendo substituída por Fake Plastic Trees. Essa troca me pareceu certa. Creep apareceu de última hora e encerrou de maneira digna as mais de 2 horas de apresentação. Eu sonhava com Black Star, Morning Bell e Myxomatosis, já sabendo que as possibilidades eram mínimas. As únicas surpresas foram Talk Show Host, Pyramid Song, mas não houve nenhum momento “PQP!! Não acredito que ele tá tocando isso!!!”. De qualquer forma, um setlist típico de uma primeira passada no país e que de forma alguma pode ser considerado decepcionante.
Para meu grande alívio, a acústica da Chácara era boa, e os fãs foram comportados na medida do possível, de modo que as cantorias da platéia não atrapalharam em nada, e eu pude ouvir com detalhes os arranjos impecáveis. Fiquei triste porque estava louco pra comprar uma blusa oficial, mas o sistema do cartão de crédito estava fora do ar (lá vou eu me endividar na waste.com).
Enfim, foi um dia glorioso. Valeram a pena as 11 horas em pé, as pernas dormentes por 2 dias e comprovar da pior maneira possível que dois corpos podem sim ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Agora é esperar a próxima turnê. Afinal, quem duvida que nós agora somos destino certo?
Setlist
1.
15 Step
2. There There. (The Boney King of Nowhere.)
3.
The National Anthem
4.
All I Need
5.
Pyramid Song
6. Karma Police
7. Nude
8.
Weird Fishes/Arpeggi
9. The Gloaming. (Softly Open Our Mouths in the Cold.)
10.
Talk Show Host
11.
Optimistic
12. FAUST HARP
13.
Jigsaw Falling Into Place
14.
Idioteque
15.
Climbing Up The Walls
16.
Exit Music (For A Film)
17.
Bodysnatchers
Encore 1:
18.
Videotape
19.
Paranoid Android
20.
Fake Plastic Trees
21.
Lucky
22.
Reckoner
Encore 2:
23.
House of Cards
24.
You And Whose Army?
25.
True Love Waits/
Everything In Its Right Place
Encore 3:
26. Creep -
Everything In Its Right Place - Radiohead em São Paulo (22.03.2009)
Mar 25 2009, 2h46 por pkojima
Um vendedor “honesto” autorizado a trabalhar no meio da multidão do show do Radiohead anuncia seu produto:
V - Óia a água,óia a água, é 5 real, é 5 real...
Um espectador interessado (E) em saciar a sua sede, fica abismado com o preço:
E - Que isso, é água de fonte de ouro! É água importada?
V - Má du quê tú tá reclamandiu? I cê qui pago quasi 300 pilas pra vê uns cara estranhu, um qui grita quinem muié e pareci tá cum “bituquera” e outro qui toca guitarra i pareci tá cum taqui pililéticu...Então meu fio, si quisé é 5...
E - Tio, já embassô, sai logo da minha frente que eu quero ver All I Need...
Apesar da verdade sobre a organização do show, preços e condições do local – é minha gente, Chácara do Jockey quase não é São Paulo Capital – o show da banda liderada pelo cara identificado como “estranho” pelo vendedor, Thom Yorke, foi uma bela comunhão entre fãs e músicos (dedicados a executar com perfeição novos e velhos sucessos) desde seu prenúncio até o seu final.
Eu, Regina e Fabio (primo do Claudio) adentramos em meio ao público postado na frente do palco ainda durante o show dos Los Hermanos. Infelizmente, nossos amigos Cris e Alex não conseguiram nos acompanhar, pois avançamos bastante; ficamos um pouco espremidos, mas ficamos a uns 25 metros do palco. E foi lá, sem querer que encontramos com o nosso outro amigo, Fabão Moreira. Na verdade, estávamos em busca da prima da Regina. Ela dizia estar bem debaixo da câmera de tevê. Porém, acabamos encontrando o Fabão, que logo após o anúncio dos shows do Radiohead no Brasil, não se contentará em comprar apenas os ingressos para o show do Rio.

Aliás, muitos fizeram como Fabão. A demora foi tão grande que casou uma “certa loucura” nessas pessoas. Se não me engano desde 2000, ouvia dizer que o Radiohead viria ao Free Jazz Festival (evento já falecido). E ouvia sempre a mesma estória no mês de Dezembro: “este ano o Radiohead” vem pro Brasil. Um jornalista especializado sempre potencializava este boato em sua coluna eletrônica. Quando não era este tal jornalista, uma revista especializada anunciava tal boato...
E o final de 2008 havia chegado e a mesma estória era anunciada. Quando um amigo me comentou sobre o fato, afirmando que o Radiohead viria mesmo para o Brasil em 2009, eu relutei a acreditar. Tal relutância me levou a uma reclamação no SAC da empresa vendedora dos ingressos pela internet, quando a mesma atrasou em 3 dias a entrega dos ingressos que eu havia adquirido. Liguei e disse mais ou menos assim para a atendente: “...só me falta você falar que Radiohead desistiu de vir pro Brasil e por isso o meu ingresso não foi entregue...”
Confesso que muitas vezes fui relutante a encarar a modernidade de obras como “Kid A” ou “Amnesiac”. Sempre achei que houve muito hype sobre essas obras e que elas não eram condizentes com as críticas. Cheguei a afirmar certa vez que os álbuns pós “OK Computer” são como “A Nova Roupa do Rei”, antigo conto infantil onde só os inteligentes poderiam apreciá-los, ou seja, as pessoas só apreciavam porque elas queriam se sentir inteligentes, quando na verdade a roupa nem existia e o Rei estava andando nu. Entretanto, percebi recentemente que estava redondamente enganado. As composições da era mais vanguardista são passionais e originais. Talvez, quando eu tinha 19 anos não me atentava a detalhes como fusões de ritmos e cadências diferentes em composições de bandas de rock. Mas em 2009, já com 28 anos, tive outra impressão de “Kid A” e “Amnesiac” – a impressão de ter sido bobo, preconceituoso e juvenil ao não ter dado a atenção merecida àquelas músicas.

Sobre o show, não preciso afirmar aqui que Thom, John, Colin, Ed e Phil são músicos virtuosos e que se entregaram totalmente durantes as quase 2 horas de show (com direito a 3 bis). Não preciso comentar que todos ficaram alucinados nos primeiros acordes de “15 Steps” logo no início. Não vou comentar também que o palco, as luzes e os efeitos visuais eram espetaculares. Não preciso citar que todos cantaram a plenos pulmões “Karma Police”, “Lucky” e “Creep”. Não preciso dizer que todos pularam no meio da execução de “Paranoid Android”. Não preciso falar da grande surpresa e emoção ao ouvir “Fake Plastic Trees”. E nem preciso dizer das ausências sentidas de “Airbag”, “2+2=5” ou “High And Dry” no setlist. Blá Blá Blá.
Só preciso mesmo resumi-lo a uma frase: “Everything In Its Right Place”. Pois no dia 22 de março de 2009 tive a certeza de estar assistindo o show da melhor banda do mundo...
Mas e a tal comunhão entre fãs e banda citada no início deste texto? Bem, isso aconteceu durante todo o show, mas logo após a execução de "Paranoid Android" a multidão começou a cantar espontaneamente "Rain Down, Rain Down, Come On Rain Down On Me..." e o Thom começou a tocar, espontaneamente, os acordes dessa música e logo depois emendou "Fake Plastic Trees".
Memorável. Foi perfeito. Foi emocionante. Foi felicidade e satisfação absoluta.
Faltou só colocar o set-list:
15 Step (In Rainbows)
There There (Hail To The Thief)
The National Anthem (Kid A)
All I Need (In Rainbows)
Pyramid Song (Amnesiac)
Karma Police (Ok Computer)
Nude (In Rainbows)
Weird Fishes/Arpeggi (In Rainbows)
The Gloaming (Hail To The Thief)
Talk Show Host (B-side - Trilha Sonora do filme Romeu e Julieta)
Optimistic (Kid A)
Faust Arp (In Rainbows)
Jigsaw Falling Into Place (In Rainbows)
Idioteque (Kid A)
Climbing Up The Walls (Ok Computer)
Exit Music (For A Film) (Ok Computer)
Bodysnatchers (In Rainbows)
(Encore 1)
Videotape (In Rainbows)
Paranoid Android (Ok Computer)
Fake Plastic Trees (The Bends)
Lucky (Ok Computer)
Reckoner (In Rainbows)
(Encore 2)
House of Cards (In Rainbows)
You and Whose Army (Amnesiac)
True Love Waits (I Might Be Wrong)/Everything In Its Right Place (KidA)
(Encore 3)
Creep (Pablo Honey)
Viva o Radiohead!
Radiohead em São Paulo 22.03.2009 -
The most perfect day I've ever seen.
Mar 24 2009, 18h19 por arkanusboy
Domingo 22 Mar – Just a Fest
Uma das noites mais importantes da minha vida com certeza... Sei que daqui a 30 anos me lembrarei exatamente da sensação que eu tive de estar a 6 m de Thom Yorke e Jonny Greenwood, apesar da lembrança do show parecer quase que indistinta, como se tivesse sido um grande e maravilhoso sonho em meio à iluminação epiléptica e os agudos de Thom.
Sobre a organização dá pra irrelevar, que todo mundo já disse, foi uma merda. Mas dá pra esquecer isso depois das 20:00 quando entrou Kraftwerk (pode-se esquecer também o show totalmente sem tesão do Los Hermanos). A partir daí a coisa parece que passou pra outra dimensão. Desde o momento em que ouvi os primeiros vocais no vocoder de "MACHINE MACHINE MACHINE MACHINE MACHINE!" em meio ao refletor piscando sobre Ralf Hütter, foi então que me dei conta "meu deus, estou diante de Radiohead + Kraftwerk". A partir daí, porra, me acabei de vez sob a batida das versões geniais que tocaram de THE MAN-MACHINE, RADIOACTIVITY, THE MODEL entre outras. Foi perfeito. Pura arte performática irrelevada pelos fãs alienados (tanto de LH quanto de RH) não souberam apreciar e ainda abriram a boca pra ruminar e falar merda.
Depois de Music Non Stop eu e todo mundo estivemos com os nervos à flor da pele aguardando por Thom entrar na batida de 15 STEP seguida de THERE THERE (depois do olodum do clássico a coisa ficou apocalíptica), e aquela iluminação insana. Foi completamente catártico... Thom esbanjando carisma. Todo mundo completamente em transe no baixo de THE NATIONAL ANTHEM, suados, pulando e berrando completamente alucinados ("Everyone around here. Everyone is so near!" se encaixou perfeitamente rsrs). Fica difícil até de falar sobre o show de tão surreal.. os coros, os improvisos, as palhaçadas do Thom (impagável a dança das sobrancelhas em You and Whose Army? ! puro sex appeal!), que tava que tava no show! IMO raramente já se viu tanta empatia dele com um público!
Pra mim os momentos mais marcantes foram em Talk Show Host (me emocionei de tão surpreso que fiquei!!), WEIRD FISHES (eu quase atingi a fenda de vez, foi FODA!), Idioteque e Climbing Up the Walls, e, é claro os TRÊS bis finais! Tudo muito perfeito, hipnoticamente música após música, em meio à nuvem das baforadas de maconha da platéia.
Enfim, ainda estou completamente anestesiado e sei que vou ficar assim por muitos dias, e duvido muito que qualquer show que seja feito esse ano no Brasil causará tanto impacto e expectativa cumprida quanto o que presenciei na noite desse domingo... -
22/03/2009
Mar 24 2009, 14h19 por trailways
Sun 22 Mar – Just a Fest
Bem, eu ainda não escrevi nenhum jornal neste user. A estréia será com comentários sobre o incrível show do Radiohead em SP.
Cheguei na fila 5h da manhã e pra minha surpresa, não havia quase ninguém. Foi duras e arduas horas até a abertura dos portões 14hrs. Aliás, quando chegou esse horário as filas já dobravam quarteirão, o que fez valer a pena chegar lá tão cedo.
Quando abriram os portões, foi a verdadeiro corrida do ouro. Até mesmo os sedentários tiraram forças do além para correr e pegar seu lugar ao sol para o show. Eu consegui pegar a grade com muita corrida.
Mas o esforço de correr e chegar cedo na fila não valeu nada pra mim, estava com uma vontade imensa de urinar, só aguentei até metade do show dos Los Hermanos, além de tudo, estavam todos me empurrando e eu mal conseguia me mover lá.
Quando terminou LH, começou Kraftwerk. Esse eu assisti pouco, não satisfaz muito meu estilo, eu estava de longe acompanhando, no mais fiquei conversando com um amigo de são paulo, vi realmente só umas partes, tipo a da repetição do "The Machine".
Quando começou Radiohead, reservei todas minhas atenções a ele. Foi emocionante, mesmo eu tendo parado de ouvir praticamente a banda faz 1 ano aproximadamente. Eu já estava bem longe da grade, mas não impediu de sentir toda a emoção. Começaram com 15 steps, como eu esperava. De resto, a setlist me agradou muito, só não me liguei em Talk Show Host, que foi bem estranho ter tocado. A grande surpresa foi tocar Exit Music. Quase chorei realmente na hora. Tocaram a maioria dos hits, a hora de Paranoid Android foi engraçado, após a música a galera continuou no clássico "rain down, come on rain down on me". E no final, crépi, a que todos esperavam. A galera toda gritava "I'M A CREEP, I'M A WEIRDO, WHATAHELL I'M DOING HERE, I DON'T BELONG HERE".
Enfim, foi um bom show, queria ter ficado na grade, mas foi demais mesmo, até agora não vi ninguém reclamando do show, visto que Radiohead ao vivo é simplesmente lindo, tanto que me fez voltar a ouvi-los novamente. Este dia ficará marcado.

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this is not a love song...
Mar 24 2009, 1h38 por calabria_
Domingo 22 Mar – Just a Fest
...morri.
Ver Los Hermanos com um set muito bom - me fez esquecer que um arremate 'perfeito' teria 'pierrot' - já me fez alternar palavrões.
Durante a batalha por um pedaço de pizza, meu transtorno interno foi contido por batidas bem compassadas e uma participação estética que só precisava de telões, luzes beeem coordenados e robôs que surpreenderam muita gente. Se não fosse o Kraftwerk, ficaria mais interessada em matar a fome que dançar 'autobahn', 'the robots' e 'music non stop'.
A respeito do Radiohead, não tenho dúvidas de que foi o show da minha vida. Apesar do pífio detalhe deles não serem um dos meus artistas top, por exemplo...e por enquanto, foi um exemplo de espetáculo.
Começar com '15 Step' e emendar com 'There There', foi OMG...fiquei sem palavras.
Até Thom dizer: 'Are u ready?' e mandar ' jigsaw falling into place'.
Daí prá frente, tornei a alternar palavrões. Sucessão de muitos entre berros, mãos ao ar, lágrimas, apoio em ombros alheios e desgaste de tendões pelo válido sacrifício de ficar no alto da ponta dos pés...fechava os olhos prá me sentir transcedente.
Sensação única e indescritível. Dificilmente será arrebatada. -
Throw it in the fire
Mar 24 2009, 0h58 por aldurin
Sun 22 Mar – Just a Fest
@ bratislava
Eu não sei do lugar - porque eu não estava lá. Entre o que eu escrevo agora e o começo de noite do domingo, morri uma parte e renasci outra. Se tinha mais 35mil pessoas ao meu lado, se choveu ou se fez frio, se os amigos estavam ali pra ser encontrados, se a luzes ou o vento, se a lama... Não sei. Eu não estava lá.
Não sei quais foram todas as músicas. Não lembro de ter respirado por duas horas e meia. Mas chorei. Chorei porque sim e porque foi a recompensa mais incrível por mais de dez anos de espera. Uma catarse minha, em mim - num tudo ao mesmo tempo que.
Tudo doía. O corpo todo, dolorido e amortecido. Em alguns momentos tudo o que estava muito confuso e difuso (com exceção do palco) voltava a ganhar forma, porque a dor de ficar em pé, num piso irregular, insistia em me trazer de volta à Chácara do Jóquei. Mas eu não estava ali - e se a dor rasgava os músculos, a próxima música sempre trazia mais lágrimas e uma euforia contida, silenciosa, como que por respeito.
E não porque sejam deuses de um planeta distante do meu. Eram ali uns meninos, tocando instrumentos e cantando - como tantos outros. Não eram deuses. Mas um respeito pela qualidade do que era apresentado, pela comoção coletiva, pela alegria de estar em pé (por quatro horas, na mesma posição) pra ver uma de minhas bandas favoritas.
Just 'cause you feel it doesn't mean it's there.
Lembro de ter pensado bobamente num momentos dos momentos em que voltei ao chão: "E a mãe do Thom, o que ela acha disso tudo? Como é?" Bobamente.
Fui absorvido pela dor e por um torpor que poucas vezes senti. Balançava o corpo pra diminuir o incômodo e pra deixar a música entrar por todos os poros. Me "alimentando de música", seguindo uma sugestão fantástica de Renmero, que junto com a Bia e a Michele, dividiram comigo a vitória. Mais essa vitória épica.
Você não ganha de mim quando o assunto são vitórias. Nunca.
This is what you'll get when you mess with us
Foram minutos infinitos. Entre uma música e outra a ansiedade me consumia. E nos primeiros acordes, adivinhados, mais uma porrada.
Um coro de 35mil pessoas convencendo a banda a continuar cantando a música que na teoria deveria ter acabado. E eles cantavam conosco. E sorriam. Eu os vi sorrindo e cantando junto. À merda com a modéstia: fomos uma grande audiência. Um coro de 35mil vozes. Catárticas. Entoando mantras. Eles estavam felizes, sorriam - riam! - e se surpreendiam com aquilo tudo.
Mas não vi nada. Eu não estava lá. Aquilo tudo não existiu. Foi sonho, com muitas luzes e uma das melhores bandas do mundo.
Your ears are burning
Denial, denial
Your ears should be burning
Denial, denial
Não quero me achar mais.